Poucas & boas a respeito do escritor (vaidades &tc.) / anotações carnavalescas

O escritor sabe que é um mundo, microcosmos, uni-verso. Tal-&-qual o viajante de Theroux (i.e.: o próprio Theroux), reconhece que existe dentro dele um cancro indetectável de vaidade, presunção & mitomania a roçar o patológico. O escritor por vezes trata «dos outros» para esconder-se da vergonhosa, da despudorada verdade: que está a tratar, mesmo, é de si. Sempre ele, sempre dele. O pior pesadelo do escritor, então (& aqui ainda agarro-me às imagens de Theroux [pai], que compreende imenso das coisas), o pior pesadelo do escritor, como estava eu a dizer, é a terrível perspectiva de encontrar outro escritor. Dois escritores que porventura se percebessem dentro de um elevador às 7h15 da manhã — um vai para o running matinal, o outro à padaria. Não têm nada a falar. Olham-se, estranham-se, repelem-se… Odeiam-se.

— P. R. Cunha