O violoncelo

Para a Marcella Cunha, minha irmã

O violoncelo é um instrumento robusto. Se — a título de entretenimento — colocássemos roupa humana no violoncelo, ele ficaria parecido com uma pessoa de estatura mediana. Inclusive, a forma como o violoncelista toca o violoncelo lembra muito a maneira que duas pessoas se abraçam. O violoncelo parece um contrabaixo, mas não é um contrabaixo, é outra coisa. O violoncelista experimenta sons no violoncelo, aperfeiçoa-se com o tempo. Numa altura, violoncelista-e-violoncelo parecem um só organismo. O violoncelista dedilha as cordas do violoncelo e acredita-se um deus acústico. O prazer que sente o violoncelista ninguém lho tira. Podem jogar maçãs no violoncelista, baldes d’água, terra, lama, podem cuspir no violoncelista que ele continuará tocando. E mesmo que o teatro lhe caia sobre a cabeça, e o aglomerado de pedras, cascalhos e areia comece a lhe sufocar, ele continua tocando.

— P. R. Cunha

Carta aos leitores

(PENSAMENTO INTRODUTÓRIO: se tu tomas o café enquanto escreves é bom saberes que eventualmente o café cairá na superfície da tua mesa, causando grande transtorno.)

Damas e cavalheiros,

Há momentos na vida do animal humano em que tudo parece acontecer/surgir no mesmo período, mesma época, mesmo mês, mesmo dia. Mas não falo isto com aquele já tradicional azedume do funcionário contemporâneo (vide estereótipo) que reclama do excesso de afazeres da firma, da casa, da sociedade, de tudo, sente-se claustrofóbico, inútil, desesperançoso. Consigo compreender com cada vez mais clareza que o facto de eu ter passado por, como se diz, poucas-e-boas na última década ajudou-me a consolidar a casquinha que me isola das feridas da procrastinação. Os Cure têm uma música que resume bem a coisa toda; chama-se Sleep when I’m dead. Organizo o próprio cronograma com parcimônia e procuro cumprir a próxima tarefa depois de ter terminado a atividade anterior.

Um passo de cada vez, diria um antigo.

Hoje tentarei responder aos leitores que me enviaram mensagens nas páginas deste blogue e também àqueles que preferiram a comodidade dos emails. Infelizmente, é com certo pesar que vos digo que o número de cartas de papel que recebi neste ínterim foi zero.

Eis:

Coitada da Flávia, é culpa da Flávia… mas pensemos também naquele que precisa de responder que «não há Flávias por aqui». Sobre virar o pobre do besouro amarelo e o orientar para a janela: não posso fazê-lo, pois são personagens (e besouros) de celulose. A coisa toda ganharia ares de origami. Em vida real, porém, teria virado o besouro amarelo, com certeza. Outra: falam connosco como se tivéssemos culpa. As pessoas retratadas nos textos de ficção: tudo de mentirinha, não (necessariamente) condizem com a realidade do autor. Sim, nada é para sempre. Era uma fábula em 64 trechos, na verdade. Estou a caminhar algures, inclusive pelas vias do suspense. O menino também aprecia a geleia de morango, plausível. Obrigado por gostares (sabes que estou a falar contigo). Pode parecer travessura de minha parte, mas acho que o Superman das bancas de jornais tem um bocado a ver com o Übermensch de Also sprach Zarathustra — ambos possivelmente impossíveis. Não há mais botões de curtir nas páginas do blogue. Mas parece que não consigo retirar essa funções da plataforma WordPress (página interna dos utilizadores, por exemplo). Então, tecnicamente, a estrelinha das curtidas ainda existe. Também acharia muito giro transformar os devaneios em banda desenhada. Quem sabe? Ainda sobre os likes: a vossa leitura me interessa imenso, são as estrelinhas que me parecem um bocadinho supérfluas, não acham? Respeito/cultivo/encorajo a diversidade de modos na chamada blogosfera (o que quer que isto signifique), apenas calhou de a minha natureza criar certa aversão às trocas: lê o meu textinho que daí leio o teu textinho. É capaz de funcionar para outras pessoas, a mim, pelo menos, não funciona. Também prefiro o «show, don’t tell», é bem o segredo da empreitada, aliás. Há muitas distrações, aqui, ali, acolá, distrações para todos os lados. Não saberia lhe dizer o que significa «receber notificação no email de resposta ao comentário». Eu sempre desativo todas essas mensagens automatizadas. Nadamos em mares profundos, pois não. Alguns se afogam. A tua descrição de pós-modernidade pareceu-me um bocado moderna — principalmente a parte do «ninguém se importa, nada importa». Apesar de achar que era assim também em tempos remotos, o que muda é a quantidade de meios para compartilhar certas nulidades (reverberação, eco, amplificadores sociais etc. etc.). A máquina de escrever nunca está estressada; o piloto da máquina de escrever, bom, talvez, às vezes. Pedantismo à parte, gosto de compartilhar perguntas importantes para épocas importantes. A simples dicotomia sim/não: é tudo o que se precisa dizer em determinadas alturas.

— P. R. Cunha

devaneios da própria máquina de escrever (episódio #23)

A CENA DO BAR

a cena do bar envolve sons/barulhos de bar (copos de cerveja, música com guitarra acústica aos altifalantes, o cozinheiro a fazer as mãos de megafone tentando confirmar algum pedido, a cacofonia de homens & mulheres rindo-se, o bêbado solitário que tira um pigarro invisível da garganta antes de recolher o próprio boné & sair a nenhures). a fumaça dos cigarros suspende-se na baixa atmosfera do estabelecimento. as pessoas sentadas ao balcão estão vestidas como se fossem figurantes de um filme mudo da década de 1920. certa dama flerta com um sujeito vestido de cowboy — jaqueta esfarrapada feita com pelúcia de ovelha, jeans azul, botas. a dama usa vestido preto, longo, pernas insinuantes que se mostram apenas ligeiramente entre os cortes da roupa quando ela se move no banco giratório. o cowboy levanta o copinho de uísque & sorri para a dama. sabe-se que uma das funcionárias de mesa (madalena em solteiro) começou a fazer o curso para ser hospedeira de bordo (aeronaves comerciais). ela é alta & jovem. dentro do bar está escuro, mas é um escuro que diz pouca coisa. não se tem a certeza se lá fora cai a noite ou se são apenas as nuvens carregadas de tempestade a cobrir a luz do sol. a verdade é que o tempo dentro dos bares nunca passa da mesma maneira, nunca passa.

— p. r. cunha

Gênese crítica

Walter Benjamin costumava dizer que para alguém analisar as coisas em redor de forma adequada bastava-lhe saber que dentro da própria cabeça há pensamentos próprios. É quase um trabalho de tradução. O sujeito de repente observa uma árvore que lhe agrada imenso, ele pensa na árvore, está a sentir aprazíveis sensações e gostava de comentar a respeito da árvore. Organiza as ideias, senta-se à mesa, começa a tomar notas dos acontecimentos, transcreve.

Troquemos a árvore por um artista, ou mesmo por alguma criatura deste artista, e veremos o surgimento da crítica moderna, atividade caríssima a Benjamin. Os produtos da mente humana — romances, filmes, pinturas, danças, teatros etc. — estariam em constante formação, cada um à espera de certo olhar externo que subverte, recria, acrescenta. O crítico, segundo Benjamin, seria aquele que produz também uma espécie de obra de arte ao mergulhar na arte alheia. É mais uma travessia de dois náufragos do que um duelo à Alexander Pushkin.

Neste aspecto, aquele que critica precisa de saber que tem também responsabilidades. Para exercer o ofício com moderação e elegância, terá de adquirir aquilo a que costumam chamar de bagagem cultural. São as ferramentas do crítico, pelo menos daquele que pretende levar a empreitada a sério: ir aos museus, aos concertos, assistir aos filmes, ler os romances, rechear o próprio cérebro para que ele não se mostre errante no momento de dialogar com o contexto do objeto criticado.

Tudo pode começar, à laia de exemplo, com uma despretensiosa observação acerca dos acordes fúnebres de Danse macabre do compositor Charles-Camille Saint-Saëns. Notas que soam como um melancólico presságio, como o destino sempre incerto deste gênero musical que hoje é mais admirado do que escutado propriamente — e aqui evito escrever música clássica, pois, como bem explicou Alex Ross: o clássico é um termo que aprisiona a arte viva num zoológico do passado. Mas Saint-Saëns compreendia a inconstância do cenário em que estava inserido, que à tarde uma determinada sinfonia podia ser considerada a maior de todos os tempos, para, à noite, tudo cair em trevas novamente. O que lhe restava, então? Dançar com a morte do próprio gênero, aceitar a mutabilidade das coisas: Danse macabre.

— P. R. Cunha


Yevgeny_Onegin_by_Repin

Os gentlemen Eugene Onegin e Vladimir Lensky resolvem pendências num duelo. A cena foi pintada por Ilya Repin.

Nova canção // refúgios musicais &tc.

Depois de escrever uma cena importante para o meu próximo livro, depois de anotar verdades inconvenientes, com a cabeça arejada, e aquela doce atenção — discreta — para com o mais pequeno dos pormenores: sóbrio, firme, longe de ostentações, como se diz, depois de ter aprendido como aceitar os agrados dos amigos sem perder o respeito próprio, sem parecer ingrato, com dignidade e possuidor dos melhores sentimentos, refugiei-me ao bem-afamado Estúdio da Cris, com guitarra(s) / spin cycle / cascade / crunch ping pong delay / royal rock / sitar / baterias Four on the Floor (tipo retrô) / microfone unidirecional (smooth vocal, empty church, cellar, phone filter etc.) e gravei esta canção chamada I’m not crazy but I can pretend que faz parte de um projeto a solo cujo desfecho ainda é-me um total mistério. 

prcunhaalbum

— P. R. Cunha

Quarta nota #10 — ironicamente

§ A máquina de gritar desenvolvida pelo Dr. Ludwig consiste em uma caixa (50 x 60 cm) ajustável a qualquer tipo de crânio humano. A pessoa que porventura esteja zangada com o chefe, enfurecida com o cônjuge, irritada com o desfecho de determinado inventário que há anos se arrasta, coloca a cabeça dentro da máquina de gritar do Dr. Ludwig — cujo interior acolchoado evita o vazamento de toda a sorte de ruídos (graves, agudos etc.) — e grita. Paga-se uma módica quantia para se utilizar o aparato. Máquina de gritar.

§ Tenho um amigo que fizera a faculdade de jornalismo e nunca exercera a profissão. Ao passo que esse amigo jamais disse: sou jornalista. Sabe que para ser jornalista é preciso praticar o jornalismo. Da mesma forma, ele às vezes me alerta: para ser escritor é preciso escrever. Se tu não escreves, não és escritor, és apenas um leitor mascarado.

§ Depois da repercussão positiva do manual Como construir um escritor, eis uma breve reflexão sobre Como construir um texto literário. Antes de mais nada, baixa o aplicativo «Faça-me um Texto Literário» (disponível para Android e iOS). Coloca no campo TEMA o assunto a respeito do qual desejas «escrever». Aguarda uns minutinhos, porque agora o aplicativo está a pensar por ti. Passados os minutinhos, tu terás um texto literário.

§ Pausa prolongada.

§ Fica-se muito triste quando alguém admirável morre. Mas a morte de Mark Hollis, vocalista dos Talk Talk, possui peculiaridades que merecem ser levadas em consideração. Hollis morreu-se (livre e espontânea vontade) em 1992, pouco depois das gravações do álbum Laughing Stock. Na altura, dissera que estava farto das pressões da chamada indústria da música, dos mexericos, das expectativas irreais/surreais dos fãs, da necessidade de sempre estar em todos os lados, e que chegara a hora de dedicar-se à família. Viveu desde então ao lado dos seus, retirado do mundo fonográfico — apesar de um propositadamente discreto trabalho solo em 1998. Já não queria mais saber de mostrar-se, e o facto de poucos falarem dele nos últimos tempos é prova de que lograra êxito na fuga. Ontem, foi o Hollis privado — o pai, o marido — que se despedira. Para os que admiravam a sua genialidade, permanecem ainda os mesmos espólios de um luto que há décadas perdura.

— P. R. Cunha


Quarta Nota #8 — Gordon Banks, morte das estrelas (defesa impossível)

O autor deste blogue volta com as notas descompromissadas que deixam a senhora Cassandra (do apartamento 323) com ganas de desbravar o mundo, a despeito dos seus noventa e quatro anos.


Cansado de embriagar-se
verbalmente —
largara o romance
para se entregar
à poesia.

§ Todas as noites o Roberto queixa-se com a esposa: detesto a metalurgia, a metalurgia me causa um verdadeiro asco; e todos os dias o Roberto sai para ir trabalhar com metalurgia. Pode-se dizer o mesmo dos casais que se odeiam, que se desprezam prolongadamente, mas não se separam: talvez porque tenham medo de morrer sozinhos.

§ As bobagens que dizemos para preencher os demorados silêncios.

§ Etc.

§ O que um escritor de ficção diz é bem diferente daquilo que um escritor de ficção escreve. A fórmula é a seguinte:

Vida pessoal do escritor ≠ Vida literária do escritor

§ O Sol — observável ao céu — é uma gigantesca bomba nuclear que, quer-queira-quer-não, irá explodir. Cessa a fusão hidrogênionúmeroatômico1/hélionúmeroatômico2, o interior do Sol perde a batalha contra a gravidade e o núcleo entra em colapso. A jornada é um bocado mais complexa do que isso, mas não precisamos de esmiuçar os pormenores aqui. O importante é saber que as estrelas também possuem ciclos. Elas nascem, vivem e morrem.

§ (Trajetória comum de diversos escritores de ficção: nascer, ler muitos livros, perder-se no mundo dessas narrativas livrescas, eventualmente criar os próprios universos — lidar com a finitude alheia, muitas vezes esquecendo-se da própria finitude. Porém, as páginas dos escritores de ficção também se acabam.)

§ «Os limites da minha linguagem significam os limites do meu mundo», é Wittgenstein.

§ Noutras ocasiões, os grandes morrem discretamente, a dormir. Depois de anos a lutar com um cancro no fígado, Gordon Banks, o maior guarda-redes de sempre, faleceu ontem à noite durante o sono. Autor da chamada «defesa impossível» (Carlos Alberto avança desde o próprio campo, dá um primoroso passe à três dedos para Jairzinho, que ganha do defensor inglês, corre até à linha de fundo, cruza para Pelé, Pelé sobe majestosamente para cabecear a bola, um cabeceio enciclopédico, perfeito, para baixo, indefensável — não fosse Banks), o guarda-redes costumava brincar que seria lembrado por estragar um belíssimo tento do Rei do Futebol.

§ Mostraram-me os vencedores dos Grammy e percebi que não conhecia vivalma (Kacey Musgraves?). Lembrei de uma conversa que tive com vovô ao final dos 1990. Ele disse: meu gosto musical morreu de ataque fulminante, e está enterrado no Desert Memorial Park. Vovô estava a falar do Frank Sinatra.

§ A minha hipótese é que numa certa altura (o período pode/deve variar de ser humano para ser humano) perdemos um pouco o interesse, a vontade de adaptarmo-nos às novas tendências. Preferimos continuar com o Frank Sinatra, com o Gordon Banks, com o Thomas Bernhard, com o Johnny Cash, com a Susan Sontag, com o Perec, com a Lispector, com a Cecília Meireles, com a Nina Simone — até ao fim dos nossos dias. 

§ (À guisa de P. S.) Mas a verdade é que ainda estou para conhecer cargo político mais poético do que o da senhora Ana Paula Vitorino: ministra do Mar. E ontem conversei com o músico Flávio Silva sobre os porquês de nunca estarmos satisfeitos — plenamente satisfeitos (e.g. Fulano estipula objetivos [ter casa, família, automóvel para locomover-se], e quando atinge/conquista tais objetivos parece querer pular em novas bacias de inquietações). É que nosso cérebro primata evoluíra para lidar com as intempéries da floresta, ambiente pouco amistoso àqueles que ficam parados (presa fácil), e toda a gente que já comera demais e depois dissera: ufa!, que almoço incrível, estou satisfeito, sabe que a satisfação gera inércia, apetece-nos deitar. Corroborei essas conclusões enquanto voltava para casa escutando The promise, do Sturgill Simpson.

— P. R. Cunha

O gosto pela especulação abstrata

Você a conheceu, digamos, num bar, mas ela prefere chamar de pub, vocês então começam uma despretensiosa conversa sobre passado-presente-futuro-onde-você-se-vê-daqui-a-cinco-anos. A verdade é que vocês já fizeram coisas muito boas para outras pessoas e também coisas muito ruins; vocês já foram o motivo da felicidade de alguém, e já foram o motivo da ruína emocional de alguém. Vocês já disseram «eu te amo», vocês já escutaram «suma da minha frente!». Vocês se conheceram num bar/pub e agora criam desculpas engraçadinhas para serem amigos. Vocês prometem para si mesmos: desta vez não vou estragar tudo com a minha intempestividade, desta vez vai ser diferente, passo a passo, não pretendo cometer os mesmos erros, sem pressa, tudo vai ficar bem, sou uma pessoa melhor, mais madura, etcétera. Você percebe uma marquinha no braço dela, acha a marquinha adorável, você então comenta com ela: ei, essa marquinha aí no seu braço, muito adorável. Ela sorri e diz que nunca ninguém havia reparado naquela marquinha, ela conta que se trata de uma marquinha de nascença, que a marquinha sempre existira. Quando vocês não estão juntos, você pensa nela, depois pensa um pouco mais, até que a sua cabeça basicamente se divide em «preocupações do dia-a-dia» e «Ela», com letra maiúscula. Seu relógio biológico começa a se desregular, seu sono é uma bagunça, você agora se esquece de comer, os filmes lhe fazem lembrar dela (principalmente [e um pouco inexplicavelmente] Les Enfants du paradis, de Marcel Carné), as músicas também, você está a esperar o ônibus e um anúncio aleatório sobre «férias no Caribe» também lhe faz pensar nela. Você começa a fazer planos a curto (daí a médio, daí a longo) prazo, já não consegue conceber um futuro sem ela na sua vida, você quer aprender a cozinhar, a fazer massagem, decorar trechos dos poemas favoritos dela, você quer entrar para as aulas de desenho, aprender a tocar violino, piano, você, em suma, quer impressioná-la, mostrar que ela fizera a escolha certa, que ela não vai se arrepender depois. E ela gosta do jeito que você fala, assim, sem filtros, diretamente, isso transmite confiança, ela diz, uma sensação de tranquilidade, sujeito determinado, que sabe o que quer. Você então sorri, um sorriso bobo, sem motivos. Você acha que está apaixonado — justo você, que nos últimos tempos repetira tantas vezes que jamais se apaixonaria novamente.

— P. R. Cunha