Sonhador

Para a Jéssica Fernandes Cunha

I
A rede branca
com tranças de algodão
oferece o átimo de repouso
linha do horizonte
percebem-se
aléns-fabulosos
onde todos os conflitos
estão resolvidos
mesmo que
momentaneamente

II
Um longe feito
de iras e acalmias
o brilho de uma borboleta
fugidio —
cimos de árvores
retorcidas pelas
estações imperfeitas

III
Acolhimentos futuros
a luz d’outro mundo
outra dimensão
fito o meu reflexo
na superfície ondular
da piscina
rosto estranho
como um cometa que
acabara de cair da lua
não é poeta
é ser humano.

— P. R. Cunha


Nova canção // refúgios musicais &tc.

Depois de escrever uma cena importante para o meu próximo livro, depois de anotar verdades inconvenientes, com a cabeça arejada, e aquela doce atenção — discreta — para com o mais pequeno dos pormenores: sóbrio, firme, longe de ostentações, como se diz, depois de ter aprendido como aceitar os agrados dos amigos sem perder o respeito próprio, sem parecer ingrato, com dignidade e possuidor dos melhores sentimentos, refugiei-me ao bem-afamado Estúdio da Cris, com guitarra(s) / spin cycle / cascade / crunch ping pong delay / royal rock / sitar / baterias Four on the Floor (tipo retrô) / microfone unidirecional (smooth vocal, empty church, cellar, phone filter etc.) e gravei esta canção chamada I’m not crazy but I can pretend que faz parte de um projeto a solo cujo desfecho ainda é-me um total mistério. 

prcunhaalbum

— P. R. Cunha