O espadachim introspectivo

Raramente escrevo sobre os livros que gosto. As únicas pessoas com quem consigo conversar a respeito deles talvez sejam a Jéssica e a minha mãe — mesmo assim, com ressalvas. Fico com medo de ser contaminado pela opinião alheia: para o bem/para o mal. Se encontro algum conhecido à livraria e estou a segurar livros que pretendo adquirir, escondo-os dentro da jaqueta ou, como quem não quer nada, coloco-os em cima de uma despretensiosa prateleira, digo: cá estou só de passagem, não quero comprar livros, sê feliz, adeus! Acredito que a literatura pode ser melhor assimilada se tomarmos «posse» daquilo que lemos; se a conquistarmos com o nosso próprio cérebro, domarmos as obras com as nossas próprias mãos. É uma espécie de diálogo secreto, confraria. De aí minha profunda admiração pela discreta cultura japonesa. Sento-me à escrivaninha ao cair da noite, tem o chá (misto branco, verde, capim-limão, laranja-doce, rosa mosqueta, sabor canela e amêndoas [Toronto Nights]), toca o jazz, leio sobre o Japão do século dezesseis, sobre os tipos de samurais (os benevolentes, os vingativos, os budistas, os mercenários, os que utilizavam lâminas afiadas, os que preferiam espadas de madeira, os solitários, os agregadores, etc.). E sempre quando estudo a respeito dos misteriosos comportamentos nipônicos lembro das minhas investidas em física quântica: quanto mais aprendo, menos compreendo, maior o encanto.

— P. R. Cunha

História abreviada do absurdo

Acho que tudo começou numa dessas noites de Natal, ali por volta de 2006/2007, eu estava deitado na rede que fora estendida entre os pilares centrais da varanda, chovia um bocado, & já estava claro que alguns convidados não compareceriam à ceia, que começariam a ligar para as justificativas da praxe: que o temporal isso, que a chuva aquilo, que as ruas estavam alagadas, & eu folheava a biografia do Stálin (A corte do czar vermelho [Simon Sebag Montefiore {Companhia das Letras}]), & meu irmão, visivelmente entediado, veio me perguntar o que eu estava a fazer, daí eu mostrei o livro & disse-lhe que estava lendo a biografia do Stálin & não sei por que diabos acrescentei que também estava a pensar em escrever um livro, literatura, & disse isso sem ter nenhuma ideia concreta à cabeça, nenhum tema, nenhuma motivação, disse isso apenas para passar o tempo, descontrair, disse ao meu irmão: irei escrever um livro de literatura, um excelente livro de literatura; ao que meu irmão respondeu sem titubear: eu tenho a certeza disso, que irás escrever um grande livro de literatura — & foi bem essa confiança cega no meu suposto potencial, confiança sincera, esse fascínio sem ressalvas, essas palavras de incentivo do meu irmão que me fizeram querer escrever literatura de facto, mesmo sabendo que nenhum gesto que façamos justifica as nossas adesões (Cioran), que nada é valorizado por qualquer vestígio de substância, que a «realidade» é da alçada da insensatez, uma mentirinha despretensiosa para puxar conversa com o meu irmão numa noite de tempestades natalícias & toda a minha vida se modifica. É assim que as coisas costumam acontecer, não é mesmo?, não é mesmo?, não é mesmo?

— P. R. Cunha

Resíduos radioativos

Só sentimos falta/valorizamos quando deixamos de ter: boca sem afta; banho de água quente; livros de papel; um amor correspondido.

É importante guardar os pormenores do livro a respeito do qual estamos a escrever. 

Céline dissera que o livro é como uma moça grávida — não podemos expôr o bebezinho aos raios-x demasiadamente, atrapalha a gestação, o desenvolvimento do futuro miúdo. 

Faça o pré-natal com discrição, sem alardes. O segredo cria sensações misteriosas. (Basta observar as pessoas que preferem permanecer em silêncio.)

Tenha uma lista de títulos em mente ou anotada nas margens do caderno, mas não é imprescindível nomear o livro com tanta pressa.

No momento em que intitulamos a obra, ela perde um bocado de energia. Nomear — os estruturalistas sabem disso — é conceituar, expor o livro à luz do dia antes do necessário. 

Na altura em que escrevemos o título definitivo no papel em branco, estamos condenados.

Jogue o tubarão de volta para o oceano, finja que nada aconteceu.

Nunca dizer o nome, nunca dizer do que se trata. Se muito, explicar o mínimo: sou escritor, de forma que, obviamente, estou a escrever qualquer coisa. Isso é tudo.

Um livro ao revés, portanto. A folha de rosto fica para o final: como aquele artista que só assina a obra quando acredita que o quadro se mostra pronto o bastante para o escrutínio público.

— P. R. Cunha

Advertência literária (uma parábola)

Depois de ter passado por muitas desventuras ao emprestar meus livros para outros seres humanos — e nunca mais ter visto as cores dos mesmos —, comecei a adotar drásticas medidas preventivas, à moda mosteiros da Idade Média. 

Na folha de rosto de todos os exemplares (principalmente nos meus Bernhards e nos meus Sebalds [tanto nos originais quanto nas traduções]) anotei isto:

Para aquele que roube, ou empreste e não mais devolva este livro a seu proprietário (a saber: P. R. Cunha), que se mude em serpente venenosa e sua mão o destrua; que se veja vítima de paralisia e se percam seus membros ou coisa ainda pior; que sofra dor à maravilha pedindo toda a sorte de mercês em altas vozes diabólicas e que não haja cessar para a sua desastrosa agonia até que cante dissoluto; que vermes lhe roam as entranhas como lembrança do Grande Verme que não morre, e que quando vá a seu final castigo, que as chamas do Inferno dos Ladrões de Livros o consumam para sempre.

Coincidência ou não, após inseridas essas pragas monásticas o número de «furtos» caíra, digamos, consideravelmente.

E que o amor possessivo pela leitura esteja sempre convosco.

— P. R. Cunha

Entulho das letras

Só percebemos o número de livros que possuímos quando precisamos de retirá-los todos das estantes — por motivos variados (limpeza, mudança de lares, reformas etc.). 

Enquanto deitadinhos nas prateleiras, os livros fazem parte do ambiente, mesclam-se com as linhas da paisagem.

É um pouco como olhar para uma parede e não precisar contar cada tijolo para saber que ali há uma parede.

Então o leitor decide remover poeiras e traças que criaram moradas nas brochuras e o que era ordem se transforma em caos.

Aqui a analogia do muro encaixa-se melhor: os livros esparramados no chão fazem lembrar uma casa bombardeada, demolida, com as paredes em pedaços.

De início, para almas mais vaidosas, aquele amontoado de obras pode gerar certo regojizo. O leitor pensa: puxa!, até que já li um bocadinho. Porém, logo notamos o lado obscuro da empresa livresca. 

Veja também o tanto de lixo que acumulamos, obras supérfluas, escritores verborrágicos, o tanto de tempo que perdemos debruçados sobre páginas e mais páginas e mais páginas que não nos entregaram nada.

A angústia se multiplica ao cogitarmos a terrível possibilidade de nunca conseguirmos terminar de ler os livros que realmente gostaríamos de ler, que a ceifa pode estar à espreita, que numa tarde soalheira de domingo acreditamos possuir a eternidade para apreciarmos todos os nossos escritores favoritos, e na manhã de segunda-feira tudo se desmancha, não temos eternidade nenhuma.

Mas as trovoadas passam. O espírito se acalma. Recolocamos os nossos tijolinhos na parede, respiramos o ar renovado da biblioteca, consultamos as cartas de amor de Scott e Zelda Fitzgerald, acariciamos a folha de rosto da Virginia Woolf (exemplar de colecionador) — fazemos as pazes, estamos prontos para novas desilusões.

— P. R. Cunha

Relacionamento de longo prazo

Por não possuir televisão os livros se tornaram minhas fontes primordiais de informações e entretenimentos. Pois, sim, eu cá misturo lazer e trabalho sem qualquer tipo de pudor. Leio para aprender, leio para me distrair, leio para lembrar, leio para esquecer. Mas talvez isso não seja justo com as brochuras, já que os livros ficam sobrecarregados diante das demandas deste bípede insaciável que vos escreve. Por vezes cansamos da cara um do outro, saturados. Daí fico um bom tempo sem pegar num livro, e como não sei fazer muita coisa nesta vida além de ler, os meus dias se tornam tão vazios quanto um desfiladeiro lunar (estou a pensar na bacia do Polo Sul-Aitken, no lado obscuro da Lua, uma enorme cratera com aproximadamente 13 quilômetros de profundidade). Até que aos pouquinhos os livros e eu acertamos as contas, sentimos as saudades, assinamos os acordos de cessar-fogo, perdoamo-nos, prometemos ter mais prudência desta vez… e o ciclo recomeça.

— P. R. Cunha

Carta eletrônica a mim mesmo

De: P. R. Cunha
Para: P. R. Cunha
Data: 8 de maio de 2020, às 9:54
Assunto: Carta eletrônica a mim mesmo


Querido Eu,

Há tempos que não nos correspondíamos desta maneira. Lembras quando tu dizias que era coisa de maluco, de quem perdera os botões? Pois cá estamos novamente. Mas preciso explicar de uma vez por todas que se recorro a estes métodos esquizofrênicos é por nobre causa. Para o teu bem, para o meu bem… (pausa dramática) para o nosso bem.

Gostava de avaliar o que se passa contigo. Nós dois sabemos que não és a pessoa mais inteligente que existe, porém tampouco és um tolo. Longe disso. Tens aí na tua massa encefálica conteúdo o bastante para tomares as decisões sensatas. 

Então por que diabos não tomas as decisões sensatas?

Por exemplo, já lá se vão quase doze meses de árduas pesquisas para o teu, como tu gostas de chamá-lo?, «projetinho». Escolheste o tema adequado, a personagem principal está pronta, a linha narrativa se mostra impecável, sabes para onde ir, como ir, quando ir.

E o que estou a ver? Estou a ver um gajo à deriva escrevendo digressões sem rumo num sítio web, ou a tocar instrumentos exóticos em músicas exóticas que nunca dão em nada, ou a fumar o cigarrinho de palha à tarde enquanto entorna um qualquer líquido etílico, ou a jogar o xadrez contra o computador a ver até que altura consegue competir com a máquina sem perder as estribeiras (chegaste ao nível 15, uau, muitos parabéns, que feito, hein?).

Vejo tudo isso e vejo as pastas com todas aquelas centenas, milhares de folhas do teu próximo livro, à espera do autor, à espera de serem devidamente colocadas em prática.

Falo a sério, gostava mesmo de avaliar o que se passa contigo.

Dizes para toda a gente: sou escritor, estou a trabalhar numa obra edificante, o livro mais significativo que alguma vez sonhei em escrever. Dizes essas lorotas todas enquanto o tal projetinho sufoca nas tuas gavetas. Achas isso bonito? Sentes orgulho do circo que estás a montar?

Que tal tomares um bocadinho de vergonha na cara?

Tem foco, tem linearidade no teu ofício, não te esqueças de que és um tipo que escreve, esta é a tua atividade primordial, é por ela que tu respiras, faz tudo pela escrita, não te percas em procrastinações sem pé nem cabeça.

Faz-nos este favor: levanta e termina o livro.

Do sempre, sempre teu,

— P. R. Cunha

Por um distanciamento literário

Não há — ou pelo menos não deveria haver — receita de como se apreciar livros.

Alguns preferem a leitura inspecional, outros demoram meses em determinado capítulo, alguns tomam notas, outros só querem se distrair. Os estudiosos, os que estão à procura de lazer, os que leem para se descrever depois. Mistério, romance, suspense, ficção científica, filosofia, variedades, banda desenhada, biografia, história. Na praia, na aeronave, em casa, na biblioteca, no chacoalhar do autocarro, enquanto se espera o metropolitano na estação.

Numa saudável metamorfose esses hábitos se misturam e se multiplicam e se contradizem e se adequam a contextos específicos.

Neste processo adaptativo parece-me essencial o respeito pela inteligência do leitor. A leitura é lá uma atividade dinâmica, ativa. Quem lê participa, destrói, constrói, recria, nega, confirma. 

Ler como forma de entretenimento/aprendizagem que envolve o imaginário (i.e.: fantasia) de quem está diante das palavras.

Uma das grandes satisfações da leitura parece ser aquela sensação de posse que o leitor por vezes sente enquanto domina determinada obra. Certos trechos nos fazem pensar: céus!, gostava tanto de ter escrito isso.

E talvez essa posse seja mais provável se existir discrição durante o ato da leitura. O autor (e, principalmente, o tradutor) como que se retira do palco, o teatro de possibilidades pertence agora aos leitores, que adequarão as cenas a seu, como se diz, bel-prazer.

Em 2005, quando pela primeira vez me deparei com a obra de W. G. Sebald — o meu escritor favorito — ele já estava morto há quatro anos. As páginas com voz fantasmagórica ofereciam-me uma experiência paradoxalmente revigorante. 

Era mais do que um simples diálogo, era uma espécie de psicografia agnóstica.

Algo parecido me ocorre ao ler Carver, Maupassant, Lima Barreto, Orwell, Sérgio Porto, Calvino, Montaigne, Bernhard, Lovecraft, Burton, Sterne, Cervantes… São conversas secretas, fazemos parte de uma confraria metafísica, longe do escrutínio de toda a gente.

Nesta altura poderiam me perguntar se só consigo ler escritores que já morreram.

Minha maior dificuldade com a literatura contemporânea é o culto à exposição. Isto, aliás, valeria para qualquer outro tipo de atividade criativa.

Meu avô costumava dizer que gostava imenso de Pink Floyd porque não fazia a ideia de como era a vida íntima dos integrantes da banda. Havia qualquer coisa de misterioso nisso. Para o meu avô, as letras, os acordes, a atmosfera onírica dos Floyds eram elementos quase mágicos que surgiam após longos invernos introspectivos. Os álbuns eram o produto dessa fuga (vide Atom heart mother).

Diante das exigências mercadológicas, os escritores precisam de vender. Precisam de estar em toda a parte, fazer palestras, realizar aquelas enfadonhas e disparatadas leituras públicas, e, alas!, precisam de se manifestar em redes sociais.

As redes sociais cibernéticas são a ceifa da literatura, isso é certinho.

Observar escritores no Twitter, no Facebook, no Instagram, brigando, babando, xingando, discutindo, ignorando e sendo ignorados é como assistir a um freak show sem pé nem cabeça.

Restam os autores discretos que não atenderam ao imediatismo das participações digitais, os resistentes. Ou os mortos, que não têm Twitter.

Sim, não deveria haver receita de como se apreciar livros. Mas a privacidade, as idealizações fantásticas, a reserva, a ausência de ruídos externos, o distanciamento saudável são ingredientes dos quais muitos ainda sentem falta ao degustar um pedacinho da torta literária.

— P. R. Cunha

O romance

A paciência nos dá livros, diz um antigo provérbio. Eu ainda não sei realmente o que é um livro. É sobretudo uma coisa com páginas, e palavras, coisa que é como é e que depois já são duas, três quatro coisas. Julga-se um livro pelo tamanho?, pela complexidade?, gênero?, relevância? Quando cada um procura descrever o livro, explica-se, exemplifica-se, defende-se, propaga-se — cada um acredita estar a explicar o que é um livro «de verdade». Só que nunca lá se encontra nenhuma verdade absoluta. Um livro que começamos a ler e não o terminamos, pode/deve ser considerado um livro? Certo dia sento-me à escrivaninha e escrevo um capítulo, noutra semana escrevo mais dois capítulos, depois oito, quinze capítulos. O livro se encorpa, digo a mim mesmo. Até que, numa determinada ocasião, dou-me conta de que: sim, concluí o romance, um romance devastador, algo de muito genioso saíra da minha cabeça. Que prodígio. Bem verdade que o honesto manuscrito necessita de alguns retoques, mas, no geral, está pronto para ser embrulhado e despachado alhures. Ontem à noite, por exemplo, comprei canetas novas. Chegar-me-ão pelos correios.

— P. R. Cunha

A fortaleza

Para J. B.

O hominis intellectualis constrói para si fortalezas — formas solitárias de se sentir confortável. Ele se aloja ao centro, dentro do castelo, e por vezes arrisca-se à janela para se certificar de que ainda estão lá fora, do outro lado do muro, a invejá-lo. Porque, como sabemos, o glamour do hominis intellectualis é a felicidade de ser invejado, à distância. Para manter-se vivo, qual vampiro em busca de sangue, precisa de ser observado com bastante interesse. Ele não pode partilhar a própria experiência com aqueles que o invejam, isto seria fatal. Quanto mais impessoal for o hominis intellectualis, maior a ilusão do seu poder. O mistério faz a pessoa ser múltipla — quando não se diz quem é, abre-se a possibilidade de diversas conclusões individuais e cada um é livre para criar quantas mitologias desejar. O hominis intellectualis sabe disso. Sabe que a imaginação alheia é ferramenta mais adequada para torná-lo ainda mais interessante. A realidade é crua, é direta, monótona. A realidade ceifa, simplifica, empobrece. Está agora o hominis intellectualis sentado à mesa do seu gabinete. Atrás de si uma biblioteca. A biblioteca como símbolo, a dizer que o dono/proprietário é um tipo culto, vivido, tipo que compreende as mazelas existenciais. Não que o hominis intellectualis tenha lido aqueles livros todos, imagina, isso seria absurdo. Certa vez, li em um artigo acadêmico que Bram Stoker teria criado Drácula depois de uma severa crise de ansiedade que tivera diante das prateleiras repletas de livros, muitos, e muitos, e muitos livros, impossíveis de serem lidos numa única vida. Só um diabo imortal conseguiria ler tantos livros, etc. Daí o Conde Drácula. A atitude do hominis intellectualis no próprio gabinete, entretanto, difere um bocadinho: ele adota pose dir-se-ia artificial, pouco à vontade, postura física que sugere antes riqueza, virilidade, distanciamento (de novo a distância). Noutras alturas o hominis intellectualis debruça sobre a balaustrada da varanda, a fingir que não está sendo observado. Ele espreguiça-se, veste-se com primor, com aquela alegada felicidade dos nobres, que estão sempre satisfeitos. A imagem é a do «Exclusive Club» — poucos, pouquíssimos podem se debruçar sobre a balaustrada de um castelo, enquanto lá fora, para além dos limites do muro, a multidão grita, inveja-no. Espreguiçar-se com vestimentas sofisticadas denota prestígio, sedução, autoridade, nem no conforto do próprio castelo o hominis intellectualis quer deixar de ser venerado como hominis intellectualis. Compreensível. Na necessidade de se fazer discurso — afinal, o que seria do acúmulo de conhecimentos sem o compartilhamento —, o hominis intellectualis recorre a vagas referências históricas, algum ou outro trecho poético, talvez a uma anedota moral, nada de muito aprofundado: discurso impreciso, sem sentido, vazio. O hominis intellectualis não pode dar todas as respostas, a multidão dispersar-se-ia. Ele é tão ambíguo quanto uma peça publicitária precisa de ser.

— P. R. Cunha