devaneios da própria máquina de escrever (episódio #28)

[máquina de escrever / laboratório de ficção / barulho metálico das hélices do ventilador — {rrrriiiiiimmm} ruído branco / coisas mundanas &tc. {para p. p., uma certa homenagem em língua portuguesa}]

você se sente ameaçado? você gosta de assistir ao nascer do sol? você já passou férias nas caraíbas? o seu pai já lhe perguntou se você prefere o papai ou a mamãe? você oferece trocados para um mendigo por pena ou por culpa? ao pequeno-almoço você toma café puro? você por um acaso tem intolerância à lactose? qual a sua opinião a respeito do novo gerente da techmotors? a função telefone do seu aparelho celular funciona de maneira apropriada? você controla as suas emoções? você dirige o automóvel com destreza? quantas garrafas de cerveja você tomou nas últimas vinte & quatro horas? o sexo para si ainda é prazeroso? você conseguiria dormir numa caverna australiana? os farelos de biscoito lhe irritam? você declarou o imposto de renda este ano? você já disse eu te amo sem amar a pessoa a quem você disse eu te amo? você tem medo da morte? você gostaria que o rio de janeiro voltasse a ser a capital federal? você come animais mortos ou consome produtos orgânicos das companhias que são contra as pessoas que comem animais mortos? o suposto fim dos livros de papel lhe incomoda? flamengo ou botafogo? você também acredita que ter ensino superior é apenas um detalhe supervalorizado? uma dama solitária a andar numa rua solitária corre algum tipo de perigo? você se considera «carbonfree»? numa competição de quem come mais hambúrgueres, quantos hambúrgueres você conseguiria comer? a quantidade de estrelas no céu lhe tira o sono? você cita autores que nunca leu? você, hipoteticamente falando, mataria o seu professor de sociologia? você sabe que velocidade o foguete precisa de alcançar para livrar-se da força gravitacional da terra? você está satisfeito com a sua renda mensal/anual? você saberia diferenciar uma mentira-branca de uma mentira-de-outra-cor-qualquer? você cria um patológico complexo de inferioridade quando perto de pessoas muito altas? os cachorros & os lobos têm a mesma raiz evolutiva? messi ou cristiano ronaldo? pelé ou diego armando maradona? você voaria de asa delta sem instrutor de asa delta? se você desmontasse o seu telemóvel, você conseguiria montá-lo novamente? o rádio é uma mídia antiquada? a atual configuração jurídica lhe parece justa? a morte de membros do povo assurinis do xingu (brasil) lhe incomoda? se lhe incomoda, você saberia dizer o nome de algum membro do povo assurinis do xingu que morreu, sei lá, nos últimos cinco anos? se não lhe incomoda, você saberia dizer por quê? numa luta de boxe com regras devidamente adaptadas, quem venceria: james joyce ou oswald de andrade? você é contra toda a forma de corrupção mas imprime o projeto de ciências do filho utilizando as folhas da empresa onde trabalha? numa escala de um a dez, que nota você daria para a carreira de rubens barrichello? na argentina tudo termina em tango? eu deveria lhe deixar em paz? as minhas perguntas lhe incomodam? se você possuísse uma arma de fogo, você atiraria na minha cabeça ou no meu coração? você é feliz?

— p. r. cunha

devaneios da própria máquina de escrever (episódio #26)

estou com esta frase que não me sai da cabeça: ESCREVER É UM MODO DE ESTAR NO MUNDO. não me lembro quem disse isso. ou melhor: quem escreveu. porque, como se sabe, a minha interação com a chamada (abre aspas) realidade exterior (fecha aspas) é basicamente pautada pelos livros, palavras impressas. daí eu penso com os meus botões: kafka escreveria que ESCREVER É UM MODO DE ESTAR NO MUNDO? absolutamente. mcewan, também. swift, defoe, joyce, proust… é coisa que todos eles escreveriam. mas sinto cá uma culpa indecorosa. [«indecorosa» talvez seja a palavra mais sofisticada que vocês irão ouvir da minha boca. a verdade é que depois de um tempo a gente meio que aprende muitas palavras sofisticadas & o desafio é segurar a língua para não utilizá-las.] mas estava a explicar a respeito da culpa indecorosa, que vem do facto de eu apenas citar os estrangeiros: musil, kierkegaard, mann, handke, auster, essa gente. incomodar-me-ia ser visto pelos meus conterrâneos como um desses mimados-classe-média-que-leram-algumas-coisinhas-algumas-dezenas-de-livros-&-agora-se-metem-a-citar-os-gringos-apenas-os-gringos-nada-mais-que-os-gringos-pois-sentem-que-não-pertencem-ao-contexto-latino-americano &tc. &tc. &tc. acontece que também aqui, regionalmente (brasil & não só), pretendo fazer boa figura. então editamo-nos. acrescentamos nomes locais à laia de aprovação. é terrível. haroldo de campos diria que ESCREVER É UM MODO DE ESTAR NO MUNDO? diria. sérgio porto? sim. lima barreto? sim. borges, alan pauls, neruda, ricardo piglia, sabato, guillermo rosales (nuestros/mis hermanos), todos escreveriam que ESCREVER É UM MODO DE ESTAR NO MUNDO. o meu cachorro está neste exato momento a pular feito um maluco porque uns pássaros atrevidos querem comer a ração dele. por incrível que pareça, o cão se mostra mais sereno hoje. é que ontem ele tentou morder o filho do vizinho. o vizinho veio reclamar & eu disse: o seu filho fica a jogar pedras no meu cachorro & você espera que o meu cachorro faça o quê? acontece que é o terceiro filho de vizinho que o meu cachorro (um boxer caramelo absolutamente inofensivo quando ninguém joga pedras nele) tentou morder. o prefeito da rua recebeu as devidas reclamações & passou aqui para falar comigo. ele saiu do próprio hyundai reluzente, ajeitou os cabelos (automóvel & cabelos com coloração idêntica), o prefeito teve de bater palmas, pois a campainha não está funcionando. conversamos ali mesmo, à entrada. ele acredita que a melhor solução é castrar o animal. eu disse a ele que de forma alguma, essa medida está fora de cogitação, ninguém mexe nas bolas do meu canino, & perguntei ainda como ele se sentiria se tentassem tirar as bolas dele (dele = prefeito da rua), se o colocassem numa maca de ferro gelada & abaixassem as calças dele (prefeito da rua) & mostrassem um bisturi afiado & arrancassem fora as bolas dele (prefeito da rua). o prefeito da rua disse ai!, que isso seria terrível, sente dor no saco escrotal só de imaginar. pois é, então ninguém mexe nas bolas do meu cachorro.

— p. r. cunha

devaneios da própria máquina de escrever (episódio #25)

porcaria, frank!, este rio está mesmo uma espelunca, & que fedor, nossa, não faz sentido pescarmos neste lixo, frank, não há peixes, frank! [frank está sentado à proa do barco, mordisca um caule de trigo, abraça distraidamente a vara de pescar enquanto dedilha o device eletrônico]: tu tinhas que dar uma olhada nisto aqui, diego, é mesmo qualquer coisa alienígena. [diego hesita. levanta os braços para o céu, faz que vai pedir ajuda a alguma divindade invisível. contorce o rosto enrugado. continua observando a superfície oleosa do rio, as pequenas marolas produzidas pelo sacolejar do barco, depois limpa o suor da testa com as mãos, solta uns grunhidos rancorosos]: aos diabos, deixa eu ver logo isto aí. [frank sorri sem tirar os olhos do ecrã & inclina o device para procurar um ângulo mais adequado, obstrui a luz do sol com o próprio boné]: sítio web de armazenamento de dados, tu colocas todas as tuas informações, sei lá, emails, cartas, tudo o que já publicaste nas redes sociais, as conversas, as tuas preferências, os filmes que mais gostas, as músicas que mais escutas, os livros que leras, enfim, colocas a tua vida aqui dentro, upload, & daí o algoritmo faz o resto, o algoritmo vai encontrar outros seres humanos com as mesmas preferências, inclusive as mulheres, diego, sim, as mulheres, as mulheres com as mesmas preferências, percebes o alcance deste troço? [diego coça a têmpora]: não sei não, frank. [como se falasse com um interlocutor invisível, frank dá de ombros]: & depois de morrermos, vê lá, depois de morrermos, o sítio web ainda mantém os nossos dados, impressionante, como uma espécie de sarcófago digital, ou [pensativo]… um mausoléu cibernético, tipo lênin-ciborgue, & as pessoas poderão acessar esse sarcófago, & nos fazer perguntas, quero dizer, fazer perguntas aos nossos dados acumulados, obviamente, & o algoritmo formularia as respostas. [diego se afasta do device. adota uma postura taciturna. oscila a vara de pescar. ao longe, a silhueta de uma lancha se aproxima.]

— p. r. cunha

devaneios da própria máquina de escrever (episódio #22)

a revigorante liberdade de se escrever qualquer coisa à maquina numa manhã parcialmente nublada depois de gladiar-se com pensamentos intranquilos. cortinas abertas. ampla — a janela. café com baileys (o suficiente para ser tachado de alcoólatra pela parcela mais puritana da população) &tc.

querer-se-ia dizer: chegará a altura em que não teremos mais vocabulário (e.g. palavras adequadas que não se percam em metafísicas paradoxais) para designar as nossas eras. […] modernidade, pós-modernidade. certo, & agora? o que vem depois do pós? super-pré-modernismo — com uma escola arquitetônica cujo mentor seria uma mistura andrógina de oscar niemeyer com le corbusier? idade dos robôs, & daí a coisa toda meio que se reiniciaria («reboot», à guisa de descontração linguística). robôs que sonham com discussões filosóficas a respeito do tempo em que vivem & publicam os próprios apontamentos num sítio web com diagramação, como se diz, «clean». não é estranho? muito estranho.

— p. r. cunha

devaneios da própria máquina de escrever (episódio #20)

I. era uma vez uma família.
II. essa família morava numa selva, mas não numa selva qualquer.
III. a selva tinha muitos animais, bípedes.
IV. as árvores eram feitas de pedra, de tijolo, de aço, de vidro.
V. a selva em questão, você já deve ter adivinhado, é uma cidade.
VI. na cidade as pessoas tendem a deixar as outras pessoas em paz.
VII. mesmo que essas pessoas se conheçam.
VIII. deixam as outras pessoas em paz & esperam que elas também sejam deixadas em paz.
IX. então, era uma vez esta família.
X. pai, mãe, dois filhos.
XI. os pais quase se separaram no ano passado.
XII. os pais às vezes não se separam porque pensam nos filhos.
XIII. um dos filhos é inteligente.
XIV. o outro filho, bem, o outro filho não é assim tão inteligente.
XV. os pais sabem direitinho que um filho é inteligente e que o outro filho não é assim tão inteligente.
XVI. desde cedo os filhos são preparados para exercerem atividades de acordo com a própria capacidade intelectual.
XVII. por algum motivo, o filho menos inteligente parece mais feliz do que o filho mais inteligente.
XVIII. por dentro ou por fora, é sempre outro jazz.
XIX. apesar dos comentários, nenhum dos dois filhos está a passar por conflitos psicológicos nem nada.
XX. vivem a vida de filhos enquanto os pais vivem a vida de pais.
XXI. nenhum dos dois — nem o filho inteligente, nem o filho menos inteligente — terá neuroses por conta das brigas dos pais.
XXII. a tentativa de suicídio da mãe depois que o pai ameaçou: vou-me embora, quero o divórcio, não deixará marcas no caráter dos filhos.
XXIII. o pai agora costuma voltar do trabalho com odores alcoólicos.
XXIV. a mãe tentou atrair a atenção de um amigo do pai, como forma de vingança.
XXV. o pai jamais suspeitara.
XXVI. um dos filhos, não se sabe qual, já vira o pai com a amiga da mãe, mas pode ser coisa da cabeça dele.
XXVII. esse tipo de situação, sabemos, ocorre em qualquer família moderna.
XXVIII. certo dia pai-&-mãe precisaram de algo muito pesado.
XXIX. & como era feriado, decidiram escolher um dos filhos para sair & buscar a coisa pesada.
XXX. não queriam estragar as mãos do filho inteligente, de forma que escolheram o filho menos inteligente para ir buscar a coisa pesada.
XXXI. disseram: filho, vai buscar a coisa pesada lá fora na selva.
XXXII. o filho menos inteligente saiu para a selva, foi buscar a coisa pesada.
XXXIII. quando estava no bosque, ou seja, nas ruas, o filho menos inteligente pensou com os próprios botões:
XXXIV. que diabos!, como vou saber onde fica a coisa pesada?
XXXV. os pais não deram nenhum endereço.
XXXVI. o filho menos inteligente decidira então caminhar a esmo.
XXXVII. as pessoas da selva fitavam o filho menos inteligente & diziam coisas que as pessoas da selva costumam dizer:
XXXVIII. idiota, olha por onde anda, imbecil, babaca, escroto.
XXXIX. o filho menos inteligente respondia que tinha uma tarefa importante a cumprir, que precisava de buscar algo muito pesado para os pais.
XL. os pais começaram a olhar para o relógio.
XLI. havia muita fumaça lá fora na selva.
XLII. o filho menos inteligente tossia & tossia & ainda não fazia a ideia de onde estava a coisa pesada.
XLIII. as pessoas na selva se metem em toda a sorte de dificuldades.
XLIV. um velho apareceu e disse: eu sei onde está a coisa pesada que você tanto procura.
XLV. o filho menos inteligente ficou esperando a resposta do velho.
XLVI. o velho parecia um pouco atabalhoado, não batia bem da cabeça.
XLVII. vai por ali, o velho apontou aleatoriamente.
XLVIII. o filho menos inteligente agradecera & foi por ali.
XLIX. quando chegou ali percebeu que não havia nada, nenhuma coisa pesada.
L. por vezes chegamos ali & não há nada, nem coisa leve, nem coisa pesada.
LI. o contato com o vazio é perturbador.
LII. o filho menos inteligente por ser menos inteligente não conseguia perceber nada da situação.
LIII. os pais estavam muito aborrecidos com aquela demora toda.
LIV. o filho menos inteligente parecia perdido.
LV. começava a escurecer.
LVI. as árvores de pedra da selva oferecem um aspecto frio, taciturno.
LVII. o filho menos inteligente pensa seriamente em desistir.
LVIII. até que de facto desiste.
LIX. voltou para casa.
LX. abriu a porta, era de madrugada, ninguém o esperava, todos dormiam.
LXI. no dia seguinte, durante o pequeno-almoço, os pais disseram:
LXII. deveríamos ter enviado o filho inteligente para buscar a nossa coisa pesada, enviamos o filho menos inteligente, estamos arrependidos, mas agora não há nada a fazer.
LXIII. o filho menos inteligente segurou a faca com firmeza, apontou-a na direção do pai.
LXIV. & com palavras muito sofisticadas, parecia até um príncipe, pediu para que o pai lhe passasse a geleia de damasco.

— p. r. cunha

devaneios da própria máquina de escrever (episódio #18)

de longe, parecia apenas um hidrante de rua como outro qualquer: vermelho, rechonchudo, cerca de um metro de altura, bujão, tampa, coluna. tudo dentro dos conformes. mas um estranho senhor com têmporas grisalhas insistia em analisar o hidrante bem de perto. ele havia tirado o chapéu da cabeça, colocara-o ao peito & agora observava o hidrante como se velasse o corpo de uma mulher. muitas pessoas passavam por aquela movimentada esquina do centro da cidade. eram 14h50. alguns começaram a notar que o homem com o chapéu colado ao peito nunca saía de perto do hidrante. às vezes ele esticava a mão, tentava tirar uma lasca de tinta vermelha, ou averiguava se alguma outra coisa estava, como se diz, «fora do lugar». uma moça chamada joana — cirurgiã dentista — cutucara a amiga que não parava de mexer no telemóvel: olha ali aquele cara perto do hidrante. a amiga inclinou o telemóvel: que troço esquisito. as duas se aproximaram: ei, o senhor está bem, precisa de ajuda? outros transeuntes também se aproximaram. dali a pouco a multidão crescia a cada minuto, queriam saber o que estava acontecendo, qual o motivo daquela algazarra toda. de repente, já não dava mais para ver o estranho sujeito, muito menos o hidrante. centenas de pessoas se juntaram em redor, polícias apareceram, jornalistas apareceram, helicópteros, o prefeito ficou de aparecer. ninguém entendia o que estava acontecendo. apenas viam o aglomerado de curiosos &, como ímãs, eram atraídos, queriam se juntar ao grupo, fazer parte de algo maior. as horas se alastraram. nada acontecia — afinal, era apenas um tipo grisalho observando um hidrante de rua vermelho. &, como tinha de ser, as pessoas se aborreceram, dispersaram-se, as viaturas dos polícias voltaram às respectivas garagens, as câmeras de televisão foram guardadas dentro das furgonetas. o prefeito não precisou de aparecer. a noite chegou, os postes da rua estavam acesos. o hidrante continuava onde sempre esteve. o corpo daquele misterioso senhor deitado ao lado, perpendicular, o chapéu ainda colado ao peito. talvez dormisse. não sei.

— p. r. cunha

Sistemas de irrigação

A tímida lua de uma noite de outubro que se esconde atrás das nuvens como se tentasse cobrir as cicatrizes da própria superfície que, assim explica a astronomia, fôra bombardeada por toda a sorte de pedras espaciais.

Do lado de fora da casa dos Mendes, o sistema de irrigação automático entra em funcionamento e aos poucos começa a deixar a relva noturna com um aspecto brilhante e vistoso que Ruy Sereno, vizinho, tanto admira.

Ruy Sereno está a segurar a chávena perto da janela, admirando aquele feito da engenharia de jardinagem. A esposa se ajeita sob o cobertor de lã comprado durante a última visita do casal aos Andes chilenos: o que está fazendo, Ruy? — ela pergunta —, sai dessa janela, parece louco. O vapor do chá embaça os óculos fundo de garrafa do Ruy, que responde: são os Mendes de novo, com aquela magnífica chuva artificial.

O jato de água completa uma volta: 360º de relva molhada. Quando o jato se aproxima da casa dos Mendes, respinga na janela do quarto dos pequenos irmãos Bento e Adriano. Os dois estão sentados no tapete. Bento chora enquanto Adriano tenta consolá-lo. Escutam um barulho. Surge homem com máscara de oxigênio que segura-os pelo braço.

Bento e Adriano tateiam o corredor escuro. O homem com máscara de oxigênio puxa-os com mais força. Bento engole o choro. Quando chegam à porta indicada pelo mascarado, percebem que o sr. e a sra. Mendes também estão ali. Eles se abraçam. O mascarado abre a porta e de lá brilha um clarão estranho. Escutam-se vozes abafadas, gritos talvez, até que a porta se fecha novamente.

A família Mendes permanece unida na escuridão do corredor. Todos esperavam alguma coisa, todos queriam saber, e no entanto, temendo talvez a resposta, ninguém ousava perguntar.

— P. R. Cunha