O perfil

P. R. Cunha é um escritor brasileiro. A comida preferida do P. R. Cunha é paella. O filme predileto dele chama-se The legend of 1900 — com Tim Roth, Bill Nunn, dirigido por Giuseppe Tornatore. P. R. Cunha ainda está vivo. Ele tem dois irmãos mais velhos: Felipe e Marcella. P. R. Cunha é formado em jornalismo. Ele nasceu em 14 de outubro de 1985. P. R. Cunha torce para o Botafogo e costuma lembrar que o Botafogo lhe ensinou imenso sobre as decepções da vida. P. R. Cunha mora em Brasília, Distrito Federal. Ao contrário do que muitos acham, P. R. Cunha nunca foi ao Tibete. Ele não possui televisão e gosta de jogar xadrez sozinho.

— P. R. Cunha

A fortaleza

Para J. B.

O hominis intellectualis constrói para si fortalezas — formas solitárias de se sentir confortável. Ele se aloja ao centro, dentro do castelo, e por vezes arrisca-se à janela para se certificar de que ainda estão lá fora, do outro lado do muro, a invejá-lo. Porque, como sabemos, o glamour do hominis intellectualis é a felicidade de ser invejado, à distância. Para manter-se vivo, qual vampiro em busca de sangue, precisa de ser observado com bastante interesse. Ele não pode partilhar a própria experiência com aqueles que o invejam, isto seria fatal. Quanto mais impessoal for o hominis intellectualis, maior a ilusão do seu poder. O mistério faz a pessoa ser múltipla — quando não se diz quem é, abre-se a possibilidade de diversas conclusões individuais e cada um é livre para criar quantas mitologias desejar. O hominis intellectualis sabe disso. Sabe que a imaginação alheia é ferramenta mais adequada para torná-lo ainda mais interessante. A realidade é crua, é direta, monótona. A realidade ceifa, simplifica, empobrece. Está agora o hominis intellectualis sentado à mesa do seu gabinete. Atrás de si uma biblioteca. A biblioteca como símbolo, a dizer que o dono/proprietário é um tipo culto, vivido, tipo que compreende as mazelas existenciais. Não que o hominis intellectualis tenha lido aqueles livros todos, imagina, isso seria absurdo. Certa vez, li em um artigo acadêmico que Bram Stoker teria criado Drácula depois de uma severa crise de ansiedade que tivera diante das prateleiras repletas de livros, muitos, e muitos, e muitos livros, impossíveis de serem lidos numa única vida. Só um diabo imortal conseguiria ler tantos livros, etc. Daí o Conde Drácula. A atitude do hominis intellectualis no próprio gabinete, entretanto, difere um bocadinho: ele adota pose dir-se-ia artificial, pouco à vontade, postura física que sugere antes riqueza, virilidade, distanciamento (de novo a distância). Noutras alturas o hominis intellectualis debruça sobre a balaustrada da varanda, a fingir que não está sendo observado. Ele espreguiça-se, veste-se com primor, com aquela alegada felicidade dos nobres, que estão sempre satisfeitos. A imagem é a do «Exclusive Club» — poucos, pouquíssimos podem se debruçar sobre a balaustrada de um castelo, enquanto lá fora, para além dos limites do muro, a multidão grita, inveja-no. Espreguiçar-se com vestimentas sofisticadas denota prestígio, sedução, autoridade, nem no conforto do próprio castelo o hominis intellectualis quer deixar de ser venerado como hominis intellectualis. Compreensível. Na necessidade de se fazer discurso — afinal, o que seria do acúmulo de conhecimentos sem o compartilhamento —, o hominis intellectualis recorre a vagas referências históricas, algum ou outro trecho poético, talvez a uma anedota moral, nada de muito aprofundado: discurso impreciso, sem sentido, vazio. O hominis intellectualis não pode dar todas as respostas, a multidão dispersar-se-ia. Ele é tão ambíguo quanto uma peça publicitária precisa de ser.

— P. R. Cunha

O cabelo

De todos aqueles elementos que — como se costuma dizer — mexem com os brios da vaidade do homem, muito provavelmente o cabelo seja o mais imprescindível. As mulheres acabam por desenvolver outras obsessões relacionadas (a cor das unhas, o intelecto, os vestidos, os sapatos, a sabedoria, os cílios, a profundidade da alma etc.), mas, com os homens, via de regra, é o cabelo. Rodrigo inclina-se para pegar a chávena de café e um amigo fere-lhe o ego: vejo que o Rodrigo está a ficar careca aí na parte de trás da cabeça. Rodrigo esfrega o cocuruto com as mãos. Show de rock, insiste o amigo, tens aí já o palco e as duas entradas. Rodrigo agora passa boa parte do tempo livre a levar um pequeno espelho ao topo do próprio crânio a ver se a calvice consumira-lhe a outrora expansiva cabeleira.

— P. R. Cunha

Condição científica

Cientista da Bulgária descobriu que possuía uma estranha condição: assim que ele aprendia alguma coisa, o cérebro dele crescia um bocadinho.

Era mesmo só um bocadinho, algo quase imperceptível. Mas acontece que cientista é ávido por conhecimentos. E, como toda a gente sabe, quanto mais sabemos, mais queremos saber.

Ciclo vicioso.

Numa altura cientista havia já estudado tanto, aprendido tanto, acumulado tanto que o próprio cérebro ficara pesado demais para que ele conseguisse carregá-lo.

Hoje cientista não sai de casa, fica com a cabeça encostada sobre uma mesa de mogno, a refletir.

— P. R. Cunha

devaneios da própria máquina de escrever (episódio #3)

há duas máquinas de escrever; o meu cérebro & a máquina de escrever propriamente dita: olivetti. a primeira funciona com neurônios, a segunda com teclas do abecedário. duas máquinas de escrever.

o texto — mesmo aquele escondido atrás da máscara de subjetividade científica — parece, como diria nietzsche, a confissão pessoal de seu autor. memórias involuntárias, inadvertidas, defesa daquilo que se acredita.

nos anos 1930, doutores receitavam chocolate com cocaína às mamãs com dificuldade para cair no sono. sim: cocaína. rápida pesquisa aos arquivos da ciência daquela época & depara-se com uma infinidade de artigos médicos a corroborar esse método disparatado, estudos que indicavam tamanha eficácia.

(artistas de hollywood [bette davis, paul henreid, audrey hepburn, só para citar alguns] que fumavam em cenas específicas para influenciar a opinião pública [vejam como um cigarrinho pode ser charmoso].) 

então o que é verdade/certo agora pode não sê-lo daqui a dez, vinte anos. existe uma cartilha de factos. hoje, acreditamos nisto & naquilo, fazemos pesquisas para isto & àquilo outro. fumamos, cheiramos, bebemos, injetamos remédios que brevemente tornar-se-ão mortíferos.

eis outro exagero a título de reforço: geocentrismo, o planeta terra fixo ao centro do cosmos (& os hereges que arderam na fogueira por discordarem dessa visão). 

«ora, quem é você para julgar o meu abuso de cocaína antes da minha sonequinha?!»

a tecnologia avança, os telescópios ganham lentes maiores & mais nítidas, podemos estudar os confins da cosmologia (cosmic microwave background, big bang [&tc. &tc.]), construímos teorias através dessas observações, descartamos velhas ideias que faziam parte do «cânone irreversível (sic!) do conhecimento universal», newtons aparecem & são parcialmente descartados, einstein surge & mantém-se ao centro do palco desde o início do século vinte — até a(s) próxima(s) verdade(s) absoluta(s) surgir(em).

os períodos de transição, já se sabe, costumam ser os mais conturbados, para não dizer: estranhos, perturbadores. basta olharmos pela janela. esta inovadora sociedade contemporânea constituída de indivíduos que almejam colônias em marte, que operam aceleradores de partículas subatômicas, constroem veículos autônomos, & também de humanos que acreditam que a terra é plana, que o destino de toda a gente é controlado por ventríloquos com poderes sobrenaturais (ventríloquos malévolos, vingativos, que jogam aqueles que não obedecem as regras [?] nas caldeiras [sempre o fogo como método de punição] de um inferno infinito).

— p. r. cunha

Quinta das irmãs gêmeas

As chuvas voltaram, aos poucos as sementeiras de frutos diversos mostram-se novamente em condições apresentáveis, enquanto o marrom da relva desidratada despede-se, já se vê o verde despretensioso da horta, as batatas estão em belo estado, os pomares têm boa desenvoltura, está em meio o apanho do tomate, cuja abundância trouxe aos fazendeiros da região um ânimo inédito. As velhas irmãs gêmeas Soraia e Cândida, porém, passam às bermas desses felizes acontecimentos.

Trancadas na quinta que receberam de herança de um tio distante — tipo sério e ranzinza que só botara os olhos nas gêmeas em duas ocasiões: 1) quando elas vieram ao mundo; 2) poucas horas antes da própria morte levá-lo alhures. Que a quinta ficasse sob a supervisão das sobrinhas sempre foi algo suspeitoso, principalmente porque nenhuma delas jamais possuíra qualquer intimidade com os pormenores da terra. No entanto, quis o destino que as irmãs se mudassem à antiga morada do falecido parente, onde ambas decidiram em comum desacordo passar o resto dos seus dias. 

Elas estão na sala principal da sede da quinta. Soraia abre as janelas que não eram abertas desde a primavera passada, o vento invade o interior do aposento como se, sufocado, desse enfim um longo suspiro de alívio. Cândida oscila na poltrona: rique-reque-rique-reque, é o barulho que faz a poltrona. Soraia passa o paninho molhado sobre os móveis. Cândida boceja e resmunga sem vontade de ser ouvida: velha!, passas a vida toda a limpar os móveis, que obstinação estranha. Soraia escuta, escuta cada palavra, continua a limpar os móveis reluzentes e sem se virar para a poltrona comenta: sabes, Cândida, estive cá a pensar numas coisas… talvez eu compre um trator, um trator enorme, com aquelas rodas gigantescas, desproporcionais, pois é, nem preciso de trator, nunca precisei de trator, mas talvez eu compre mesmo um, quero trator, está decidido. Ao virar-se para avaliar a reação da irmã sentada, Soraia percebe que o rique-reque da poltrona cessara. Cândida, por algum motivo, não balançava mais.

— P. R. Cunha

Cem jardas para o livro

Por questões justificáveis, a escrita costuma ser associada ao academicismo — ou pelo menos à erudição. Talvez porque o «colocar ideias num determinado contexto» seja, amiúde, a continuidade de uma jornada cuja travessia mostrara-se repleta de leituras. E o erudito (eis a lógica duvidosa) lê mesmo um bocado.

Distorções parecidas parecem também assombrar esta outra atividade considerada por muita gente como um jogo intelectual: o xadrez. Ainda no panorama acadêmico, poucas reações costumam ser mais cômicas do que a do professor que precisa de confessar que não sabe jogá-lo. Consideram o xadrez um desafio ao cérebro; de forma que manusear as peças sobre o tabuleiro seria uma constatação da própria inteligência, amostra de sagacidade.

Curiosa insegurança.

Quando perguntaram para o Grande Mestre Bobby Fischer — provavelmente o maior de todos os tempos — o que achava dessa glorificação intelectual do xadrez, ele respondera com a frieza da praxe: é apenas uma superfície lisa com casinhas quadriculadas, só isso. Boris Spassky, ao que parece, pensa da mesma forma.

Não surpreende, portanto, que muitos ainda se sintam deveras incomodados quando essas práticas santificadas são deslocadas do pedestal para alturas mais, digamos, mundanas.

Há uma mesa cheia de docentes universitários. Estou sentado para a ponta direita, visivelmente desconfortável (spoiler alert: não sou docente universitário). Um dos professores me pede para discorrer a respeito do meu processo de escrita. Eu me arrumo na cadeira, bebo um gole de café e explico:

«Futebol americano, NFL. O escritor em muitas ocasiões faz as vezes do quarterback, precisa de saber lançar a bola direitinho, sim, mas sem ser afobado. Se percebes a aproximação da defesa, guarda a bola, tem calma, espera. Quinze jardas para a frente, quatro jardas para trás, mais doze adiante. Se há buracos na linha adversária, ótimo!, não hesites em acionar o running back. Deixa-o correr. Corre, running back, tu dizes. A secundária agora se mostra povoada? Então joga a bola para o alto, vê se o tight end está em forma. O fim do livro depende disto, da quantidade de touchdowns que a tua equipe consegue emplacar. E estejas preparadinho para deixares o campo completamente arruinado, com toda a sorte de escoriações. Pode ser um jogo brutal…»

Pela fisionomia assustada do professor, deduzi que aquilo não era bem o que ele estava esperando. E quando, irrequieto, voltou-se rapidamente aos outros colegas para discutir «pormenores universitários», daí tive a certeza de que não era mesmo o que ele estava esperando.

— P. R. Cunha


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 Quarterback é atacado pela defesa adversária: tal escritor a escrever livros. (Imagem: NFL Archives)

Passeios habituais por entre as montanhas

Os dois já estavam a caminhar há mais de três horas. Um dia bastante soalheiro castigava-os sem piedade. Carregavam pesadas mochilas às costas e utilizavam bastões para se equilibrarem entre as incontáveis pedras multicolores que encontravam pela trilha. Kozinski levara o cantil até à boca. Enquanto enxugava os lábios com a manga da camisa disse ao amigo: tu sabes melhor do que ninguém que sou dado a fazer estas longas caminhadas, David, que é da minha natureza sumir… mas quando vou muito algures as pessoas me chamam de louco. Sem diminuir o passo, Kozinski guardou o cantil dentro da mochila e continuou: vê lá, o que é natural e agradável para alguns sendo para outros algo de imoderado, de loucura mesmo. Prosseguiram em silêncio sob um céu sem nuvens. David então parou subitamente, como se se sentisse ameaçado. Notou que havia alguma coisa estranha no horizonte, perto das montanhas. Pegou o binóculo para perceber melhor e estupefato, suando em bica, passou-o para Kozinski: olha isto! Kozinski ajeitou o binóculo perto do nariz e não conseguia acreditar no que estava a ver, aquilo era simplesmente impossível.

— P. R. Cunha

Sátiras existenciais

Jorge G. Castañeda disse certa vez que o mundo é um estereótipo. Ou melhor, que a sociedade moderna amiúde é pautada por coleções de esteriótipos: os latinos preguiçosos (la siesta, samba, caipirinha), os britânicos pontuais (Big Ben, metropolitanos/comboios/autocarros que saem no horário previsto), os alemães perfeccionistas (rigor, controle de qualidade, indústria automotiva), os franceses metódicos (etiqueta, dandismo, perfumes). A lista é interminável.

E que tal este clássico e esclarecedor experimento psicológico? Dois indivíduos, um é médico, o outro é civil. Vestem o médico com roupa civil (t-shirt azul, jeans, sapatos confortáveis) e o civil com roupa de médico (jaleco branco, instrumento para auscultação do peito etc.). Dentro de uma sala colocam pessoas aleatórias que não fazem ideia do que está a acontecer. O médico vestido de civil entra e dá uma série de orientações científicas completamente corretas e verificáveis. Depois, ao mesmo grupo, o civil vestido de médico conta umas tantas baboseiras que nem sequer soam plausíveis. O inquietante resultado: as pessoas tendem a acreditar mais no civil fantasiado de médico do que no próprio médico.

Julgamento pré-conceitual, ou à falta de melhores termos: um jaleco alinhado vale mais do que mil receitas.

Ontem um colega com quem cursei a faculdade de jornalismo confessara-me em tom de bazófia que se surpreendeu sobremaneira quando descobriu que eu estava a praticar crossfit: «Não sabia que os intelectuais metiam-se nesses lances…» A frase deu-me cabo da cabeça. Por mais coisas estranhas que eu seja, intelectual definitivamente não é uma delas, tentei explicá-lo antes de perguntar, à guisa de pesquisa metodológica, em que lances, afinal, metem-se os intelectuais. Ao que o colega me responde: «Ora, clube do livro, seminários sobre literatura chinesa, associação dos apreciadores de James Joyce, coisas assim».

Estamos todos a perceber a ideia. Não pretendo me alongar mais do que o necessário. Gostava apenas de terminar com outra constatação padronizada. Os tipos que criticam quem pratica exercício físico são, regra geral, os mais «adiposos» (para dizê-lo com carinho), não têm qualquer instrução formal no assunto, e mesmo assim sentem-se muito à vontade para dar pitacos como: tanto quanto eu sei dizer, não estás fazendo os movimentos corretamente. E falam-no enquanto entornam uma latinha de cerveja duvidosa, coçam a barriguinha pelancuda, lambendo os restos de comida entre os dedos.

— P. R. Cunha

Ciência de foguete (propulsores)

Quais são/seriam os verdadeiros pensamentos?, ou melhor, há os pensamentos verdadeiros, no sentido de originalidade, ineditismo?; ———— quando se lê/escuta/vê alguma informação e a informação faz sentido (por conta do contexto do receptor [infância, predisposições intelectuais {subjetivas}, experiências diversas {viagens, traumas, amores, amizades etc.}]); depois o sujeito adequa, molda (ou não molda) a própria opinião de acordo com as novas interações. Imagem: pegar emprestado o pensamento de alguém para transformá-lo um bocadinho no próprio pensamento. Colcha de retalhos com fios neurológicos. Admiro muito a literatura de Fulano, leio Fulano, absorvo Fulano — de certa forma, «me transformo» em Fulano. Numa palavra: contradizer-se com contradições alheias para dizer-se.

Sonhar com trechos interessantes; inclusive, dizer durante o sonho: trechos muito interessantes. Acordar, e esquecer. Pois demorou-se muito para tomar as notas.

Lançamento de foguete, queima de combustíveis (RP-1, oxigênio líquido, querosene, 365 toneladas de carbono [entre outros]), o incêndio controlado a expandir gases e a levantar a estrutura do foguete para cima, as nuvens de fumaça, 95% da massa do foguete é combustível, emissões de dióxido de carbono (1352 toneladas de CO2 [aproximadamente]), gases que afetam a camada de ozônio (exposição, raios UV). Ir ao espaço é também deixar um rastro de sujeira para trás; vide os amontoados de satélites desativados que orbitam a Terra e ameaçam criar um anel de lixo impossível de ser descartado.

Agosto de 2003. A tentativa brasileira de lançar foguete (VLS-1 V03), dois pequenos satélites meteorológicos que faziam parte da Operação São Luís. Ou a tragédia de Alcântara, porque o VLS-1 explodiu três dias antes do lançamento, às 13h26, matando 21 técnicos civis que passaram anos a adquirir conhecimentos aeroespaciais, uma perda intelectual cujas consequências são sentidas até hoje, mais de uma década depois do desastre.

Quando um cientista aerospacial morre, perdemos também os universos que eram criados dentro do cérebro dele.

Da mesma forma, quando morre uma escritora como a Agustina Bessa-Luís, morre também a biblioteca dentro dela. O mundo terreno, que até segunda ordem é o nosso único mundo, perde experiências, perde possibilidades. Mas o relógio precisa de continuar: entropia.

— P. R. Cunha