A febre

A febre nos transforma em meros espectadores. Marionetes arrastadas para lá e para cá pelas cordas do sistema imunológico. A cabeça pesa uns trezentos quilos, as palpitações vacilam, o corpo não corresponde. São dores que vêm como de um inferno longínquo. E se antes andávamos com imensa desenvoltura sobre a superfície rochosa deste planeta atmosférico, agora somos nós o espaço geográfico — o palco de uma guerra sanguinária entre os exércitos do gelo e do fogo.

— P. R. Cunha