Predestinação/tensão aventurosa &tc.

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breve verão —
nesta casa invernal.

O Schopenhauer costumava dizer que a falta de sentido existe numa escala cósmica. Bastaria analisar as grandezas deste universo que pode até não ser infinito, mas anda ali bem perto. Quando nascemos, somos tirados do conforto térmico da barriga da mamã e obviamente choramos. De aí para diante, lidamos com sofrimentos — taxas que pagamos pela jornada da vida. Tiram de nós os brinquedos, a previsibilidade da infância, a ingenuidade juvenil, nossos parentes começam a morrer, nosso corpo deteriora, você era um velocista competente nos tempos de escola, até ganhara medalhas, vencera competições, você corria à beça e agora precisa da ajuda da Marluce para trocar as fraldas geriátricas. Vive-se, portanto, com a cabeça ao futuro, cabeça aluada, contorcendo-se feito uma lagartixa sem rabo. Procuram-se propósitos, porém, ao fim e ao cabo, tudo parece um grande amontoado de distrações e dores mitigadas.

— P. R. Cunha