A cama

Monteiro acorda muito cedo e sente o peso das pálpebras sobre os olhos castanhos. Ele pensa se não seria melhor simplesmente ficar deitado, na cama, letárgico, em coma. Mas de alguma forma difícil de explicar o subconsciente do Monteiro consegue, como diria um antigo, tomar as rédeas da situação. Afinal, é preciso ter dinheiros para sobreviver etc. Dali a pouco Monteiro meio que desperta com as sacudidas da minivan, bate a cabeça levemente no vidro engordurado da minivan, a caminho de mais um dia de tristezas na firma.

— P. R. Cunha