Carta aos leitores

(PENSAMENTO INTRODUTÓRIO: se tu tomas o café enquanto escreves é bom saberes que eventualmente o café cairá na superfície da tua mesa, causando grande transtorno.)

Damas e cavalheiros,

Há momentos na vida do animal humano em que tudo parece acontecer/surgir no mesmo período, mesma época, mesmo mês, mesmo dia. Mas não falo isto com aquele já tradicional azedume do funcionário contemporâneo (vide estereótipo) que reclama do excesso de afazeres da firma, da casa, da sociedade, de tudo, sente-se claustrofóbico, inútil, desesperançoso. Consigo compreender com cada vez mais clareza que o facto de eu ter passado por, como se diz, poucas-e-boas na última década ajudou-me a consolidar a casquinha que me isola das feridas da procrastinação. Os Cure têm uma música que resume bem a coisa toda; chama-se Sleep when I’m dead. Organizo o próprio cronograma com parcimônia e procuro cumprir a próxima tarefa depois de ter terminado a atividade anterior.

Um passo de cada vez, diria um antigo.

Hoje tentarei responder aos leitores que me enviaram mensagens nas páginas deste blogue e também àqueles que preferiram a comodidade dos emails. Infelizmente, é com certo pesar que vos digo que o número de cartas de papel que recebi neste ínterim foi zero.

Eis:

Coitada da Flávia, é culpa da Flávia… mas pensemos também naquele que precisa de responder que «não há Flávias por aqui». Sobre virar o pobre do besouro amarelo e o orientar para a janela: não posso fazê-lo, pois são personagens (e besouros) de celulose. A coisa toda ganharia ares de origami. Em vida real, porém, teria virado o besouro amarelo, com certeza. Outra: falam connosco como se tivéssemos culpa. As pessoas retratadas nos textos de ficção: tudo de mentirinha, não (necessariamente) condizem com a realidade do autor. Sim, nada é para sempre. Era uma fábula em 64 trechos, na verdade. Estou a caminhar algures, inclusive pelas vias do suspense. O menino também aprecia a geleia de morango, plausível. Obrigado por gostares (sabes que estou a falar contigo). Pode parecer travessura de minha parte, mas acho que o Superman das bancas de jornais tem um bocado a ver com o Übermensch de Also sprach Zarathustra — ambos possivelmente impossíveis. Não há mais botões de curtir nas páginas do blogue. Mas parece que não consigo retirar essa funções da plataforma WordPress (página interna dos utilizadores, por exemplo). Então, tecnicamente, a estrelinha das curtidas ainda existe. Também acharia muito giro transformar os devaneios em banda desenhada. Quem sabe? Ainda sobre os likes: a vossa leitura me interessa imenso, são as estrelinhas que me parecem um bocadinho supérfluas, não acham? Respeito/cultivo/encorajo a diversidade de modos na chamada blogosfera (o que quer que isto signifique), apenas calhou de a minha natureza criar certa aversão às trocas: lê o meu textinho que daí leio o teu textinho. É capaz de funcionar para outras pessoas, a mim, pelo menos, não funciona. Também prefiro o «show, don’t tell», é bem o segredo da empreitada, aliás. Há muitas distrações, aqui, ali, acolá, distrações para todos os lados. Não saberia lhe dizer o que significa «receber notificação no email de resposta ao comentário». Eu sempre desativo todas essas mensagens automatizadas. Nadamos em mares profundos, pois não. Alguns se afogam. A tua descrição de pós-modernidade pareceu-me um bocado moderna — principalmente a parte do «ninguém se importa, nada importa». Apesar de achar que era assim também em tempos remotos, o que muda é a quantidade de meios para compartilhar certas nulidades (reverberação, eco, amplificadores sociais etc. etc.). A máquina de escrever nunca está estressada; o piloto da máquina de escrever, bom, talvez, às vezes. Pedantismo à parte, gosto de compartilhar perguntas importantes para épocas importantes. A simples dicotomia sim/não: é tudo o que se precisa dizer em determinadas alturas.

— P. R. Cunha

Paraquedas sente-se em casa quando em Portugal

Dulce Delgado, editora do blogue Discretamente, compartilha impressões a respeito de Paraquedas – um ensaio filosófico.

* * *

Quando pego num livro com o objectivo de o ler, antes de absorver o seu conteúdo, gosto de o manusear, ver a capa, o tipo de letra, se preciso de fazer esforço demais para o manter aberto, etc., etc., ou seja, gosto de saber se o meu corpo e sentidos apreciam aquele «objecto» que tenho entre mãos. Pode parecer absurdo, mas já me recusei a ler livros porque o meu «corpo» disse de imediato não…

A chegada do Paraquedas pelo correio levou também a esse primeiro ritual. Perante o seu manuseio os sentidos disseram que sim. O olhar gostou da capa e da sua textura assim como do tamanho da letra, e as mãos sentiram que ele era fácil de abrir e de estar connosco sem exigir esforço.

Chegaram as férias e ele foi na bagagem, a par de outro que estava ainda a terminar. Os momentos de sossego não foram muitos, verdade seja dita, pelo que só em casa, nesta última semana de umas férias que hoje terminam… o Paraquedas foi lido.

Onde quer que a tia Laura esteja (ou estará), ela sabe (ou saberá) que o amor de alguém que a adorou ficou ternamente guardado neste «mausoléu rectangular», narrado como uma viagem onde o tempo não existe, pois o passado se mistura com o presente, e todos serão futuro no coração do livro.

Mas ao lado desse amor também está a dor, uma dor dura que só o nosso escritor saberá quantificar, porque entre a realidade e a ficção existe sempre uma incógnita. O meu «fiel de balança» inclina-se mais para um dos lados, sendo certo que em cada leitor ele terá uma posição diferente. Mas isso não é realmente importante.

Achei fabulosa a leitura sobre o jogo de xadrez e o xadrez que é esta vida. Os dois lados de um só lado. As lutas interiores e a forma de as domar, contornar, equilibrar. E a relação entre o xadrez, a escrita e o modo de estar. Sejam realidade ou ficção.

Se um livro é como um filho, este vai seguramente crescer e caminhar. Porque o nosso escritor sabe escrever muito bem; porque tem profundos conhecimentos que partilha de uma forma simples e que nos agarra; e principalmente porque uma parte dele nos olha em cada página, seja nas dúvidas, nos medos ou nas verdades que são também de todos nós.

A partir de agora, qualquer leitura que faça de algo da sua autoria, seja no blogue ou em futuras edições, será com um novo olhar e com a certeza consolidada que este ainda jovem ser humano, a par dos seus conhecimentos, sensibilidade, eternas inquietações e tantas outras coisas que o constroem, tem muito potencial e um futuro certo na literatura.

Assim ele acredite em si e nas suas capacidades neste jogo de xadrez que é a Vida.

— Dulce Delgado


Paraquedas – um ensaio filosófico de P. R. Cunha está disponível na Lojinha deste sítio web. Se moras na Europa podes encomendar o livro à UA Editora.

Este electro-sítio está a comemorar aniversário (convosco)

Há um ano eu era uma múmia velha a vagar nenhures com o coração dilacerado tipo Hölderlin a buscar qualquer propósito numa vida absurda; Friedrich Hölderlin cuja imaginação amiúde o inclinava para o lado da fantasia, com relatos frequentes vezes romanceados porque já não dava conta de tanta dor, de tanto sofrimento — e agora que estou a me comparar com o Hölderlin sinto-me um bocadinho pedante, atrevido, abusado e justifico-me dizendo que também sou muitíssimo temperamental, influenciável a entusiasmos seguidos de arrependimento.

Há um ano eu era um zumbi errante que «mantinha-se em pé com grande dificuldade, à espera que a veemência da própria tristeza, a suprimir os espíritos vitais, o derrubasse morto ao solo», um zumbi que sabia que não escaparia incólume, mas buscava a fuga que o danificasse menos.

Há um ano eu escrevia no meu diário que a minha existência já não fazia sentido, não importava o tanto que me esforçasse para encontrá-lo (para criá-lo/inventá-lo), que ler — a atividade que sempre me dera os maiores prazeres — era-me um fardo insuportável, que caminhar lá fora deixava-me ainda mais melancólico, porque a vida dos outros também me parecia vazia, oca: despropositada.

Há um ano eu me sentava exatamente à mesa à qual estou sentado agora para começar um sítio web a ver se a empreitada conseguiria me distrair dos pensamentos catastróficos, dos pensamentos que me lembravam constantemente de que as pessoas morrem, de que aqueles que amamos muitíssimo (e de quem dependemos muitíssimo) estão morrendo, de que eu também morrerei, de que a confiança no mundo pode ser desmoronada em qualquer momento, de que muitas pessoas se tornam amargas pelo destino.

Há um ano eu começava este sítio web e agora, com aquela branda facilidade que o olhar retrospectivo nos oferece, percebo com total clareza que essa decisão foi o início das minhas recuperações, que escrever constantemente, mesmo sem nenhuma vontade de escrever constantemente, foi o que me salvara de um destino terrível — fatal.

Durante um ano de compartilhamentos, de teatros, de contos, de ensaios, de poesia, de desabafos, de jocosidades, de erros, de acertos, de relatos de viagem, de Aveiro, de Lisboa, de Brasília, de Portugal, de Brasil, de vídeos, de músicas, de fotos, de factos, de ficções, de literaturas, tive a oportunidade de conversar — mesmo que à distância — com seres humanos incríveis, cujos comentários enriqueceram não apenas este blogue, mas o meu modo de ver (e de aceitar) as conjunturas da vida.

Como forma de agradecimento, leitoras e leitores, gostava de compartilhar convosco mensagens que escreveram-me no decorrer desses últimos 365 dias.

E que a jornada permaneça.

— P. R. Cunha


O Miau do Leão, em Assim era o Herbert

Não dá para deixar de ler seus posts, onde até os comentários são interessantes. Concordo. San Marino é um cenário perfeito para o estilo. Escrevo de uma praia no salto da bota italiana, na costa adriática. Há muito que se falar dos italianos. Bem, pelo menos parecem dar muito valor ao seu idioma. 90% das músicas tocadas são em italiano. Comunicar com eles só em italiano e mímica. Eu já tinha observado isso noutras andanças por aqui, mas a região do Solento ultrapassa tudo.

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Thaysminy Marques Coelho, em «And one more for the road», a solitude etílica

Eu sempre venho com calma te ler. Por que morro de medo de acabar. Hoje, estou contente com esses dois. 20h02 e me sinto compreendida.

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Filipa Santos Sousa, em Poucos esforços para não dar a perceber a vaga de sentimentos de saudade (série haiku com título relativamente longo)

Incrível, adorei! Muitos parabéns, é um prazer enorme ler os teus textos, com os quais me identifico tanto.

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Luis Morgado, em Só mais um bocadinho a respeito dos escritores que não escrevem

Muito bom. Lembrei-me da personagem Joseph Grand, na Peste de Camus, que andava há anos a escrever um romance. Um romance que faria com que o editor, ao lê-lo, se levantasse e tirasse o chapéu (ou qualquer coisa deste género). Mas Grand, por ser tão perfeccionista, ou incompetente, durante todos esses anos tinha estado obsessivamente ocupado a aperfeiçoar o primeiro parágrafo (o único que estava rascunhado).

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Moça com Brinco de Pérola, em «And one more for the road», a solitude etílica

Eu já apaguei da minha vida qualquer exigência em relação à escrita. Já sei que não adianta sentar na minha mesa cercada de tintas, uma janela diante da mesa que dá pras plantas e pra luz, não adianta passar café, não adianta glamorizar. Vai acontecer no meio duma música enquanto eu lavo louça, vai acontecer no meio de um outro texto, vai acontecer enquanto vou pagar contas. Só preciso estar munida de um Moleskine ou o bloco de notas do celular. Mas estar Frank Sinatra, num bar e The Cramberries de fundo é muito chique e simples também… É chique e é simples.

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Maria Vitoria, em Senhoras & senhores, descolagem autorizada

Porra, eu acho o modo como você escreve fodido pra caralho. Por mais que seja culto e me leve a séculos passados, ainda posso visualizar linha por linha de um modo contemporâneo. Parabéns, P. R.

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Cristileine Leão, em Fragmentos de um romance inacabável (parte I)

Um coração de literatura… Esse romance nunca terá fim.

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Lucas Luiz, em E-deias

O novo sempre traz desconforto para alguns. Mas é isso, o inevitável, em breve estaremos tão somente por meio algoritmo; tecendo nossas ideias, histórias, memórias e construindo nossa identidade apenas de modo virtual e sem qualquer receio nostálgico. É a ordem natural. Quem sabe, mais pra frente, armazenado por um download diretamente na cabeça do leitor? As possibilidades são infinitas. Pertinente reflexão e ótimo texto.

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Fidel Pereira, em Como eu escrevo

Meu caríssimo amigo P. R. Cunha, foi maravilhoso perceber que padecemos das mesmas angústias que assolam a alma de quem tem necessidade de escrever algo, não o trivial, mas sobre algo maior e profundo. Parabéns pelos seus textos.

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Emanuel Melo, em Fragmentos de um romance inacabável (parte IV) – exilado de si mesmo

Querido Paulo, como é possível que estejas a descrever os meus tormentos diários desta maneira sibilante? Desligo da televisão, do telemóvel, do computador portátil, da net, e quando me apetece a voltar, lá estás tu na minha caixa de mensagems a lembrar-me que devo desligar de tudo isso e voltar a sentar-me debaixo de uma árvore, com uma folha de papel e caneta/lápis na mão e sonhar.

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Irina Marques, em Excerto provisório

Ainda não passei por essa dor, já vi quem tenha. Da forma como a expões, está uma descrição profunda do que provavelmente alguém que passe por essa experiência deve sentir. Julgo que sentiria o mesmo. Está muito bom o excerto.

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As Minhas Moniquices, em Questão de tempo / ou camadas do tempo segundo relatos de antigos relógios

Confesso que, por norma, costumo compreender o que leio, sem grandes dificuldades. Mas o que mais acho interessante na escrita de P.R.Cunha é que me obriga a fazer ginástica mental, tal é o raciocínio a que obriga, para compreender tamanha profundidade de reflexão. Parece que estou a ler algo de alguém que já viveu cem vidas e tem tantas histórias para contar. Mas gosto! É um exercício bom e eu gosto de desafios. Gostei desta visão profunda do tempo que nos obriga a ter tempo para o pensar e ver passar. Abraços!

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Rejane Leopoldino, em Autoestrada

Amo como eu consigo visualizar e sentir a cena nas suas escritas!

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Lunna Guedes, em Como ler livros incandescentes

Eu nunca fui muito amiga os raios solares, eles me incomodam, mesmo quando no outono que me faz pensar em calda de caramelo. Mesmo assim, eu prefiro fechar os olhos e sentir na pele, por dentro. E quanto aos livros, sim, contraditoriamente são o meu sol nos olhos, dos russos (ah, meu santo Karamazov) aos franceses (Baudelaire que me ajude) enfim, eu sou uma espécie de Parker a me aproximar (quase em queda no abismo) e a me afastar das páginas. Gostei daqui!

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Raul Coutinho de Almeida, em 90 centavos e o valor da dignidade humana 

Sua escrita me parece com fluxo de consciência, se eu estiver errado. P. R. Saramago Filho.

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Língua Portuguesa Dinâmica, em Assim era o Herbert

Que texto excelente. É parte de um livro? Se for… Parabéns. Uma vez fui me inteirar sobre o significado da palavra Alexitimia porque uma pessoa me disse que não conseguia explicar o que sentia. Na pesquisa que fiz a condição de alexítimo é bastante atual e muitas pessoas não sabem que passam por relevante processo interior. Quando você se refere a Hebert estudar cérebros me recordei do Dr. Simão Bacamarte do livro o Alienista, um texto que analisei há pouco tempo (e há ainda o que me aprofundar nele). Sabe, mostrar o mundo psicológico das personagens favorece o entendimento de alguns aspectos da realidade (função social da literatura que me encanta). O luto é mesmo um processo de transformação nos mais diversos aspectos da realidade, somente quem perde alguém querido sabe como é. Abraço.

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Sementes ao Leo, em O livro exige muita dedicação e por vezes as coisas não saem como havíamos imaginado

Gosto da tua escrita: irreverente e perspicaz! Muito legal!

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Peixinho de Prata, em Caderno de viagem: os fantasmas fugiram de Sintra

Eu, que moro em Lisboa, a 26.4 km de Sintra, já quase não consigo lá ir. A pressão turística é demasiada e não há época baixa. No entanto, pelo menos uma vez por ano, fazemos uma peregrinação para comer um travesseiro da Piriquita enquanto falamos mal do excesso de turismo. Adaptação aos novos tempos, suponho. Os seus textos sobre a viagem a Portugal são muito bons!

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Paula Neves, em Questão de tempo / ou camadas do tempo segundo relatos de antigos relógios

Você sente o tempo, amigo. Adorei.

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Brunno Vittorazze, em Quarta nota #5

E se formos apenas códigos num algoritmo? Trancafiados nessa matriz, observados como experiência por super-cientistas sociais. Os supostos planetas com possibilidades de conceder vida seriam apenas um alento à nossa espécie, uma brincadeira desses cientistas, uma alternativa futura caso destruamos esse aqui. Ou e se formos a espécie mais tecnologicamente desenvolvida desse universo e o ônus do primeiro contato com as civilizações extraplanetária fosse cargo nosso? E se?

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Dulce Delgado, em Tudo isto é como uma zombaria sobre o sentido e o fim da própria existência

O bebé de papá & mamã… que nasceu exactamente entre os meus dois filhos (1983 e 1987), já sabe muito bem o caminho que vai seguir! Porque quem escreve histórias como as que vamos lendo neste blog, em que a ficção, a realidade, a história e um humor cheio de personalidade se misturam com tanto tacto, não pode ter dúvidas! O seu destino está nas palavras! Com absoluta confiança!

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Aguarela de Viagens, em Quarta nota #5

Paulo, partilho as homenagens e as visitas, justíssimas. Foram os seus textos em Quarta nota e na dialética à volta da realidade que me sugeriram Platão. Obrigado. Abraços, AV.

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Bia Ribeiro, em Alguns trechos sinuosos e (talvez) paradoxais

Dicas fabulosas! Ir aos lugares importantes é uma dica que não se vê por aí… Eu tenho uma nota em meu celular com a frase “sair para escrever”, para não esquecer de mudar de perspectiva, caminhar, ver o mundo.

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Gerlusa, em Tripulante de convés

P. R., que incrível ver um texto assim falando sobre um dos conceitos mais abstratos da filosofia — o ‘ser’ e o ‘estar’ no mundo — relacionado à solidão, que talvez seja um dos estados mais difíceis de aceitarmos em nossas vidas… És grande!

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Joana Alencastro, em Oceanauta – trechinhos

P. R., teu texto me lembrou uma das poesias mais lindas que já li na vida: «O Norte Secreto dos Argonautas Gregos». Foste sublime. Um beijo!

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Jorge Santos, em Questão de tempo / ou camadas do tempo segundo relatos de antigos relógios

Você se tornou num som gerador de paisagens e a absorção crescente, a folhagem nítida sou eu a ler tudo quanto você escreve (muito obrigado), mesmo, muito obrigado.

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Lucio Data, em «And one more for the road», a solitude etílica

No hay ningún contrasentido mientras se busca… Todo nos parece menos bello. La espera es dura, y las musas sobrevuelan el bar… Y tú, despistándolas, disfrazado a lo Frank Sinatra… No tienes piedad de ellas… Tienes que invitarlas a una copa, Paulo. ¡Cuídate bueno!

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Isabella Alves, em Perambular com paciência

Uau! Que escrita cativante… Parabéns!

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Jorge Sasgarante, em Como ler livros incandescentes

Véi, véi, véi, todo texto seu que leio, concluo: he knows the magic of textual awesomeness. Abraços e tudo de bom!

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Débora Albuquerque, em A arte e a maneira de abordar escritores que porventura escreveram livros ruins

Obrigada pelas bonitas palavras de encorajamento, P.R.! Acontece que, para mim, exemplos funcionam mais do que palavras e seu entusiasmo com as letras e com a arte me encorajaram a não apenas escrever e publicar mais, como também voltar para as artes cênicas. Encontrei um grupo que estava iniciando uma peça e, há duas semanas, estamos ensaiando. A propósito, parabéns pelo prêmio da novela! Minha admiração e gratidão por você já são eternas. Abraço!

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One Feeling a Day, em Curriculum vitae / résumé (outro trecho autobiográfico com apêndice)

Adorei. Nunca deixe de escrever.

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Estrella RF, em Tardinha para o Atlântico

Las ideas bullen, las palabras se atropellan, mi mano se desliza en el papel, ordenando las letras, dándoles vida una vez más, emociones, amor, odio, pasión, haciendo que mi vivir, tenga sentido…¿Qué le pasa al bebé? está aprendiendo a vivir. Un abrazo.

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Maby Ferreira, em A certeza de que nada será como antes

Não dá, sempre que te leio, eu cá penso: toma aqui o seu Nobel de literatura!

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Farley Santos, em Como ler livros incandescentes

‘Não importa se você está a ler J. K. Rowling ou Tolstói, Asimov ou Gonçalo M. Tavares, Orwell ou Machado de Assis. O livro é seu, a sensação é sua, as personagens atraem a sua simpatia, as páginas brilham e por vezes ofuscam os olhos como um sol incandescente.’ Trecho perfeito.

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Eduardo Jauch, em Quarta nota #7 — vende-se

Instigante. As três primeiras linhas. Levam longe… Do resto, só a pena. Mas a pena já não tem força, ao que parece.

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Geraldo Cunha, em «Nova antologia de contos brasilienses», duas breves narrativas de P. R. Cunha

Ótimos contos, objetivos, bens estruturados e com um sarcasmo peculiar sobre os atropelos da vida. Parabéns.

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Cristina, em Danças macabras

Uno siempre piensa en la muerte como algo lejano, e incluso como algo que “sólo le sucede a los demás”. Estamos envueltos en una sociedad en la que hablar acerca de la muerte sigue siendo un tema tabú.

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Nausíkaa, em Escritores solteiros casam-se com a própria obra

Excelente! Gosto muito de te ler, P. R. Cunha… Mais um escrito que nos puxa com a força gravitacional de um planeta. Quanto ao dito de Vila-Matas: hijos sin hijos de veras? Criamos os filhos para o mundo. O que são os escritos senão produções para o Outro, com efeitos imprevisíveis? Criações que se desenvolvem para além do criador. Apenas uma reflexão.

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AmagM, em Caderno de viagem: Évora entre ossos e feridos

Foi a primeira vez que li tal descrição da Capela dos Ossos… Gostei, pois vai de encontro ao que sinto. Évora é lindíssima.

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Lucas Lopes, em Autoestrada

Sinestésico. E se foi intencional, acertou em me causar agonia.

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Mãe de Ludo e Vico, em «And one more for the road», a solitude etílica

Mais um texto seu que me fez rir, refletir e esperar o próximo.

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Alan Barroso, em Álbum à vista

Amigo, que beleza de momento. Suas músicas são muito inspiradoras! Este ano comecei um curso técnico de música, estou aprendendo, violão e piano, saber ouvir-te é tão bonito, mas compreender-te é mais profundo. Musicalizar-se é transcender o estado do espírito, saber falar com a alegria e a tristeza dos dedos, que erram e acertam e erram e acertam como nós assim fazemos.

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Nuno Veríssimo, em O manipulador de vidas

O miúdo no quarto com o jogo de computador é o mesmo que o jovem millennial que vive o ‘aqui e a agora’, sem género, sem história, sem fronteiras… sem outra identidade que aquela que vai criando digitalmente nos perfis das redes sociais, infinitamente adaptável, mas infinitamente vazia também… não há carrinho de bebé antes de existir e não haverá nada mesmo depois de existir… vivemos um momento histórico interessante, alimentado a tecnologia e ideologia… seria interessante ler Nabokov sobre o novo milénio… Magnífico texto. Um abraço.

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África Vaidosa, em A certeza de que nada será como antes

A vida em etapas… Gostei.

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Jéssica Fernandes, em Caderno de viagem: os fantasmas fugiram de Sintra

E nos lugares mais desconhecidos, escondidos e simples, encontramos um sentimento extraordinário, inesperado, uma visão que fascina, que nos faz refletir, valorizar e descobrir o essencial, o grande.

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Salomão Rovedo, em Dois embarques

Cunha, sempre dás um viés lusitano à tua linguagem. Isso faz-me rir e pensar que a escrita fica bem fácil e feliz, assim tipo salada-de-frutas. Quer dizer: esse tempero lisboeta é ficção ou veia de raiz de lá mesmo? De qualquer modo, é invenção e fica bem.

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Ana Gimenez, em Sobre «VBA Rules» & Dulce Delgado

Me encanta leer tus escritos acá en tu blog, es como pasear en otro mundo…

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Douglas Rodrigues, em Pergunta # 4 — António Guimarães (editor de livros) em conversa com P. R. Cunha

‘Meu gênero sempre foi a mentira’. Genial, Paulo!

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Foureaux, em Manual de sobrevivência do escritor (um monólogo epistolar)

Uma carta intrigante e instigante, com a devida vênia para a pobre rima. Texto limpo que vai direto ao ponto, sem deixar de lado a delicadeza da inventividade… Gostei. Obrigado por partilhar!

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Marina López Fernández, em Evento de Teatro seguido de Garrafa de Leite/Conserva de Aspargo

!Braaaavo! Es una puta locura. Me encanta. Teatro del absurdo. Cojonudo. Muchísimas gracias por dedicármelo. Ahora lo sé: ‘Teoría del caos’. — Es mi sello. Un placer y un honor, P. Todo un verdadero honor.

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Paulo Paniago, em O dia em que conheci o Enrique Vila-Matas

Não apenas o texto está ótimo, trouxe-me memórias incríveis de Paraty e das loucuras de escritores, essa gente meio destrambelhada, mesmo que à margem do processo todo, como um poeta desencontrado que recita versos ruins e não nota. Os velhinhos, categoria da qual me aproximo a passos galopantes, são também uma gente curiosa, os mantenedores da leitura num país inteiro constituído de analfabetos, inclusive entre os principais governantes de todos os quadrantes. Os velhinhos, quero crer, certamente os responsáveis por ajudar a manutenção da roda da barafunda que são os eventos literários. Senti falta do seu texto a respeito da outra mesa de Vila-Matas, sozinho, a ler um texto com intenção de afastar os leitores (o que efetivamente conseguiu), queria suas impressões por escrito desse fenômeno, mas, enfim, não se pode querer tudo. E o que você deu é muito, muitíssimo.

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Elvira Lorenzo López, em Pergunta #13 — António Guimarães (editor de livros) em conversa com P. R. Cunha

El miedo a la incertidumbre, a no controlar nuestros pasos porque no sabemos a dónde nos llevan… Así se puede decir que la misión del escritor es ‘terrible’ por los mundos que es capaz de mostrar, siempre infinitos, siempre enriquecedores.

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João Maria, em Buraco negro (ou: toda a humanidade vive já há imenso tempo no exílio)

Gostei muito, mas muito. Adorava ver isto encenado cá em Portugal, Lisboa tem um circulo de produções independentes excelente. O conceito está tão refinado que dá borboletas na barriga, embora ache que não seja para qualquer público. Nem tem de ser.

Tu — esperas & notas antes de viajar

» Camus equivocara-se 

Só há um problema filosófico verdadeiramente sério: quais livros levaremos para a viagem. Julgar se colocamos para a bolsa de mão o Sebald ou o Handke ou o Carrión, é responder a uma questão fundamental da filosofia. O resto — se vai chover, se escolheremos as camisas vermelhas, se levaremos as bermudas que a tia Rita nos deu — vem depois. Camus, portanto, equivocara-se. O suicídio não é tão absurdo quanto essas seleções literárias. Poucos escolhidos, muitos deixados para trás. Vive-se com esse barulho.

» Discretamente, D. Delgado escreve sobre P. R. Cunha

O pensamento deste narrador, que se diz desventuroso, é um autêntico jogo de xadrez. De um lado do «tabuleiro», o pensamento-ficção; do outro, a realidade. Acho que a ficção podem ser as peças brancas e a realidade as pretas. Ou talvez não. As «peças»… num dos lados são os personagens reais da vida, e no outro, filósofos, autores e pensadores fruto de muitas leituras. Por vezes dão-se todos bem, noutras nem tanto. A estratégia deste «jogo» é o «desventuroso narrador», como se intitula aos trinta e poucos anos de vida, estratégia que entre avanços, recuos, dúvidas e certezas, tem jogadas/pensamentos de mestre. Penso que será um jogo eterno, sem xeque-mate, nem vencedor. Porque cada um sabe que precisa do outro para se sentir vivo e produtivo.


IMG_1532Há muitos livros; e não podemos levá-los todos numa mala


» Gostava de ter o cabelo à Scott Fitzgerald — haikus tropicais

1.

vendedor de pipoca
não aproveita o parque —
um automóvel passou

2.

Para a amiga M. L. F.

jogadores de xadrez
à berma da praia
o rei está louco

3. 

Sturm und drang

sonhador solitário
perseguido pela culpa
poeta sem remorso

— P. R. Cunha

Sobre «VBA Rules» & Dulce Delgado

vba

Por vezes faço grandes esforços para não dar a perceber a minha condição agorafóbica (s. f. [Psicopatologia] — Estado patológico caracterizado pelo medo de atravessar espaços públicos, como largos ou praças). Donde o marcado exagero dos meus relatos literários e certa timidez na hora de, como se diz, conviver. Não possuo contas em redes sociais, nada de perfil no Facebook, nem autorretratos no Instagram, self-made-tv no Snapchat. A plataforma WordPress (é assim que se chama?, plataforma?) proporciona-me esconderijo agradável: leiam cá o que eu escrevo, desnecessário expor-me, dizer que o Totó irascível comeu minha roupa de cama e depois fez bagunça imensa à casa de banho. Mas divago. Ontem descobri que existe um curioso brinquedo de electro-compartilhamento a que chamam de Versatile Blogger Award — o award remete-me de imediato ao The Oscars Academy Awards, o que não deixa de valorizar um bocado a empreitada. Mamãe, veja só, recebi um award. Mamãe orgulha-se dessas coisas. Acessei o sítio web do Versatile e deparei-me com o acordo tácito da brincadeira. Em tradução livre, explico que os responsáveis pelo projeto sugerem o seguinte:

Se você foi indicado, então você recebeu o prêmio Versatile Blogger.
1) À guisa de cortesia, diga obrigado para a pessoa que lhe deu o prêmio;
2) Inclua o endereço do blogue dessa pessoa, também à guisa de cortesia;
3) Depois, selecione 15 blogues/blogueiros que você descobriu recentemente ou segue com regularidade;
4) Indique esses 15 blogues para o Versatile Blogger Award — talvez seja uma boa incluir o link desses sítios;
5) Finalmente, diga sete fatos sobre si para a pessoa que nomeou-lhe.

Mais do que temer a timidez social, receio de ser lá acusado de fulano antidesportivo. Ao passo que responderei desta forma:

Agradeço à Dulce Delgado (escritora-fotógrafa-ilustradora-poetisa-etc.) pela indicação — pode-se encontrá-la nestes endereços: discretamente.wordpress.com & instagram.com/dulce_em_pausa. A Dulce é-me fonte inesgotável de criatividades. Eis sete fatos a meu respeito: UM) Perante questionários de awards, não sei bem o que fazer; DOIS) Gosto um bocado de suco de tangerina; TRÊS) Tenho trinta e dois anos, abandonei o jornalismo para escrever literatura, muitos — inclusive eu — não compreendem ao certo o que me levou a dar esse passo; QUATRO) Se houvesse um duelo Schopenhauer vs. Wittgenstein eu provavelmente apoiaria o Wittgenstein; CINCO) Gosto de cineastas das antigas — i.e.: Pasolini, Moravia, Citti, Tarkovski, Bergman, Kurosawa; SEIS) Eu tenho dez dedos nos pés — cinco no direito, cinco no esquerdo; SETE) Perdi meu pai quando jovem e até hoje estou a aprender a lidar com essa perda irreparável.

É bem este o modo como as coisas se passam comigo. E sobre as indicações de blogues alheios, o caro leitor tratará de perceber que nos breves dois meses de existência este torto sítio recebeu engrandecedoras intervenções aos comentários — meu Versatile Blogger Award vai para cada uma/um dessas/desses queridas/queridos leitoras/leitores.

— P. R. Cunha