Abrir janelas de um passado que nem é tão remoto assim

[…] E na passagem de som tocamos Abre a janela do cantor e compositor Beto Só, uma das canções que marcaram a minha juventude — principalmente na época em que eu tocava bateria na banda Disco Alto. 

Numa altura dos anos 2000, o Beto fez um concerto magnífico no antigo Gate’s Pub (hoje [vê lá como são as coisas] é uma loja que vende croissants com toda a sorte de recheios [sendo que o de estrogonofe pareceu-me um dos mais exóticos]), ele tocara Abre a janela acompanhado de um violoncelista e de repente vi-me com as lágrimas nos olhos porque aquilo era sem dúvida uma das coisas mais bonitas que eu já escutara. 

Esta é a nossa releitura da música do Beto, a que chamamos carinhosamente de Abre a janela (Botta Church Version [Beto Só cover]). A qualidade deixa um bocadinho a desejar, porque reverberações eclesiásticas captadas por um gravador distante, mas a homenagem a um dos artistas mais talentosos de Brasília é honesta e em alta definição.

— P. R. Cunha

Nova canção // refúgios musicais &tc.

Depois de escrever uma cena importante para o meu próximo livro, depois de anotar verdades inconvenientes, com a cabeça arejada, e aquela doce atenção — discreta — para com o mais pequeno dos pormenores: sóbrio, firme, longe de ostentações, como se diz, depois de ter aprendido como aceitar os agrados dos amigos sem perder o respeito próprio, sem parecer ingrato, com dignidade e possuidor dos melhores sentimentos, refugiei-me ao bem-afamado Estúdio da Cris, com guitarra(s) / spin cycle / cascade / crunch ping pong delay / royal rock / sitar / baterias Four on the Floor (tipo retrô) / microfone unidirecional (smooth vocal, empty church, cellar, phone filter etc.) e gravei esta canção chamada I’m not crazy but I can pretend que faz parte de um projeto a solo cujo desfecho ainda é-me um total mistério. 

prcunhaalbum

— P. R. Cunha