«Paraquedas – um ensaio filosófico», retornos

A verdade é que não sabemos
não sabemos quando vamos morrer
não sabemos se a entrevista de emprego
sairá como havíamos planejado
se conquistaremos o coração
da pessoa por quem estamos apaixonados
se a nossa carta chegará ao leito
de um amigo enfermo
se vai chover
se vai o sol
não sabemos
não sabemos como reagirão
àquilo que escrevemos
podem gostar, podem odiar
podem dizer que sim
podem dizer que não
podem permanecer
em silêncio…
não sabemos
e talvez seja por isto
que continuamos
que seguimos em frente
— porque queremos saber.

Quatro mui agradáveis damas dão as próprias opiniões a respeito do meu Paraquedas – um ensaio filosófico: 

 

«A forma como os acontecimentos do passado entram em contato com as ações do presente de seu personagem inominável nos dá uma fantástica sensação de viagem no tempo.»

Rejane Leopoldino,editora do blogue Devir

 

«Quando o eu-narrativo se fortalece, ele inventa histórias com todas as alcançáveis possibilidades. E isto atormenta o protagonista — possivelmente alto, magro e careca, mas certamente humano —, que escolhe não agir, mas desabafar conosco. O relato de um momento curto alonga-se no tempo.»

Jéssica Fernandes,pesquisadora do Ipea*

 

«P. R. Cunha é surpreendente em seu ensaio filosófico Paraquedas. Descreve as relações familiares em sua essência mais crua e sem pudores, sem medo de tirar o véu que encobre as chagas da nobreza. Paraquedas é uma obra para ser contemplada aos poucos e, se você tiver sorte — como escreve o nosso querido Escritor —, entenderá o que é a eternidade de um amor grafada nas páginas de um livro. Leitura muito agradável e inteligente.»

Gerlusa Rocha, poetisa responsável pelo blogue Escrita agridoce

 

«Livro merecidamente premiado. Narrativa espontânea, direta, sem rodeios. Não nos apetece parar de ler.»

Maria Cristina Souza, diretora do Hospital Urológico de Brasília

 


*O livro Paraquedas – um ensaio filosófico do P. R. Cunha encontra-se disponível à Lojinha deste electro-sítio. Para mais informações, aperta aqui.

E-deias

Eu costumava fazer o papel de pessimista quando o assunto orbitava as chamadas «tecnologias modernas». 

Até sermos questionados por um miúdo de cinco anos, um miúdo que acabara de aprender o abecedário, questionados daquela maneira despudorada, seca, desavergonhada que só os miúdos de cinco anos conseguem fazer, ou melhor, até que somos confrontados, sim, afrontados pelas tretas sem filtros desse miúdo, até que o miúdo nos pergunta à queima-roupa, de chofre, bruscamente: então por que cargas de água escreves para a Internet se não crês nela?

E que a história (estória) de que o livro de pixel vai matar o livro de papel e consequentemente vai matar o leitor é uma lenga-lenga criada por aqueles que estão a se sentir ameaçados pelas novas possibilidades eletrônicas e acreditam que perderão parcelas comerciais significativas; afinal de contas, é a obra de qualquer autor/autora uma mera mercadoria. 

Mercadoria à cabeça, ao intelecto, mas mercadoria — tem preço.

Quando finalmente percebem que quem lê acaba que lê em qualquer canto, em qualquer device — estou a citar —, em qualquer plataforma que permita armazenar palavras, quando finalmente percebem que não há perigo, que os livros eletrônicos podem (e devem) custar tanto dinheiro quanto os livros de papel, a despeito da brutal economia (com impressões, tinta, maquinário, luz, pagamento de funcionários especializados, transportes etcétera, etcétera), quando os Lordes e os Reis percebem que há sempre um louco que paga fortunas por determinadas obras, então eles dizem que tudo bem, que o livro-pixel é a (re)evolução, que não há problema, vida que segue, aqueles que não se adaptarem ao livro-pixel que construam foguetes e fujam para Marte.

Vamos lá ser diretos: até percebermos que é tudo uma questão de copo-metade-cheio-ou-copo-metade-vazio, de perspectiva — de ponto de vista, estou a dizer*. O mundo robótico será uma distopia terrível ou mais um desafio superável? 

Podes comprar os e-livros pelo sítio web da Bertrand quando as árvores já não suportarem as lâminas dentadas ou podes deixar de ler para sempre, chorar com a cabeça enfiada no travesseiro, tentar a natação, o bowling, o pingue-pongue.  

(Há sempre também uma data de pílulas do alheamento: Fluoxetine [Prozac], Zoloft, Paxil, Pexeva, Cipralex, Lexapro e por aí fora.)

Ou podes, quem sabe?, começar um blogue, discorrer sobre o futuro da tua adorável profissão, que por vezes assemelha-se mais a um passatempo primaveril.

— P. R. Cunha


*Eventualmente, tudo vai depender do propósito de cada um — se alguém comprou o tablet para averiguar e-correios, perder-se nas redes antissociais, assistir gatinhos a tocar o piano, adquirir bugigangas desnecessárias, então é bem provável que tenha imensos problemas para ler, digamos, o 2666 do Bolaño ali.