Paraquedas sente-se em casa quando em Portugal

Dulce Delgado, editora do blogue Discretamente, compartilha impressões a respeito de Paraquedas – um ensaio filosófico.

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Quando pego num livro com o objectivo de o ler, antes de absorver o seu conteúdo, gosto de o manusear, ver a capa, o tipo de letra, se preciso de fazer esforço demais para o manter aberto, etc., etc., ou seja, gosto de saber se o meu corpo e sentidos apreciam aquele «objecto» que tenho entre mãos. Pode parecer absurdo, mas já me recusei a ler livros porque o meu «corpo» disse de imediato não…

A chegada do Paraquedas pelo correio levou também a esse primeiro ritual. Perante o seu manuseio os sentidos disseram que sim. O olhar gostou da capa e da sua textura assim como do tamanho da letra, e as mãos sentiram que ele era fácil de abrir e de estar connosco sem exigir esforço.

Chegaram as férias e ele foi na bagagem, a par de outro que estava ainda a terminar. Os momentos de sossego não foram muitos, verdade seja dita, pelo que só em casa, nesta última semana de umas férias que hoje terminam… o Paraquedas foi lido.

Onde quer que a tia Laura esteja (ou estará), ela sabe (ou saberá) que o amor de alguém que a adorou ficou ternamente guardado neste «mausoléu rectangular», narrado como uma viagem onde o tempo não existe, pois o passado se mistura com o presente, e todos serão futuro no coração do livro.

Mas ao lado desse amor também está a dor, uma dor dura que só o nosso escritor saberá quantificar, porque entre a realidade e a ficção existe sempre uma incógnita. O meu «fiel de balança» inclina-se mais para um dos lados, sendo certo que em cada leitor ele terá uma posição diferente. Mas isso não é realmente importante.

Achei fabulosa a leitura sobre o jogo de xadrez e o xadrez que é esta vida. Os dois lados de um só lado. As lutas interiores e a forma de as domar, contornar, equilibrar. E a relação entre o xadrez, a escrita e o modo de estar. Sejam realidade ou ficção.

Se um livro é como um filho, este vai seguramente crescer e caminhar. Porque o nosso escritor sabe escrever muito bem; porque tem profundos conhecimentos que partilha de uma forma simples e que nos agarra; e principalmente porque uma parte dele nos olha em cada página, seja nas dúvidas, nos medos ou nas verdades que são também de todos nós.

A partir de agora, qualquer leitura que faça de algo da sua autoria, seja no blogue ou em futuras edições, será com um novo olhar e com a certeza consolidada que este ainda jovem ser humano, a par dos seus conhecimentos, sensibilidade, eternas inquietações e tantas outras coisas que o constroem, tem muito potencial e um futuro certo na literatura.

Assim ele acredite em si e nas suas capacidades neste jogo de xadrez que é a Vida.

— Dulce Delgado


Paraquedas – um ensaio filosófico de P. R. Cunha está disponível na Lojinha deste sítio web. Se moras na Europa podes encomendar o livro à UA Editora.

Versos satíricos (uma réplica)

Num determinado encontro de escritores brasilienses — que ocorrera no Setor Comercial Sul e ao qual (felizmente?) não compareci — fui, segundo fontes críveis, citado por um dos participantes que utilizara de tais palavras para descrever a minha postura literária: «P. R. Cunha é um tipo completamente alheado do mundo, que não consegue compreender que o Brasil está a passar por um momento de exceção, e que não trata, pelo menos no seu blogue, das coisas que realmente importam» etc.

Não sou um sujeito belicoso. Poderia apenas desculpar-me e dizer ao supracitado vivente que há vários sítios mais calorosos do que este em que costumo me expressar sem pretensões homéricas, e que se as coisas que realmente importam estão alhures, pois fique então com alhures. Mas talvez seja altura de, como se diz, colocar os pingos nos is.

Quais são as intenções deste espaço eletrônico, o que o autor pretende com o blogue?

Como já comentei inúmeras vezes: um médico pratica a medicina, um professor ensina, um pesquisador pesquisa, e um escritor… bem, um escritor escreve. E se o escritor levar a sério a empreitada, ele vai escrever praticamente todos os dias. Mesmo que não escreva no papel, pode estar a fazê-lo mentalmente — enquanto passeia com uma adorável companhia, está também a tomar notas abstratas dentro da própria cabeça para uma breve posteridade.

Há os livros que precisam de ser escritos, e revisados, e editados, e enviados aos prêmios literários. E há aquela descompromissada produção que acontece nos interlúdios da fazenda livresca; tudo aquilo que não é aproveitado no livro, ou que não tem nada que ver com o tema do livro. É esse material que costumo publicar aqui no blogue.

Nunca sei se realmente valerá a pena disponibilizá-lo. Faço-o, porém, para que o excedente não se perca dentro das gavetas da minha escrivaninha. E, afinal, mostro-me aqui sem os filtros da praxe, sem ambições, vivendo num brando isolamento, liberto de sugestões e influências selváticas. Em tais medidas, corro o risco de não ser lido, ou mesmo de ser acusado de «não tratar das coisas que realmente importam».

No entanto, como diria um antigo, se este raciocínio intimidasse a todos, imaginem o que se teria perdido. Porque por vezes acontece de voltarmos com as melhores experiências justamente daquelas caminhadas para as quais não dávamos a mínima.

A verdade é que a World Wide Web é lá uma feira onde se encontra mesmo de tudo. Se as maçãs desta tenda estão podres, o ilustre leitor pode (e deve) procurar mercadorias mais apetitosas noutras barraquinhas. Porque nunca lhe faltará sumo mais intrigante, ou vendedores com verve à manifesto. 

— P. R. Cunha

O blogue «Ludo e Vico» está a falar do meu paraquedas

Quando fui receber o Prémio Aldónio Gomes à Universidade de Aveiro e depois entregaram-me um par de caixas pesadas com exemplares de Paraquedas – um ensaio filosófico comentei com mamã que aqueles livrinhos não me seriam fonte de renda, mas um meio para alcançar novos leitores. Não me importo de vender três ou trezentas unidades, disse eu à mamã, trata-se de uma empreitada qualitativa. E, felizmente, posso dizer-vos que aos poucos o meu objetivo tem se concretizado. Hoje de manhã, o blogue Ludo e Vico – livros, passeios, e brincadeiras de bolso também publicou a respeito da minha criatura. É deveras gratificante saber que este paraquedas abre-se em casa de gentes tão admiráveis.

— P. R. Cunha


Paraquedas em si mesmo
Mãe do Ludo e do Vico

Cair em si é uma expressão idiomática que significa tomar consciência.

Existem membros respeitados da sociedade que não têm consciência da sua ignorância; parentes que se julgam bons ao criticar em vez de amar; pessoas que vivem para impressionar e não se impressionam com os outros…

Há dois dias encontrei na caixa do correio o livro que encomendei: Paraquedas – um ensaio filosófico do escritor P. R.Cunha, com delicada dedicatória e uma história surpreendente.

Comprei o livro porque adoro os posts do autor, mas não sabia o que esperar até começar a leitura.

Em alguns momentos pensei no personagem esquizofrênico da série Maniac, desagregado de uma família artificial e cruel.

O personagem de Paraquedas – um ensaio filosófico não é esquizofrênico, mas a família o trata como se fosse o louco inconveniente.

Ele foge dessa dolorosa realidade para a realidade de outros livros, de outros personagens, de outros escritores, de outras formas de arte, enquanto constrói a própria história, com coragem para seguir seus instintos e amor pela fazenda literária.

Em outros momentos, eu parei a leitura para compartilhar com meu marido, que se viu em certas agruras do personagem, assim como compartilho a indicação do livro do P. R. Cunha a quem ainda não conhece esse talentoso e premiado escritor.

Boa Semana e Boas Leituras!

Paraquedas canadiano

Esta breve nota — à laia de introdução — pretende falar apenas o absolutamente necessário.

Creio que quem se mete a escrever literaturas possui dentro de si um honesto impulso para comunicar. O desafio, portanto, é construir obra coerente que consiga transmitir de alguma(s) forma(s) o que se passa dentro da maquinaria escritora. 

Projetar o livro, levar por diante o livro, concluir o livro e talvez receber respostas de leitores atenciosos. Eis do que se trata.

Quando li (e reli, e reli…) a resenha do Emanuel Melo a respeito do meu Paraquedas, senti aquela reconfortante certeza de que minhas entranhas não foram expostas à toa. As inquietações que compartilhei chegaram a um destinatário disposto a recebê-las, ou melhor, a absorvê-las, a digeri-las. E este diálogo distante, um bocadinho onírico, tipo message in a bottle, constitui, no meu simples modo de ver, a maior distinção para uma obra literária.

Compartilho na íntegra o texto do Emanuel (in English); e se quiseres apreciar com serenidade os mais singelos apontamentos canadianos de um Torontonian Azorean writer, podes acessar o electro-sítio: thetorzorean.com

— P. R. Cunha   


Paraquedas/Parachute
By Emanuel Melo

Paulo Renato Souza Cunha is a young Brazilian writer, poet, photographer, and musician: a truly modern Renaissance man. He was the winner of the VII Prémio Aldónio Gomes  for his book, Paraquedas – um ensaio filosófico, published in December, 2018, by UA Editora/Universidade de Aveiro. He made the trip from Brazil to Portugal where he joyfully received his literary prize and shared his travelling adventures with the dedicated followers of his blog.

I waited eagerly for a copy of the book, a generous gift from the writer who I have befriended over the last year. When it arrived, on one of the coldest spring days in Toronto, all the way from the warm climate of Brazil, I decided to wait until our own weather improved so that I could sit in my garden to read the book while the warmth of the sun covered my skin. I waited as long as I could but, alas, at the end of April we were still wearing winter coats to keep the chill away. It was impossible to sit in my garden for more than a few minutes before hyperthermia set in! I finally gave up on the weather as a prop to my enjoyment of reading and, holding Paraquedas in my hands, my fingers turned the pages with a caress of admiration for its aesthetically bound softcover, eye-catching typesetting and layout, and simple clear lines, so full of understated elegance. Sitting cozily on my sofa by the warmth of the radiator heat, I entered the world of P. R. Cunha’s writing.

I wish this book was available in English so that those who don’t read in Portuguese could discover and appreciate Parachute – a Philosophical Essay (my translation). “There are no correct tones for an essay beyond those of enthusiasm and sincerity,” wrote John Moss in his Introduction Essay in The Canadian Novel: Here and Now – A critical Anthology, 1978 (p. 12/13). And he could have been writing about P.R. Cunha, whose writing is, indeed, full of enthusiasm and, more importantly, sincerity. His essay is divided into four parts and may be read as part memoir, part philosophical musings, but the reader is never really sure how much of what we are told is about the protagonist writer in the essay, who after ten years of grappling with writing a novel, decides to run away (for a very short time) to England before Brazilian literature drove him to madness (p. 9), or the author himself. Is it pure biography or a reinvented biography-cum-fiction? It’s up to the reader to decide.

But I do know that the author of Parachute, like his first-person narrator, shares the same love and fascination for the writers J. G. Ballard, W. G. Sebald, Montaigne, Thomas Bernhard, Sterne, among others. The love for these authors was instilled in the narrator-protagonist by his tia Laura, and we wonder if this is P.R. Cunha’s aunt, too, or simply that of his alter-ego, the writer-protagonist who discusses literature and life, while revealing unflattering facts about his mother, his father, his brother and his sister. The description of his father’s death and his siblings’ greed at spending their 24% each inheritance, while our protagonist-writer is left with only a mere 2%, reveals a family dysfunction that made me cringe. It is tia Laura who has mentored and financed the writer’s adventures and travels, thereby exposing him to the arts, including music; an assistance which allowed him to pursue his intellectual interests.

The book can be read as a tribute to the aunt who dies towards the end of the narrative; and the protagonist wishes that someday, someone in the future may take his dusty book off a shelf to read it and, by doing so, afford his tia Laura a fleeting reward in eternity (p. 168); but the book can also be seen as the inner journey of someone trying to make sense of his life through literature and his own literary pursuits; questioning in every page what is real and what is fiction.

P. R. Cunha is a master weaver of the long, meandering sentence, common in Portuguese writing but not unknown in the English world of literature. It’s a style that appeals to the lyrical writer, regardless of nationality. But not everyone who writes can carry a long sentence without losing their breath along the way. With the long sentence, we can only rely on the helpful use of the comma in order to pause before reading on. Cunha’s narrative starts in one place but by the end he has taken the reader to another world; and yet, managing to brilliantly unite each idea and meandering thought, making it all fit and make sense like a carefully thought-out chess move, a game that both P. R. Cunha and the protagonist of Paraquedas share with passion. I enjoyed this book precisely for this reason; savouring the elegant writing on ideas, philosophically connected to the personal.

The essay questions, in a broader sense, the meaning of the self, and the relationship between literature and everyday life, by referencing philosophy as a guide to the art of living. A parachute is used to allow someone to come down from the sky in a slow, safe way to reach the ground unscathed, and I wonder if P. R. Cunha chose this word for the title of his book as a metaphor for the self’s movement from the internal “sky” world within us, as it floats down from the abstract air, towards the concreteness of the world landed upon.

What Paulo Renato Souza Cunha’s imaginative and complex mind is trying to offer through his meditations, observations, reflections, is perhaps an invitation to his readers to be in touch with their deeper thinking selves.

It is now mid-May and the weather teases the promise of real spring days ahead, when I will finally be able to sit out in my garden again to satisfy my pleasure in reading surrounded by trees, plants and flowers. And I will then take delight in rereading Paraquedas.

Este electro-sítio está a comemorar aniversário (convosco)

Há um ano eu era uma múmia velha a vagar nenhures com o coração dilacerado tipo Hölderlin a buscar qualquer propósito numa vida absurda; Friedrich Hölderlin cuja imaginação amiúde o inclinava para o lado da fantasia, com relatos frequentes vezes romanceados porque já não dava conta de tanta dor, de tanto sofrimento — e agora que estou a me comparar com o Hölderlin sinto-me um bocadinho pedante, atrevido, abusado e justifico-me dizendo que também sou muitíssimo temperamental, influenciável a entusiasmos seguidos de arrependimento.

Há um ano eu era um zumbi errante que «mantinha-se em pé com grande dificuldade, à espera que a veemência da própria tristeza, a suprimir os espíritos vitais, o derrubasse morto ao solo», um zumbi que sabia que não escaparia incólume, mas buscava a fuga que o danificasse menos.

Há um ano eu escrevia no meu diário que a minha existência já não fazia sentido, não importava o tanto que me esforçasse para encontrá-lo (para criá-lo/inventá-lo), que ler — a atividade que sempre me dera os maiores prazeres — era-me um fardo insuportável, que caminhar lá fora deixava-me ainda mais melancólico, porque a vida dos outros também me parecia vazia, oca: despropositada.

Há um ano eu me sentava exatamente à mesa à qual estou sentado agora para começar um sítio web a ver se a empreitada conseguiria me distrair dos pensamentos catastróficos, dos pensamentos que me lembravam constantemente de que as pessoas morrem, de que aqueles que amamos muitíssimo (e de quem dependemos muitíssimo) estão morrendo, de que eu também morrerei, de que a confiança no mundo pode ser desmoronada em qualquer momento, de que muitas pessoas se tornam amargas pelo destino.

Há um ano eu começava este sítio web e agora, com aquela branda facilidade que o olhar retrospectivo nos oferece, percebo com total clareza que essa decisão foi o início das minhas recuperações, que escrever constantemente, mesmo sem nenhuma vontade de escrever constantemente, foi o que me salvara de um destino terrível — fatal.

Durante um ano de compartilhamentos, de teatros, de contos, de ensaios, de poesia, de desabafos, de jocosidades, de erros, de acertos, de relatos de viagem, de Aveiro, de Lisboa, de Brasília, de Portugal, de Brasil, de vídeos, de músicas, de fotos, de factos, de ficções, de literaturas, tive a oportunidade de conversar — mesmo que à distância — com seres humanos incríveis, cujos comentários enriqueceram não apenas este blogue, mas o meu modo de ver (e de aceitar) as conjunturas da vida.

Como forma de agradecimento, leitoras e leitores, gostava de compartilhar convosco mensagens que escreveram-me no decorrer desses últimos 365 dias.

E que a jornada permaneça.

— P. R. Cunha


O Miau do Leão, em Assim era o Herbert

Não dá para deixar de ler seus posts, onde até os comentários são interessantes. Concordo. San Marino é um cenário perfeito para o estilo. Escrevo de uma praia no salto da bota italiana, na costa adriática. Há muito que se falar dos italianos. Bem, pelo menos parecem dar muito valor ao seu idioma. 90% das músicas tocadas são em italiano. Comunicar com eles só em italiano e mímica. Eu já tinha observado isso noutras andanças por aqui, mas a região do Solento ultrapassa tudo.

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Thaysminy Marques Coelho, em «And one more for the road», a solitude etílica

Eu sempre venho com calma te ler. Por que morro de medo de acabar. Hoje, estou contente com esses dois. 20h02 e me sinto compreendida.

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Filipa Santos Sousa, em Poucos esforços para não dar a perceber a vaga de sentimentos de saudade (série haiku com título relativamente longo)

Incrível, adorei! Muitos parabéns, é um prazer enorme ler os teus textos, com os quais me identifico tanto.

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Luis Morgado, em Só mais um bocadinho a respeito dos escritores que não escrevem

Muito bom. Lembrei-me da personagem Joseph Grand, na Peste de Camus, que andava há anos a escrever um romance. Um romance que faria com que o editor, ao lê-lo, se levantasse e tirasse o chapéu (ou qualquer coisa deste género). Mas Grand, por ser tão perfeccionista, ou incompetente, durante todos esses anos tinha estado obsessivamente ocupado a aperfeiçoar o primeiro parágrafo (o único que estava rascunhado).

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Moça com Brinco de Pérola, em «And one more for the road», a solitude etílica

Eu já apaguei da minha vida qualquer exigência em relação à escrita. Já sei que não adianta sentar na minha mesa cercada de tintas, uma janela diante da mesa que dá pras plantas e pra luz, não adianta passar café, não adianta glamorizar. Vai acontecer no meio duma música enquanto eu lavo louça, vai acontecer no meio de um outro texto, vai acontecer enquanto vou pagar contas. Só preciso estar munida de um Moleskine ou o bloco de notas do celular. Mas estar Frank Sinatra, num bar e The Cramberries de fundo é muito chique e simples também… É chique e é simples.

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Maria Vitoria, em Senhoras & senhores, descolagem autorizada

Porra, eu acho o modo como você escreve fodido pra caralho. Por mais que seja culto e me leve a séculos passados, ainda posso visualizar linha por linha de um modo contemporâneo. Parabéns, P. R.

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Cristileine Leão, em Fragmentos de um romance inacabável (parte I)

Um coração de literatura… Esse romance nunca terá fim.

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Lucas Luiz, em E-deias

O novo sempre traz desconforto para alguns. Mas é isso, o inevitável, em breve estaremos tão somente por meio algoritmo; tecendo nossas ideias, histórias, memórias e construindo nossa identidade apenas de modo virtual e sem qualquer receio nostálgico. É a ordem natural. Quem sabe, mais pra frente, armazenado por um download diretamente na cabeça do leitor? As possibilidades são infinitas. Pertinente reflexão e ótimo texto.

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Fidel Pereira, em Como eu escrevo

Meu caríssimo amigo P. R. Cunha, foi maravilhoso perceber que padecemos das mesmas angústias que assolam a alma de quem tem necessidade de escrever algo, não o trivial, mas sobre algo maior e profundo. Parabéns pelos seus textos.

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Emanuel Melo, em Fragmentos de um romance inacabável (parte IV) – exilado de si mesmo

Querido Paulo, como é possível que estejas a descrever os meus tormentos diários desta maneira sibilante? Desligo da televisão, do telemóvel, do computador portátil, da net, e quando me apetece a voltar, lá estás tu na minha caixa de mensagems a lembrar-me que devo desligar de tudo isso e voltar a sentar-me debaixo de uma árvore, com uma folha de papel e caneta/lápis na mão e sonhar.

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Irina Marques, em Excerto provisório

Ainda não passei por essa dor, já vi quem tenha. Da forma como a expões, está uma descrição profunda do que provavelmente alguém que passe por essa experiência deve sentir. Julgo que sentiria o mesmo. Está muito bom o excerto.

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As Minhas Moniquices, em Questão de tempo / ou camadas do tempo segundo relatos de antigos relógios

Confesso que, por norma, costumo compreender o que leio, sem grandes dificuldades. Mas o que mais acho interessante na escrita de P.R.Cunha é que me obriga a fazer ginástica mental, tal é o raciocínio a que obriga, para compreender tamanha profundidade de reflexão. Parece que estou a ler algo de alguém que já viveu cem vidas e tem tantas histórias para contar. Mas gosto! É um exercício bom e eu gosto de desafios. Gostei desta visão profunda do tempo que nos obriga a ter tempo para o pensar e ver passar. Abraços!

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Rejane Leopoldino, em Autoestrada

Amo como eu consigo visualizar e sentir a cena nas suas escritas!

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Lunna Guedes, em Como ler livros incandescentes

Eu nunca fui muito amiga os raios solares, eles me incomodam, mesmo quando no outono que me faz pensar em calda de caramelo. Mesmo assim, eu prefiro fechar os olhos e sentir na pele, por dentro. E quanto aos livros, sim, contraditoriamente são o meu sol nos olhos, dos russos (ah, meu santo Karamazov) aos franceses (Baudelaire que me ajude) enfim, eu sou uma espécie de Parker a me aproximar (quase em queda no abismo) e a me afastar das páginas. Gostei daqui!

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Raul Coutinho de Almeida, em 90 centavos e o valor da dignidade humana 

Sua escrita me parece com fluxo de consciência, se eu estiver errado. P. R. Saramago Filho.

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Língua Portuguesa Dinâmica, em Assim era o Herbert

Que texto excelente. É parte de um livro? Se for… Parabéns. Uma vez fui me inteirar sobre o significado da palavra Alexitimia porque uma pessoa me disse que não conseguia explicar o que sentia. Na pesquisa que fiz a condição de alexítimo é bastante atual e muitas pessoas não sabem que passam por relevante processo interior. Quando você se refere a Hebert estudar cérebros me recordei do Dr. Simão Bacamarte do livro o Alienista, um texto que analisei há pouco tempo (e há ainda o que me aprofundar nele). Sabe, mostrar o mundo psicológico das personagens favorece o entendimento de alguns aspectos da realidade (função social da literatura que me encanta). O luto é mesmo um processo de transformação nos mais diversos aspectos da realidade, somente quem perde alguém querido sabe como é. Abraço.

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Sementes ao Leo, em O livro exige muita dedicação e por vezes as coisas não saem como havíamos imaginado

Gosto da tua escrita: irreverente e perspicaz! Muito legal!

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Peixinho de Prata, em Caderno de viagem: os fantasmas fugiram de Sintra

Eu, que moro em Lisboa, a 26.4 km de Sintra, já quase não consigo lá ir. A pressão turística é demasiada e não há época baixa. No entanto, pelo menos uma vez por ano, fazemos uma peregrinação para comer um travesseiro da Piriquita enquanto falamos mal do excesso de turismo. Adaptação aos novos tempos, suponho. Os seus textos sobre a viagem a Portugal são muito bons!

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Paula Neves, em Questão de tempo / ou camadas do tempo segundo relatos de antigos relógios

Você sente o tempo, amigo. Adorei.

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Brunno Vittorazze, em Quarta nota #5

E se formos apenas códigos num algoritmo? Trancafiados nessa matriz, observados como experiência por super-cientistas sociais. Os supostos planetas com possibilidades de conceder vida seriam apenas um alento à nossa espécie, uma brincadeira desses cientistas, uma alternativa futura caso destruamos esse aqui. Ou e se formos a espécie mais tecnologicamente desenvolvida desse universo e o ônus do primeiro contato com as civilizações extraplanetária fosse cargo nosso? E se?

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Dulce Delgado, em Tudo isto é como uma zombaria sobre o sentido e o fim da própria existência

O bebé de papá & mamã… que nasceu exactamente entre os meus dois filhos (1983 e 1987), já sabe muito bem o caminho que vai seguir! Porque quem escreve histórias como as que vamos lendo neste blog, em que a ficção, a realidade, a história e um humor cheio de personalidade se misturam com tanto tacto, não pode ter dúvidas! O seu destino está nas palavras! Com absoluta confiança!

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Aguarela de Viagens, em Quarta nota #5

Paulo, partilho as homenagens e as visitas, justíssimas. Foram os seus textos em Quarta nota e na dialética à volta da realidade que me sugeriram Platão. Obrigado. Abraços, AV.

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Bia Ribeiro, em Alguns trechos sinuosos e (talvez) paradoxais

Dicas fabulosas! Ir aos lugares importantes é uma dica que não se vê por aí… Eu tenho uma nota em meu celular com a frase “sair para escrever”, para não esquecer de mudar de perspectiva, caminhar, ver o mundo.

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Gerlusa, em Tripulante de convés

P. R., que incrível ver um texto assim falando sobre um dos conceitos mais abstratos da filosofia — o ‘ser’ e o ‘estar’ no mundo — relacionado à solidão, que talvez seja um dos estados mais difíceis de aceitarmos em nossas vidas… És grande!

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Joana Alencastro, em Oceanauta – trechinhos

P. R., teu texto me lembrou uma das poesias mais lindas que já li na vida: «O Norte Secreto dos Argonautas Gregos». Foste sublime. Um beijo!

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Jorge Santos, em Questão de tempo / ou camadas do tempo segundo relatos de antigos relógios

Você se tornou num som gerador de paisagens e a absorção crescente, a folhagem nítida sou eu a ler tudo quanto você escreve (muito obrigado), mesmo, muito obrigado.

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Lucio Data, em «And one more for the road», a solitude etílica

No hay ningún contrasentido mientras se busca… Todo nos parece menos bello. La espera es dura, y las musas sobrevuelan el bar… Y tú, despistándolas, disfrazado a lo Frank Sinatra… No tienes piedad de ellas… Tienes que invitarlas a una copa, Paulo. ¡Cuídate bueno!

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Isabella Alves, em Perambular com paciência

Uau! Que escrita cativante… Parabéns!

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Jorge Sasgarante, em Como ler livros incandescentes

Véi, véi, véi, todo texto seu que leio, concluo: he knows the magic of textual awesomeness. Abraços e tudo de bom!

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Débora Albuquerque, em A arte e a maneira de abordar escritores que porventura escreveram livros ruins

Obrigada pelas bonitas palavras de encorajamento, P.R.! Acontece que, para mim, exemplos funcionam mais do que palavras e seu entusiasmo com as letras e com a arte me encorajaram a não apenas escrever e publicar mais, como também voltar para as artes cênicas. Encontrei um grupo que estava iniciando uma peça e, há duas semanas, estamos ensaiando. A propósito, parabéns pelo prêmio da novela! Minha admiração e gratidão por você já são eternas. Abraço!

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One Feeling a Day, em Curriculum vitae / résumé (outro trecho autobiográfico com apêndice)

Adorei. Nunca deixe de escrever.

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Estrella RF, em Tardinha para o Atlântico

Las ideas bullen, las palabras se atropellan, mi mano se desliza en el papel, ordenando las letras, dándoles vida una vez más, emociones, amor, odio, pasión, haciendo que mi vivir, tenga sentido…¿Qué le pasa al bebé? está aprendiendo a vivir. Un abrazo.

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Maby Ferreira, em A certeza de que nada será como antes

Não dá, sempre que te leio, eu cá penso: toma aqui o seu Nobel de literatura!

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Farley Santos, em Como ler livros incandescentes

‘Não importa se você está a ler J. K. Rowling ou Tolstói, Asimov ou Gonçalo M. Tavares, Orwell ou Machado de Assis. O livro é seu, a sensação é sua, as personagens atraem a sua simpatia, as páginas brilham e por vezes ofuscam os olhos como um sol incandescente.’ Trecho perfeito.

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Eduardo Jauch, em Quarta nota #7 — vende-se

Instigante. As três primeiras linhas. Levam longe… Do resto, só a pena. Mas a pena já não tem força, ao que parece.

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Geraldo Cunha, em «Nova antologia de contos brasilienses», duas breves narrativas de P. R. Cunha

Ótimos contos, objetivos, bens estruturados e com um sarcasmo peculiar sobre os atropelos da vida. Parabéns.

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Cristina, em Danças macabras

Uno siempre piensa en la muerte como algo lejano, e incluso como algo que “sólo le sucede a los demás”. Estamos envueltos en una sociedad en la que hablar acerca de la muerte sigue siendo un tema tabú.

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Nausíkaa, em Escritores solteiros casam-se com a própria obra

Excelente! Gosto muito de te ler, P. R. Cunha… Mais um escrito que nos puxa com a força gravitacional de um planeta. Quanto ao dito de Vila-Matas: hijos sin hijos de veras? Criamos os filhos para o mundo. O que são os escritos senão produções para o Outro, com efeitos imprevisíveis? Criações que se desenvolvem para além do criador. Apenas uma reflexão.

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AmagM, em Caderno de viagem: Évora entre ossos e feridos

Foi a primeira vez que li tal descrição da Capela dos Ossos… Gostei, pois vai de encontro ao que sinto. Évora é lindíssima.

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Lucas Lopes, em Autoestrada

Sinestésico. E se foi intencional, acertou em me causar agonia.

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Mãe de Ludo e Vico, em «And one more for the road», a solitude etílica

Mais um texto seu que me fez rir, refletir e esperar o próximo.

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Alan Barroso, em Álbum à vista

Amigo, que beleza de momento. Suas músicas são muito inspiradoras! Este ano comecei um curso técnico de música, estou aprendendo, violão e piano, saber ouvir-te é tão bonito, mas compreender-te é mais profundo. Musicalizar-se é transcender o estado do espírito, saber falar com a alegria e a tristeza dos dedos, que erram e acertam e erram e acertam como nós assim fazemos.

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Nuno Veríssimo, em O manipulador de vidas

O miúdo no quarto com o jogo de computador é o mesmo que o jovem millennial que vive o ‘aqui e a agora’, sem género, sem história, sem fronteiras… sem outra identidade que aquela que vai criando digitalmente nos perfis das redes sociais, infinitamente adaptável, mas infinitamente vazia também… não há carrinho de bebé antes de existir e não haverá nada mesmo depois de existir… vivemos um momento histórico interessante, alimentado a tecnologia e ideologia… seria interessante ler Nabokov sobre o novo milénio… Magnífico texto. Um abraço.

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África Vaidosa, em A certeza de que nada será como antes

A vida em etapas… Gostei.

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Jéssica Fernandes, em Caderno de viagem: os fantasmas fugiram de Sintra

E nos lugares mais desconhecidos, escondidos e simples, encontramos um sentimento extraordinário, inesperado, uma visão que fascina, que nos faz refletir, valorizar e descobrir o essencial, o grande.

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Salomão Rovedo, em Dois embarques

Cunha, sempre dás um viés lusitano à tua linguagem. Isso faz-me rir e pensar que a escrita fica bem fácil e feliz, assim tipo salada-de-frutas. Quer dizer: esse tempero lisboeta é ficção ou veia de raiz de lá mesmo? De qualquer modo, é invenção e fica bem.

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Ana Gimenez, em Sobre «VBA Rules» & Dulce Delgado

Me encanta leer tus escritos acá en tu blog, es como pasear en otro mundo…

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Douglas Rodrigues, em Pergunta # 4 — António Guimarães (editor de livros) em conversa com P. R. Cunha

‘Meu gênero sempre foi a mentira’. Genial, Paulo!

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Foureaux, em Manual de sobrevivência do escritor (um monólogo epistolar)

Uma carta intrigante e instigante, com a devida vênia para a pobre rima. Texto limpo que vai direto ao ponto, sem deixar de lado a delicadeza da inventividade… Gostei. Obrigado por partilhar!

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Marina López Fernández, em Evento de Teatro seguido de Garrafa de Leite/Conserva de Aspargo

!Braaaavo! Es una puta locura. Me encanta. Teatro del absurdo. Cojonudo. Muchísimas gracias por dedicármelo. Ahora lo sé: ‘Teoría del caos’. — Es mi sello. Un placer y un honor, P. Todo un verdadero honor.

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Paulo Paniago, em O dia em que conheci o Enrique Vila-Matas

Não apenas o texto está ótimo, trouxe-me memórias incríveis de Paraty e das loucuras de escritores, essa gente meio destrambelhada, mesmo que à margem do processo todo, como um poeta desencontrado que recita versos ruins e não nota. Os velhinhos, categoria da qual me aproximo a passos galopantes, são também uma gente curiosa, os mantenedores da leitura num país inteiro constituído de analfabetos, inclusive entre os principais governantes de todos os quadrantes. Os velhinhos, quero crer, certamente os responsáveis por ajudar a manutenção da roda da barafunda que são os eventos literários. Senti falta do seu texto a respeito da outra mesa de Vila-Matas, sozinho, a ler um texto com intenção de afastar os leitores (o que efetivamente conseguiu), queria suas impressões por escrito desse fenômeno, mas, enfim, não se pode querer tudo. E o que você deu é muito, muitíssimo.

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Elvira Lorenzo López, em Pergunta #13 — António Guimarães (editor de livros) em conversa com P. R. Cunha

El miedo a la incertidumbre, a no controlar nuestros pasos porque no sabemos a dónde nos llevan… Así se puede decir que la misión del escritor es ‘terrible’ por los mundos que es capaz de mostrar, siempre infinitos, siempre enriquecedores.

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João Maria, em Buraco negro (ou: toda a humanidade vive já há imenso tempo no exílio)

Gostei muito, mas muito. Adorava ver isto encenado cá em Portugal, Lisboa tem um circulo de produções independentes excelente. O conceito está tão refinado que dá borboletas na barriga, embora ache que não seja para qualquer público. Nem tem de ser.

O livro exige muita dedicação e por vezes as coisas não saem como havíamos imaginado

Série de motivos para justificar o fato de eu não ter trabalhado no manuscrito nesses últimos dias —

29 de outubro: limpeza do apartamento
30 de outubro: doente, dor no olho (esquerdo), muita chuva
31 de outubro: bicicleta para o conserto
1º de novembro: bebendo com os amigos
2 de novembro: mordido por cupim
3 de novembro: dor de cabeça, talvez por conta do veneno do cupim
4 de novembro: atividades com a Jéssica
5 de novembro: jogo de xadrez (até tarde)
6 de novembro: [ilegível]
7 de novembro: cartas/jogatina, bebedeira com os amigos
8 de novembro: cansaço (sem motivo aparente)
9 de novembro: maratona «Game of Thrones» com a Jéssica, bar à noite
10 de novembro: aspirador de pó com fio desencapado, dando choque
11 de novembro: NFL, Patriots @Titans
12 de novembro: saudades do pai
13 de novembro: aula de escrita criativa com o Ron Howard
14 de novembro: festa (cancelada) na casa da Lud
15 de novembro: feriado

— P. R. Cunha

Robô

Para o amigo olivarui

O robô não sente dor
não faz greve
não se rebela
não precisa do horário de almoço
não engravida
não sofre acidente de trabalho
não exige indenização
não tem problema cardíaco
não bebe demasiadamente
não escreve poesia
não sangra
não chora
não mente
não sente —
o robô há muito
já nos roubou.

— P. R. Cunha