Eerie scenes from bathrooms, by P. R. Cunha

[Brasília/Aveiro]

The bathroom is the most intimate place in the house.

People lock themselves in the bathroom because they don’t want other people to know that they are inside the bathroom.

The light in the bathroom is different — white, bluish, cold, yellowish, wet.

A lot of people end up feeling very vulnerable inside the bathroom.

They feel naked, indeed.

— P. R. Cunha


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O soldado caído

A língua inglesa possui verbo que de acordo com o contexto pode definir as ações de fotografar e atirar — to shoot. Fotógrafos de guerra retornam do combate por vezes desmiolados depois de tantas atrocidades e repetem como se fossem robôs: nós também atiramos. Desnecessário perder-se em análises para entender de que modo as fotografias podem ser utilizadas para enganar, matar, ludibriar, acusar, vender produtos que não funcionam etc. etc. A verdade é que a metáfora «câmera/arma de fogo» não é de modo algum disparatada. Ambas possuem mira, ambas precisam de gatilho para finalizar os respectivos alvos. Já se sabe que algumas comunidades isoladas têm verdadeiro pavor do aparato fotográfico: objeto estranho que assalta aquilo que há dentro de nós. Revela-se a fotografia e o que se vê é mesmo uma figura humana estática, paralisada pelo tiro do tempo, geralmente com os olhos arregalados. Pistola e obturador que transformam os vivos em fantasmas, em memórias que aos poucos desvanecem.

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Texto: P. R. Cunha
Fotografia: © Robert Capa