Efeito(s) óptico(s)

¶ Havia na cabana um escritor que, dizia-se, também conversava com Musa imaginária, e sempre que lhe surgia qualquer ideia de literatura ele gritava: tu és a minha galinha dos ovos de ouro! Como que por coincidência, certo dia passava perto dessa mesma cabana um ladrão de galinhas que escutara os gritos do escritor — e sem pensar duas vezes correu até ao galinheiro para tomar posse dos tais ovos de ouro. Escusado dizer que a empreitada do ladrão de galinhas não lograra êxito. 

¶ Falamos sobre «a luz tão característica da Lua» quando, em verdade, deveríamos tratá-la da maneira que lhe convém: um espelho, ou reflexo lunático. Mas nunca é romântico dizer que a bola noturna só se faz prateada por conta dos raios emitidos pela estrela solar. E que, assim, os poetas têm de lidar com miragens celestiais.

comet

¶ Até mesmo o melancólico notívago — cuja mente está sombreada pelas nuvens de anedonia — perde parte da própria amargura quando os pensamentos retornam à calda de um cometa, este fugidio visitante de pedra e gelo.

— P. R. Cunha

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