Teoria do holofote (apontamentos desconexos)

Os reencontros de turma são sempre organizados pelos alunos mais bem-sucedidos.

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Capitalismo-mágico faz crer que as commodities consumidas pela sociedade simplesmente surgem, aparecem, materializam-se, como num sonho, contos de fada.

Ir ao supermercado, ao shopping mall e deparar-se com quantidades vertiginosas de produtos coloridos; ou, num contexto mais imediatista, comprar pela internet, no infinito abstrato acessado com um simples movimento do mouse, e a mercadoria chega à porta de casa.

Passe de mágica.

Fácil de esquecer que, a despeito do acelerado desenvolvimento robótico, as coisas ainda são majoritariamente produzidas por pessoas (isto é: dependem da supervisão e do esforço de seres humanos).

Se outros humanos não produzem, não embalam, não transportam, não fiscalizam, não entregam, de aí a magia perde todo o sentido.

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Um vírus que realmente causasse pânico/histeria/desespero — não um vírus biológico, mas virtual. Visto que a fuga da «realidade» é feita através da janela computadorizada, os pixels ganham novas dimensões. A falta de conexão com a internet, colapso do sistema streaming (Netflix, YouTube & associados), redes sociais em espera; difícil de prever como essa abstinência afetaria o psicológico de certos usuários.

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Estádio de futebol repleto de torcedores feitos de papelão — Pinocchios com rostos (fotografias) de torcedores de verdade. O barulho da torcida viria de altifalantes estrategicamente posicionados às laterais do campo. Ecos, gravações e reverberações garantiriam a atmosfera grotesca do espetáculo. 

— P. R. Cunha

2 opiniões sobre “Teoria do holofote (apontamentos desconexos)

  1. Lembrei dos entregadores de aplicativos de comida. Na desigualdade em relação ao lucro, à fragilidade da relação trabalhista e ao não entendimento que essas pessoas -assim como tantas outras- fazem parte de toda linha de produção. Porque merecem menos? E caso esse vírus da tecnologia visite a gente não só as pessoas como o mundo corporativo entraria em colapso. Ótimas reflexões seu texto traz!

  2. Ah, as pessoas já viviam de superficialidades, on demand, click e bum.
    A pensar que se fosse ao contrário, a internet acabara, aí seria o fim do mundo.

    Talvez agora, o trabalho, o encontro humano seja mais valorizado. Que só acontece quando não temos/somos proibidos.

    Vejamos…

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