Animal em extinção

Que a literatura esteja sempre a morrer, desde os gregos antigos, desde as transições da oralidade para a escrita, que ela, portanto, tenha sido declarada moribunda já no próprio nascimento, negligenciada, esquecida, poucos leem, como se diz, e que esse vagar fantasmagórico — e categórico — rumo ao desfiladeiro, o grande salto para o vazio, «o que se confessa em silêncio» (DERRIDA, Jacques), que sempre tenha vivido, ou melhor, sobrevivido de agonias, sem recursos, errática, perdida, desconfiada, descartada, que se transforma em ciborgue, que se adapta ao ciborgue, que se desmancha, se apruma, se constrói, se corrige no software de edição de texto, e os sonhos com ovelhas elétricas mesclam-se com realidade(s), com aquilo que se considera realidade, hiper-real, com transmissões wireless, telepáticas, literatura como meio, e o meio, Marshall McLuhan bem o sabia, é a mensagem.

— P. R. Cunha

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s