Persona non grata

PZRS

Ela volta sem ser convidada, enquanto você está deitado, revirando-se na cama, a colocar o travesseiro sobre os olhos para evitar a luz dos postes que dribla as frestas da cortina. Ela fica atrás da porta, à espreita, serena, tem todo o tempo do mundo. Você sente a presença indecorosa, perturbadora. Você está com sede. Ela parece sorrir, zombar da sua estranha dança com os lençóis. Você tenta enganá-la, tenta pensar em outras coisas, qualquer coisa, assuntos mundanos, situações tediosas, tenta se imaginar a correr uma maratona, você está cansado, sim, muito cansado, mas essa tática não funciona mais, ela já aprendeu todas as suas artimanhas, todos os seus truques infantis, nem adianta insistir. Você agora escuta os passos que se aproximam de forma lenta e calculista, as mãos nodosas que lhe tocam sem cerimônia, o hálito frio que sussurra ao ouvido: sou eu, a Insônia, uma velha amiga.

— P. R. Cunha

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