Mesmo a saber que o tempo dos tabuleiros já passou

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O jogador de xadrez é sem sombra de dúvida um indivíduo muito solitário.

Quando sente vontade de jogar xadrez ele telefona para os amigos.

O jogador de xadrez não tem muitos amigos.

Ele pergunta: gostarias de jogar uma partidinha de xadrez?

Vale lembrar que um dos amigos do jogador de xadrez é um conhecido filósofo existencialista.

Entretanto, nenhum dos amigos do jogador de xadrez — nem mesmo o filósofo existencialista — parece lá muito interessado pelo jogo de xadrez. Isto é: não querem jogar xadrez, nem com o jogador de xadrez, nem com ninguém.

Não é nada pessoal, percebes…

Os amigos dão de ombros, dizem-se ocupados, precisam de cuidar disto e daquilo etc.

O problema é que justamente essa total indiferença, indiferença que se repete, e se repete, e se repete, essas recusas constantes, justamente isso que estimula ainda mais o jogador de xadrez a querer se dedicar ao xadrez.

Resignado, ele repete para si mesmo: feliz aquele que não precisa de jogar xadrez para criar propósitos.

— P. R. Cunha

 

2 opiniões sobre “Mesmo a saber que o tempo dos tabuleiros já passou

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