Fronteiras da instabilidade

Apaixonar-se é deslumbrar-se: por uma pessoa, por uma ideia, por abstrações, por fantasmas.

Dizem que todas as paixões, numa altura, são cegas.

Há qualquer química no cérebro humano que faz querer seguir adiante, independentemente dos padrões repetidos, das certezas repetidas, dos estragos repetidos. Desconsidera o que, para um observador à distância que não está apaixonado, parece óbvio. 

É lá uma armadilha!, podem gritar.

Mas o deslumbre é imenso. Além de cegos, deixa-nos surdos, hipnotizados.

Em mapas não-lineares a constante de Feigenbaum (Mitchell J. Feigenbaum [4.669 201 609 …]) anuncia o mau presságio — o caos se instalara.

Sensibilidade às perturbações iniciais. O simples bater de uma borboleta no Brasil a causar tornado no Texas.

O simples bater de coração a causar estragos devastadores na assim chamada «alma».

A longo prazo o sistema, embora não aleatório, é imprevisível.

Caminhamos de livre e espontânea vontade na beiradinha desta falésia, olhamos para o precipício, o precipício nos dá medo, vertigem.

Tropeçamos.

mandelbrotset

O tema da tragédia é Trois Gymnopedies: No. 1, Lent et doloreux — Erik Satie.

Às vezes sobrevive-se à queda; noutras vezes, não.

— P. R. Cunha

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