Sr. Anselmo – parte 13

O sr. Anselmo gosta desta sensação de incerteza, de sentar-se à escrivaninha sem saber ao certo se lhe ocorrerá alguma ideia sobre a qual escrever. Sozinho com a própria sombra, como diria um antigo, o sr. Anselmo se pega naquela tragicômica postura filosófica: inclinado para a frente, olhar absorto, mão no queixo. Ele reflete sobre a possibilidade de universo infinito, ou pelo menos universo grande o bastante para que coisas absurdas pudessem se repetir. O pensamento do sr. Anselmo percorre esse gigantesco Cosmos — e os espaços são tão absurdamente distantes que ele começaria a encontrar cópias de si mesmo, doppelgängers com os mesmos arranjos de átomos que ele. O sr. Anselmo agora se pergunta se os outros Anselmos também estariam sentados à espera de alguma ideia sobre a qual escrever, qualquer ideia.

— P. R. Cunha

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