Sr. Anselmo – parte 12

Apontamentos aleatórios enquanto o sr. Anselmo escuta Shida Shahabi (Futō), fumando um cigarro às escondidas, a ler Raymond Carver — a chuva tamborila sobre capa protetora da piscina, algumas gotas respingam na mesa à qual o sr. Anselmo está sentado.

Pastel de natas (industrializado [Confeitaria da Torre]), Bier Hoff — desde 2002 —, Red Ale, cerveja forte, cerveja escura, 500 ml, 8,5% vol. O sr. Anselmo está vestido com uma camisa a dizer I WOULD PREFER NOT TO (prefiro não fazê-lo [tipologia Helvetica Neue]), Bartleby, Herman Melville.

A bebida e o cigarro são suicídios à prestação.

De dia, os revolucionários detestam determinado canal televiso, mas, à noite, os revolucionários continuam a consumir os produtos desse mesmo canal televisivo. 

Melhor ir-se acostumando com os drones (inclusive aos domingos).

A contagiosa doença de literatura. Parasitismo. Escreve-se e lê-se imenso, bem mais do que precisaria.

O baiacu é um peixe mortalmente venenoso — e nem por isso deixam de comê-lo.

Nesta sociedade absurda, o fantasma do fim do mundo mostrar-se-á, enfim, num tweet censurado.

Os escritores franceses escrevem até morrer. Estão no leito de morte, mal conseguem respirar, mas escrevem, até morrer.

— P. R. Cunha

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