A vovó

Minha avó paterna vai completar noventa e três anos. Ela já passou por guerras, ditaduras, recessões, milagres econômicos, pandemias, surtos imobiliários, ameaças nucleares («1962, crise dos mísseis, talvez o pior momento da minha vida», vovó comenta). Há pouco tempo ela descobriu que tinha câncer no ovário. A família toda ficou triste e ela sorria: não sei por que cargas vocês estão tristes. Quinze meses depois, vovó estava curada. Noventa e três anos, vejam bem! E quando se arriscam a perguntá-la «afinal, qual é o segredo?», ela cerra as pálpebras como quem já tivesse escutado essa pergunta imensas vezes: comam o que quiserem, bebam o que quiserem e não acreditem no que os jornais dizem. Noventa e três anos.

— P. R. Cunha

2 opiniões sobre “A vovó

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