A dúvida

No inverno de 2015 trabalhei numa farmácia de manipulação, diz Horácio. Eu dividia o turno da manhã com o sr. Panucci e com a Luana. Chegávamos bem cedo e precisávamos de nos reunir com o dono da farmácia. O dono da farmácia explicava que o cliente sempre tem razão, devemos tratar o cliente da melhor forma possível, mesmo se cliente se portar da forma mais odiosa possível. Etc. Lembro-me também que a Luana tinha acabado de perder a filha caçula, e apesar da raiva e das dores agudas que sentia no próprio peito continuava a distribuir sorrisos para a clientela. A farmácia de manipulação, diz Horácio, ensinou-me a duvidar de todos os sorrisos.

— P. R. Cunha

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