O mosquito

O mosquito fica a observar o animal humano a agir feito um louco. O mosquito não tem pressa, poder-se-ia dizer que o espetáculo (i.e.: ver o animal humano em busca de objetivos supostamente grandiosos, dos segredos do Universo em expansão, de status, de fama, de dinheiros, de entretenimentos, de analgésicos contra os absurdos existenciais [livros, cursos profissionalizantes, futebol, cinema, séries Netflix, comida]), poder-se-ia dizer, portanto, que o espetáculo agrada aos sentidos do inseto, mas daí já seria extrapolar os limites do bom senso; afinal, o mosquito é apenas um mosquito. A verdade é que numa altura o animal humano está de pé a realizar todas essas tarefas, e numa outra o insignificante mosquito decide-se ir até ao animal humano para lhe transmitir dengue, zika, malária, febre oropouche e não só. Daí o animal humano não fica mais de pé, não mesmo.

— P. R. Cunha

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