O sábio implicante

Lembro-me de ler entrevista em que o Philip Roth reclamava que quando não estava a escrever, quando não estava a trabalhar nos próprios livros ele caía em depressão, ficava doente da cabeça, nada lhe fazia muito sentido. E enquanto eu lia (na biblioteca da Universidade de Brasília, se a memória não me atraiçoa) não pude deixar de achar certa graça: o Philip Roth está ranzinza pacas, onde já se viu. Acontece que, como se diz, o tempo é a melhor escola. Hoje, dez anos depois, se fico longe das minhas narrativas, se começo a perceber que não conseguirei me dedicar à escrita e à leitura, nenhuma perspectiva de poder sentar-me sozinho num canto — mesmo que por apenas algumas horinhas — caio em depressão, fico doente da cabeça, nada me faz muito sentido. Trata-se de uma balança deveras delicada: sair em busca de novos motes, viajar, divertir-se; depois, ter a ocasião para o respiro, para editar-se, pôr-se ao papel. E quando as galáxias se alinham adequadamente, céus!, tudo se mostra muito bem, obrigado.

— P. R. Cunha

3 thoughts on “O sábio implicante

  1. Eu, sofro de ausências… mas o período após o ponto final me faz vivenciar os cinco estágios do luto… eu escrevo avulso, sem norte, por escrever somente… como se fosse outra, talvez a Catarina e não eu. Ok. loucura total-plena…

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