Manhãs em Sobradinho (casa dos meus avós)

Diz-se primeiro Brasil: de aí pode-se imaginar: país do futuro, país do passado, terra sem terramoto, ditadura(s), corrupção, Jorge Ben: e neste imenso Portugal (Evaldo Cabral de Mello), uma cidade: e nessa cidade uma pequena região administrativa: e nessa região administrativa uma casa construída à volta de jardim, campo de futebol, área de entretenimento aquático: e dessa casa um quartinho com mesa, cama, varanda, rádio de pilha que pertencera ao meu avô: e nesse rádio João Gilberto canta Zingaro (Vou colecionar mais um soneto / Outro retrato em branco e preto / A maltratar meu coração): à mesa, ouvindo João Gilberto, está uma pessoa com uma caneta: eu.

— P. R. Cunha


berenice&edyl

3 thoughts on “Manhãs em Sobradinho (casa dos meus avós)

  1. Yo me crié en la casa de mi abuela materna, hace tres años se incendió y fue como si se incendiara parte de mi infancia. ¡Ay, esas casas de los abuelos con tantos recuerdos…!
    Un abrazo.

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