devaneios da própria máquina de escrever (episódio #46)

a nossa tia rita, que estava com quase oitenta anos & nunca havia se casado, nem sequer cogitado tal possibilidade, conhecera um rapaz paraguaio num desses aplicativos românticos online. de início, pelo menos para mim (pois, afinal, só posso mesmo falar por mim), o rapaz de facto se demonstrara um tipo honesto, que verdadeiramente nutria sentimentos pela nossa velha tia rita. na segunda das três breves conversas que tivemos, ele me disse que havia herdado quantidade absurda de dinheiro depois que o pai, um grande produtor agropecuário, morrera num acidente automobilístico não muito longe da capital assunção. a ideia, segundo me revelou o rapaz, era levar a tia rita para viver ao paraguai assim que as chamadas «pendências burocráticas» fossem resolvidas. mas como depois de quatro anos o casal ainda permanecia no brasil — ou seja: não foram a canto algum, muito menos ao paraguai —, & como também a tia rita estava prestes a declarar falência, pois financiava os modos perdulários do namorado, alguns membros da nossa família começaram a duvidar das verdadeiras intenções daquele excêntrico relacionamento.

— p. r. cunha

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