devaneios da própria máquina de escrever (episódio #34)

vistosa a ideia de que a capacidade criativa do ser humano nasce quando a criança se dá conta de que possui um ego, «algo» dentro de si com fortes inclinações fecundadoras. está ali a circunstância, o caminho para transcender-se (& o digo sem nenhuma conotação mística-religiosa). o pequeno sujeito afasta-se dos limites impostos pelo corpo biológico, deixa de ser apenas criatura para também fazer parte de um contexto potencialmente produtivo — criar um objeto artístico?, criar-se a si mesmo? picasso dizia que toda a criança é artista, o problema é permanecer artista em adulto. é a tal imagem da semente: se negligenciado, o fruto não se desenvolve — semente nas entranhas da terra sem água para crescer. noutros termos: observardes as janelas se abrirem não fará muito sentido se não tiverdes força o bastante para mantê-las abertas depois.

— p. r. cunha

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