devaneios da própria máquina de escrever (episódio #13)

curiosa atividade, a do escritor. paradoxal, dir-se-ia. de longe, é apenas um ser humano sentado, imóvel, escrevendo. porém, se pudéssemos observar o que se passa ali dentro, veríamos tempestades, terramotos, balbúrdias — uma série infindável de cataclismos.

ao fim do dia, escritor diz: céus, estou exausto. & ninguém parece compreendê-lo: mas, ora, passaste o tempo todo sentado!

o problema é quando as ideias não vêm. de aí sim o escritor se torna mesmo «apenas um animal à deriva». nada faz sentido. & por estar parado (i.e.: sentado), a inércia se mostra ainda mais agressiva. de forma que por vezes é razoável dar uma boa chacoalhada nos modos. sair da zona de conforto. se não fizê-lo por conta própria, lá estará a fisiologia a meter-se na valsa. 

surge doença (febre), uma saudade há muito esquecida, pavores, o medo da morte, da finitude. como se alguma alma impiedosa amarrasse bomba-relógio às costas do escritor & dissesse: tempo! tic-tac-tic-tac…

vai, escreve!

repito: se bem-dosado, esse fluxo de endorfina pode fazer verdadeiros milagres literários.

— p. r. cunha

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