devaneios da própria máquina de escrever (episódio #5)

O CASO PETER HANDKE

ontem um dos meus alunos de escrita criativa perguntou-me o que eu achava desta balbúrdia toda a respeito da atribuição do nobel da literatura a peter handke. tentei organizar mentalmente uma breve amostra de escritores que se envolveram com política & as tempestades que se seguiram a esse tipo de relacionamento (knut hamsun/terceiro reich; louis-ferdinand céline/anti-semitismo; emir kusturica/ganância desenfreada &tc.). comentei também que não gosto do peter handke analista político — ou seja, o verdadeiro motivo da confusão: crítica aos posicionamentos controversos do peter handke civil, que apoiara slobodan milošević durante a guerra juguslava —, mas que gosto muitíssimo do peter handke escritor de literatura, peter handke dramaturgo, peter hankde autor de «a angústia do guarda-redes antes do penalty», assim como tanta gente admirava a ficção de céline & discordava dos posicionamentos dele em vida real. reforcei ainda que a discussão ética é absolutamente válida (inclusive, dá novo fôlego às tentativas de resolver os imbróglios que continuam a assolar a região dos balcãs), mas é preciso lembrar que o handke que costuma ganhar prêmios é o handke escritor, & que, felizmente, ele recebera o nobel da literatura, não o da paz.

— p. r. cunha

4 thoughts on “devaneios da própria máquina de escrever (episódio #5)

  1. Professor! Mt obrigado! foi sem dúvida uma das respostas mais completas que recebi sobre essa polêmica. Um forte abraço e até a semana que vem.

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