Realidade paralela

Um coveiro de Niterói que durante mais de quarenta anos enterrou os mortos da cidade e era conhecido por toda a gente como «Raimundo, aquele que enterra os nossos mortos» faleceu de forma súbita na noite passada enquanto lia, segundo testemunhas, o romance Paraquedas – um ensaio filosófico de P. R. Cunha. Certo colega de profissão, que fora escalado pelo cemitério para preparar a cova do notável coveiro apreciador de literaturas, dissera aos repórteres que poucas vezes sentiu-se tão perturbado: amanhã, este coveiro enterrará um amigo coveiro, dor terrível. Autoridades locais investigam o caso e não descartam a possibilidade de proibir as vendas do supracitado romance até que os detalhes sejam devidamente esclarecidos. Raimundo deixa uma viúva inconsolável e duas filhas.

— P. R. Cunha

8 opiniões sobre “Realidade paralela

  1. Ja ja. Me anoto en mayúsculas no leer dicho ensayo filosófico de ese tal P.R.Cunha
    Lograste sacarme una sonrisa
    Abrazos trasatlánticos

    1. ¡Querida Cris!,

      Detrás de un tema melancólico hay también una broma juguetona. Pero, ¡ay!, no todos entienden el chiste. Jaja…

      Saludos desde este lado del mar,

      P.

  2. E assim, o “para-quedas” vai voando com imaginação em diversos contextos!
    …aqui, certamente ele não abriu a tempo…e o ensaio filosófico caiu precisamente na cabeça do pobre Raimundo!

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