Paraquedas sente-se em casa quando em Portugal

Dulce Delgado, editora do blogue Discretamente, compartilha impressões a respeito de Paraquedas – um ensaio filosófico.

* * *

Quando pego num livro com o objectivo de o ler, antes de absorver o seu conteúdo, gosto de o manusear, ver a capa, o tipo de letra, se preciso de fazer esforço demais para o manter aberto, etc., etc., ou seja, gosto de saber se o meu corpo e sentidos apreciam aquele «objecto» que tenho entre mãos. Pode parecer absurdo, mas já me recusei a ler livros porque o meu «corpo» disse de imediato não…

A chegada do Paraquedas pelo correio levou também a esse primeiro ritual. Perante o seu manuseio os sentidos disseram que sim. O olhar gostou da capa e da sua textura assim como do tamanho da letra, e as mãos sentiram que ele era fácil de abrir e de estar connosco sem exigir esforço.

Chegaram as férias e ele foi na bagagem, a par de outro que estava ainda a terminar. Os momentos de sossego não foram muitos, verdade seja dita, pelo que só em casa, nesta última semana de umas férias que hoje terminam… o Paraquedas foi lido.

Onde quer que a tia Laura esteja (ou estará), ela sabe (ou saberá) que o amor de alguém que a adorou ficou ternamente guardado neste «mausoléu rectangular», narrado como uma viagem onde o tempo não existe, pois o passado se mistura com o presente, e todos serão futuro no coração do livro.

Mas ao lado desse amor também está a dor, uma dor dura que só o nosso escritor saberá quantificar, porque entre a realidade e a ficção existe sempre uma incógnita. O meu «fiel de balança» inclina-se mais para um dos lados, sendo certo que em cada leitor ele terá uma posição diferente. Mas isso não é realmente importante.

Achei fabulosa a leitura sobre o jogo de xadrez e o xadrez que é esta vida. Os dois lados de um só lado. As lutas interiores e a forma de as domar, contornar, equilibrar. E a relação entre o xadrez, a escrita e o modo de estar. Sejam realidade ou ficção.

Se um livro é como um filho, este vai seguramente crescer e caminhar. Porque o nosso escritor sabe escrever muito bem; porque tem profundos conhecimentos que partilha de uma forma simples e que nos agarra; e principalmente porque uma parte dele nos olha em cada página, seja nas dúvidas, nos medos ou nas verdades que são também de todos nós.

A partir de agora, qualquer leitura que faça de algo da sua autoria, seja no blogue ou em futuras edições, será com um novo olhar e com a certeza consolidada que este ainda jovem ser humano, a par dos seus conhecimentos, sensibilidade, eternas inquietações e tantas outras coisas que o constroem, tem muito potencial e um futuro certo na literatura.

Assim ele acredite em si e nas suas capacidades neste jogo de xadrez que é a Vida.

— Dulce Delgado


Paraquedas – um ensaio filosófico de P. R. Cunha está disponível na Lojinha deste sítio web. Se moras na Europa podes encomendar o livro à UA Editora.

10 thoughts on “Paraquedas sente-se em casa quando em Portugal

    1. Queridíssima Miau,

      Que o Paraquedas possa lhe trazer bons ares em férias. Noutros termos: que ele não lhe aborreça.

      Bons descansos para si e para os seus!,

      P.

      1. Obrigado, querido Paulo.

        O verão canadense pede toda a minha atenção. Por isso, estou, mais uma vez, atrasado na leitura dos teus posts! Mas naqueles momentos do dia quando o sol e o calor torna-se cansativo, volto a casa e dou uma piscadela para ver o que chegou à minha caixa de entrada. Como sempre, é uma alegria ver-te lá à espera! Estou guardando-os para lê-los quando o outono regressar.

        Um grande abraço (que leva um pouco do calor de Toronto consigo para te aquecer em dias frios).

        Emanuel

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