Se me permitem fazer referência a experiências pessoais

Parado
Diante da minha biblioteca
Quase aprendo a me calar

A minha biblioteca é um organismo vivo. Quem também cultiva uma sabe do que estou falando. Os livros que possuo dizem mais sobre a minha personalidade do que qualquer voz humana. Biblioteca — coisa curiosa, holograma das próprias aspirações. A seção de história alimenta a memória, não me deixa esquecer. A prateleira de filosofia (com Nietzsche, Adorno, Montaigne, Sêneca, Platão, Benjamin, Horkheimer, Heidegger [e não só]) traduz os pensamentos. Enquanto os romances — de Flaubert a McEwan — tratam das mazelas emotivas. Cabeça, coração, e alma. Há também os livros pelos quais um dia me apaixonei imenso, até pedir o divórcio, colocá-los numa caixa e doá-los. Livros, portanto, que fazem e desfazem, que ensinam sobre a transitoriedade de tudo. Livros de folhas, ao mesmo tempo resistentes e tão fáceis de rasgar.

— P. R. Cunha

Publicado por

P. R. Cunha

Mora em Brasília, Distrito Federal. Em 2009, estudou russo na cidade de São Petersburgo, cujas avenidas lhe serviram de cenários para os primeiros contos. Depois de terminar o curso de jornalismo, resolveu dedicar-se integralmente à fazenda literária. Além de romancista, é poeta, dramaturgo, fotógrafo e músico.

8 opiniões sobre “Se me permitem fazer referência a experiências pessoais”

  1. Ao contrário de hoje, que desejam que um criança trabalhe, eu tive a sorte de viver a infância, e ter uma biblioteca comum, bem como a minha mini biblioteca. O mesmo acontece com os filhos.
    A sua biblioteca é fantástica! Que honra ter o meu livro algures em sua biblioteca, entre esses génios da filosofia e literatura.

    PS. Eu sei que a pontuação está errada, mas eu tb estou a ver o mundo a dar voltas, um pouco. Nada grave.

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    1. Querida Miau,

      O seu livro cá está na prateleira a que chamo de: Escritores Amigos. Porque conheço os autores das obras etc. Ser-me-ia uma honra sentar um dia consigo para conversarmos sobre matemática, matemáticos, filósofos, génios e loucos.

      Compartilhar memórias bibliográficas, portanto.

      Abraços e boas perdições em viagens,

      P.

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      1. Ando enferrujada com o tema. Uma vergonha. Seres tristes surgiram no passado e quase acabaram comigo. Aos poucos, ainda muito lentamente, volto a ser quem eu era em terras tropicais, alegre, social,e sobretudo estudiosa da matemática.

        P.S. estou numa prateleira pra lá de chic 😄

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        1. A capacidade terapêutica do tempo é mesmo qualquer coisa de se admirar. Que os seres tristes fiquem longe, algures, enterrados sob as terras do passado.

          Pois certas paixões só hibernam, escondem-se um bocadinho. A título de modernismo: ficam em standby/sleep mode, à espera.

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