Se me permitem fazer referência a experiências pessoais

Parado
Diante da minha biblioteca
Quase aprendo a me calar

A minha biblioteca é um organismo vivo. Quem também cultiva uma sabe do que estou falando. Os livros que possuo dizem mais sobre a minha personalidade do que qualquer voz humana. Biblioteca — coisa curiosa, holograma das próprias aspirações. A seção de história alimenta a memória, não me deixa esquecer. A prateleira de filosofia (com Nietzsche, Adorno, Montaigne, Sêneca, Platão, Benjamin, Horkheimer, Heidegger [e não só]) traduz os pensamentos. Enquanto os romances — de Flaubert a McEwan — tratam das mazelas emotivas. Cabeça, coração, e alma. Há também os livros pelos quais um dia me apaixonei imenso, até pedir o divórcio, colocá-los numa caixa e doá-los. Livros, portanto, que fazem e desfazem, que ensinam sobre a transitoriedade de tudo. Livros de folhas, ao mesmo tempo resistentes e tão fáceis de rasgar.

— P. R. Cunha

8 thoughts on “Se me permitem fazer referência a experiências pessoais

  1. Ao contrário de hoje, que desejam que um criança trabalhe, eu tive a sorte de viver a infância, e ter uma biblioteca comum, bem como a minha mini biblioteca. O mesmo acontece com os filhos.
    A sua biblioteca é fantástica! Que honra ter o meu livro algures em sua biblioteca, entre esses génios da filosofia e literatura.

    PS. Eu sei que a pontuação está errada, mas eu tb estou a ver o mundo a dar voltas, um pouco. Nada grave.

    1. Querida Miau,

      O seu livro cá está na prateleira a que chamo de: Escritores Amigos. Porque conheço os autores das obras etc. Ser-me-ia uma honra sentar um dia consigo para conversarmos sobre matemática, matemáticos, filósofos, génios e loucos.

      Compartilhar memórias bibliográficas, portanto.

      Abraços e boas perdições em viagens,

      P.

      1. Ando enferrujada com o tema. Uma vergonha. Seres tristes surgiram no passado e quase acabaram comigo. Aos poucos, ainda muito lentamente, volto a ser quem eu era em terras tropicais, alegre, social,e sobretudo estudiosa da matemática.

        P.S. estou numa prateleira pra lá de chic 😄

        1. A capacidade terapêutica do tempo é mesmo qualquer coisa de se admirar. Que os seres tristes fiquem longe, algures, enterrados sob as terras do passado.

          Pois certas paixões só hibernam, escondem-se um bocadinho. A título de modernismo: ficam em standby/sleep mode, à espera.

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