As diminutas partículas de poeira que se podem ver flutuar na claridade (três haikus [aparentemente] desconexos)

1.
céu cinza
jogo de futebol —
o comboio começa a apitar

2.
distante o poeta
esquece relógios
vira a página cinquenta

3.
corações acesos
lareira apagada
aguardamos pelas estrelas

— P. R. Cunha

Publicado por

P. R. Cunha

Escritor, fotógrafo & músico. Mora em Brasília e pretende ter em breve um cão chamado Sebald. Ganhou o concurso literário Cidade de Belo Horizonte de 2012, com o livro «Quando termina», escrito em coautoria com Paulo Paniago. Atualmente, dedica-se ao manuscrito de «O tumulto das nuvens» e aguarda a publicação portuguesa de «Paraquedas – um ensaio filosófico» — obra vencedora do Prémio Aldónio Gomes (Universidade de Aveiro).

5 opiniões sobre “As diminutas partículas de poeira que se podem ver flutuar na claridade (três haikus [aparentemente] desconexos)”

    1. Jauch,

      Roland Barthes escrevera primorosamente sobre as possibilidades dessa poesia com raízes japonesas (vide O grão da voz); enquanto Shiki, Bashô e Buson anotaram versos dos mais edificantes.

      São formas libertadoras que apenas aparentam certa simplicidade. Logo se percebe que há ali complexidades ilimitadas, como disse certa vez o Martins Janeira — uma profusão de sugestões múltiplas.

      Haiku.

      Forte abraço,

      P.

      Liked by 1 person

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