As diminutas partículas de poeira que se podem ver flutuar na claridade (três haikus [aparentemente] desconexos)

1.
céu cinza
jogo de futebol —
o comboio começa a apitar

2.
distante o poeta
esquece relógios
vira a página cinquenta

3.
corações acesos
lareira apagada
aguardamos pelas estrelas

— P. R. Cunha

Publicado por

P. R. Cunha

Mora em Brasília, Distrito Federal. Em 2009, estudou russo na cidade de São Petersburgo, cujas avenidas lhe serviram de cenários para os primeiros contos. Depois de terminar o curso de jornalismo, resolveu dedicar-se integralmente à fazenda literária. Além de romancista, é poeta, dramaturgo, fotógrafo e músico.

5 opiniões sobre “As diminutas partículas de poeira que se podem ver flutuar na claridade (três haikus [aparentemente] desconexos)”

    1. Jauch,

      Roland Barthes escrevera primorosamente sobre as possibilidades dessa poesia com raízes japonesas (vide O grão da voz); enquanto Shiki, Bashô e Buson anotaram versos dos mais edificantes.

      São formas libertadoras que apenas aparentam certa simplicidade. Logo se percebe que há ali complexidades ilimitadas, como disse certa vez o Martins Janeira — uma profusão de sugestões múltiplas.

      Haiku.

      Forte abraço,

      P.

      Liked by 1 person

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