Urso introspectivo e poema sobre a origem dos anéis de Saturno

Havia uma vez um Urso Polar que levava consigo uma caixa — dentro da qual guardava tudo o que aprendia no decorrer da longa existência. Em juventude, Urso Polar orgulhoso abria e mostrava a caixa para todos os animais. Entretanto, ao perceber que ninguém além d’ele mesmo se entusiasmava com o conteúdo da caixa, Urso Polar passou a escondê-la cuidadosamente. Isso lhe causava uma sensação de angústia, de distanciamento.

[Veritas]
A lua que ousara um dia
se aproximar do gigante melancólico
desintegrou-se
para oferecer-lhe anéis de pedra —
de gelo.

— P. R. Cunha

Publicado por

P. R. Cunha

Mora em Brasília, Distrito Federal. Em 2009, estudou russo na cidade de São Petersburgo, cujas avenidas lhe serviram de cenários para os primeiros contos. Depois de terminar o curso de jornalismo, resolveu dedicar-se integralmente à fazenda literária. Além de romancista, é poeta, dramaturgo, fotógrafo e músico.

4 opiniões sobre “Urso introspectivo e poema sobre a origem dos anéis de Saturno”

  1. Ontem, eu estava como o urso polar. É exatamente isso que se sente, uma angústia, uma tristeza. Olhei para “a minha caixa” que não era uma caixa, e tive orgulho de mim por alguns minutos. Um animal ainda olhou impressionado, mas sem dar o devido valor. É isso…

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