Dois poemas sobre a nossa finitude — sem apelar às tristezas corriqueiras — e um relato ciclístico

¶Também o sonhador é prisioneiro

Dizem que o sonho
é simulação de morte
alguns praticam de mais
outros praticam de menos.

¶A sina de Jorge Luis Borges (um homem excelente)

Em vida
isolara-se
para quando
em baixo de terra
receber as devidas
condecorações.

¶Ei!, ele gritou

Ei!
ele gritou
estás montado
na minha bicicleta.

— P. R. Cunha

2 thoughts on “Dois poemas sobre a nossa finitude — sem apelar às tristezas corriqueiras — e um relato ciclístico

  1. Quando estudava Letras, perguntei a minha Professora de Literatura porque naquele semestre só estávamos estudando poetas com obras reconhecidas post mortem…e hoje lendo seu poema que se refere a um autor cujos textos me fascinam, lembrei-me da resposta dela…“o escritor…às vezes, precisa morrer para ser reconhecido”. Nossa. Choquei, Prof.!!!!

    1. Querida LPD,

      A morte cura, perdoa, engrandece, magnifica — em vida, era lá um sujeito difícil; bastou-lhe morrer para tornar-se uma espécie de mito, etc. O ciclo existencial, alguns diriam…

      Abraços para si,

      P.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s