Dois poemas sobre a nossa finitude — sem apelar às tristezas corriqueiras — e um relato ciclístico

¶Também o sonhador é prisioneiro

Dizem que o sonho
é simulação de morte
alguns praticam de mais
outros praticam de menos.

¶A sina de Jorge Luis Borges (um homem excelente)

Em vida
isolara-se
para quando
em baixo de terra
receber as devidas
condecorações.

¶Ei!, ele gritou

Ei!
ele gritou
estás montado
na minha bicicleta.

— P. R. Cunha

Publicado por

P. R. Cunha

Escritor, fotógrafo & músico. Mora em Brasília e pretende ter em breve um cão chamado Sebald. Ganhou o concurso literário Cidade de Belo Horizonte de 2012, com o livro «Quando termina», escrito em coautoria com Paulo Paniago. Atualmente, dedica-se ao manuscrito de «O tumulto das nuvens» e aguarda a publicação portuguesa de «Paraquedas – um ensaio filosófico» — obra vencedora do Prémio Aldónio Gomes (Universidade de Aveiro).

2 opiniões sobre “Dois poemas sobre a nossa finitude — sem apelar às tristezas corriqueiras — e um relato ciclístico”

  1. Quando estudava Letras, perguntei a minha Professora de Literatura porque naquele semestre só estávamos estudando poetas com obras reconhecidas post mortem…e hoje lendo seu poema que se refere a um autor cujos textos me fascinam, lembrei-me da resposta dela…“o escritor…às vezes, precisa morrer para ser reconhecido”. Nossa. Choquei, Prof.!!!!

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