O camelo do papá

De volta à literatura, que, no fim de contas, é a única praia em que me sinto plenamente à vontade. Sobre um camelo que não armazenava ressentimento contra os seres humanos.


O pequeno Misha observa com olhinhos curiosos o papá montado na corcova do camelo. O papá se aproxima e o animal parece querer abraçar o Misha com o focinho. A corcova do camelo tem um formato engraçado, como se algum arquiteto distraído tivesse esquecido ali a maquete inacabada do Pão de Açúcar. Gostava de saber o que o camelo guarda na corcova, disse o Misha. Gordura, respondeu o papá, o camelo guarda gordura na corcova, reserva de energia, esse tipo de coisa. Misha agora está a pensar que não deve ser fácil, a vida do camelo — principalmente no verão.

— P. R. Cunha

Publicado por

P. R. Cunha

Escritor, fotógrafo & músico. Mora em Brasília e pretende ter em breve um cão chamado Sebald. Ganhou o concurso literário Cidade de Belo Horizonte de 2012, com o livro «Quando termina», escrito em coautoria com Paulo Paniago. Atualmente, dedica-se ao manuscrito de «O tumulto das nuvens» e aguarda a publicação portuguesa de «Paraquedas – um ensaio filosófico» — obra vencedora do Prémio Aldónio Gomes (Universidade de Aveiro).

6 opiniões sobre “O camelo do papá”

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