A certeza de que nada será como antes

(Brasília, fevereiro de 2018)

Em miúdo
lá estão papá
e mamã
o sorriso indiscreto
do vovô
a merenda embalada
da vovó

Adolescência
anos de juventude
o primeiro beijo
a primeira música
o primeiro amor
a primeira poesia
as primeiras angústias

Então vêm universidade
mercado de trabalho
temor da morte
fracassos & sucessos
ganhos & perdas
a certeza de que nada
será como antes

Agora os dias
mais lentos
morosos
como um coração anestesiado
que bate por formalidades.

— P. R. Cunha

18 thoughts on “A certeza de que nada será como antes

  1. Nem praia;
    Nem chuva;
    Nem cães;
    Nem voltar atrás.

    Como um amante suave que abraça
    a bruma dum oceano seco.
    Como eu, também tu só serás
    uma breve pintura desse desassossego.

    1. Caríssimo Johnny,

      Teus comentários-poemas que sempre enriquecem este electro-sítio com pretensões de «resistência» (justamente ao desassossego citado acima).

      Estou a ver se, pelo menos, a pintura não se transforma num borrão.

      Abraços,

      P.

  2. P.,
    um coração sem anestesia pode
    doer, mas é tão verdadeiro –
    gostava de ver esse coração sem formalidades,
    mas o que sei eu se só sinto…
    Linda Poesia!
    🙂

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