O resto é xadrez

São cinco horas & vinte minutos da tarde de um desses dias de inverno tão comuns em Brasília. Estive a jogar xadrez até agora.

O xadrez sempre tirou o melhor & o pior de minhas capacidades. O xadrez me proporciona certa paz; a beleza de uma jogada bem executada pode ser a diferença entre uma semana aprazível & serena e uma terrivelmente irritadiça, sem vontades etcétera. Entusiasmo & apatia. O xadrez me deu a concentração plena, foco, a disciplina, excelente desenvoltura na hora de lidar com os embaraços da vida, tornou-me um ser humano mais inteligente, adaptável — realista.

Mas o xadrez também me trouxe ansiedades, frustrações, birras infantis diante de adversários muito mais fortes do que eu, fúria nas derrotas, vício, noites de pesadelo, o xadrez já roeu todas as minhas unhas, já me fez chutar paredes de concreto/madeira/ferro, espatifar bonitas jarras de vidro no chão, xingar a pobre da minha tataravó, cujas rugas jamais vi.

O xadrez acalma. O xadrez acirra os ânimos. 

O xadrez quer me matar do coração.

— P. R. Cunha

Publicado por

P. R. Cunha

Mora em Brasília, Distrito Federal. Em 2009, estudou russo na cidade de São Petersburgo, cujas avenidas lhe serviram de cenários para os primeiros contos. Depois de terminar o curso de jornalismo, resolveu dedicar-se integralmente à fazenda literária. Além de romancista, é poeta, dramaturgo, fotógrafo e músico.

9 opiniões sobre “O resto é xadrez”

  1. Lamento reconocer que apenas sé unas sencillas nociones de ajedrez.
    Pero estoy segura que, quien domine el juego como en otro tipo de juegos, se pasará horas jugando y con los diferentes estados de ánimo que nos cuentas en tu post.
    Abrazos.

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    1. Estrella,

      El ajedrez es una vida en miniatura. Pero allí dentro se lleva una existencia surrealista, cabalgamos caballos de madera y la corona del rey está pegada en la cabeza — para siempre. ¿Cómo no estar loco?

      Abrazos,

      P.

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    1. Miau,

      Um amigo que perdera os botões temporariamente por conta de uma derrota boba e passara bons tempos sem, inclusive, utilizar roupas com estampa xadrez; evitava o xadrez; mas só curou-se do xadrez quando (ironicamente[?]) voltou-se novamente para o jogo. A melhor cura para um xeque-mate, disse-me o amigo, é matar o rei da próxima batalha.

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