O resto é xadrez

São cinco horas & vinte minutos da tarde de um desses dias de inverno tão comuns em Brasília. Estive a jogar xadrez até agora.

O xadrez sempre tirou o melhor & o pior de minhas capacidades. O xadrez me proporciona certa paz; a beleza de uma jogada bem executada pode ser a diferença entre uma semana aprazível & serena e uma terrivelmente irritadiça, sem vontades etcétera. Entusiasmo & apatia. O xadrez me deu a concentração plena, foco, a disciplina, excelente desenvoltura na hora de lidar com os embaraços da vida, tornou-me um ser humano mais inteligente, adaptável — realista.

Mas o xadrez também me trouxe ansiedades, frustrações, birras infantis diante de adversários muito mais fortes do que eu, fúria nas derrotas, vício, noites de pesadelo, o xadrez já roeu todas as minhas unhas, já me fez chutar paredes de concreto/madeira/ferro, espatifar bonitas jarras de vidro no chão, xingar a pobre da minha tataravó, cujas rugas jamais vi.

O xadrez acalma. O xadrez acirra os ânimos. 

O xadrez quer me matar do coração.

— P. R. Cunha

Publicado por

P. R. Cunha

Escritor, fotógrafo & músico. Mora em Brasília e pretende ter em breve um cão chamado Sebald. Ganhou o concurso literário Cidade de Belo Horizonte de 2012, com o livro «Quando termina», escrito em coautoria com Paulo Paniago. Atualmente, dedica-se ao manuscrito de «O tumulto das nuvens» e aguarda a publicação portuguesa de «Paraquedas – um ensaio filosófico» — obra vencedora do Prémio Aldónio Gomes (Universidade de Aveiro).

9 opiniões sobre “O resto é xadrez”

  1. Lamento reconocer que apenas sé unas sencillas nociones de ajedrez.
    Pero estoy segura que, quien domine el juego como en otro tipo de juegos, se pasará horas jugando y con los diferentes estados de ánimo que nos cuentas en tu post.
    Abrazos.

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    1. Estrella,

      El ajedrez es una vida en miniatura. Pero allí dentro se lleva una existencia surrealista, cabalgamos caballos de madera y la corona del rey está pegada en la cabeza — para siempre. ¿Cómo no estar loco?

      Abrazos,

      P.

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    1. Miau,

      Um amigo que perdera os botões temporariamente por conta de uma derrota boba e passara bons tempos sem, inclusive, utilizar roupas com estampa xadrez; evitava o xadrez; mas só curou-se do xadrez quando (ironicamente[?]) voltou-se novamente para o jogo. A melhor cura para um xeque-mate, disse-me o amigo, é matar o rei da próxima batalha.

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