Hemisfério de Magdeburgo

Um relógio de parede já estava farto de estar na parede, desistiu de funcionar e deu consigo no chão da sala. Já não tinha mais de dizer as horas a ninguém.

(…)

O silêncio como forma de opressão/tortura; fazemos uma pergunta, esperamos resposta, que nunca chega, o receptor permanece calado, mudo, como se jamais tivéssemos feito pergunta alguma — a indiferença, portanto, desassossega.

(…)

Por entre as cadeiras
de um café
certa dama está a ler —
não lhe sei o nome
mas pouco demora
para chegar-me
um perfume
— a saudade.

— P. R. Cunha


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© Gravura de Gaspar Schott

Publicado por

P. R. Cunha

Mora em Brasília, Distrito Federal. Em 2009, estudou russo na cidade de São Petersburgo, cujas avenidas lhe serviram de cenários para os primeiros contos. Depois de terminar o curso de jornalismo, resolveu dedicar-se integralmente à fazenda literária. Além de romancista, é poeta, dramaturgo, fotógrafo e músico.

18 opiniões sobre “Hemisfério de Magdeburgo”

    1. Cris, gracias a ti, amiga mía, por ser siempre tan adorable. Sabes que también aprendo mucho contigo — principalmente cómo lidiar con las cosas/personas/situaciones que están del otro lado de la ventana. Me parece que escribir es un buen escondite, a veces. En mi cueva puedo leer sobre los hemisferios de Magdeburgo y la misteriosa muerte de Edgar Allan Poe.

      Abrazo!

      Liked by 1 person

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