Coração à deriva, a bordo do qual ocorrem os versos a seguir

— Para a Kameni Kuhn

Invente-se poeta
um outro dentro de si
para colocar na pena alheia
o que se sente
intensamente

Poeta louco de verdade
que agita o próprio coração
cujos batimentos
semelhantes às hélices de um navio guerreiro
se ouvem a um oceano de distância

Fala a sós consigo mesmo
não louco a fingir
que vai buscar ao fundo
da alma
as feridas sem razão

Poeta engenhoso
ousado e malévolo
adentro do seu gênero
a espécie mais perigosa
de cometer

— P. R. Cunha

Publicado por

P. R. Cunha

Escritor, fotógrafo & músico. Mora em Brasília e pretende ter em breve um cão chamado Sebald. Vencedor do Concurso Nacional de Literatura «Prêmio Cidade de Belo Horizonte» 2012, com o livro de contos «Quando termina», escrito em coautoria com Paulo Paniago. Atualmente, dedica-se ao manuscrito de «O tumulto das nuvens».

4 opiniões sobre “Coração à deriva, a bordo do qual ocorrem os versos a seguir”

  1. “Fala a sós consigo mesmo
    não louco a fingir
    que vai buscar ao fundo
    da alma
    as feridas sem razão”

    Fosse de estrutura rimada, ficaria convencido que fui eu que escrevi.
    Adorei, Paulo. Obrigado, como sempre, por partilhar.

    Liked by 1 person

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