O trompetista

Um trompetista local, que segundo a opinião de diversas autoridades musicais era tido como muito talentoso, compôs no seu próprio trompete uma melodia para a pessoa que tanto amava. Antes de mostrar a ela — tratava-se naturalmente de uma surpresa —, o trompetista tocara a melodia para toda a gente do bairro e toda a gente do bairro foi unânime: sem dúvida, muito bonita a melodia, está de parabéns, etcétera. Quando, no entanto, ele finalmente mostrou a melodia à pessoa amada, ela, por sua vez, não achou bonita, achou feia: é uma melodia feia, foi portanto o que ela disse. Desde então, não se sabe do paradeiro desse talentoso trompetista.

— P. R. Cunha

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P. R. Cunha

Escritor, fotógrafo & músico. Mora em Brasília e pretende ter em breve um cão chamado Sebald. Ganhou o concurso literário Cidade de Belo Horizonte de 2012, com o livro «Quando termina», escrito em coautoria com Paulo Paniago. Atualmente, dedica-se ao manuscrito de «O tumulto das nuvens» e aguarda a publicação portuguesa de «Paraquedas – um ensaio filosófico» — obra vencedora do Prémio Aldónio Gomes (Universidade de Aveiro).

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