O trompetista

Um trompetista local, que segundo a opinião de diversas autoridades musicais era tido como muito talentoso, compôs no seu próprio trompete uma melodia para a pessoa que tanto amava. Antes de mostrar a ela — tratava-se naturalmente de uma surpresa —, o trompetista tocara a melodia para toda a gente do bairro e toda a gente do bairro foi unânime: sem dúvida, muito bonita a melodia, está de parabéns, etcétera. Quando, no entanto, ele finalmente mostrou a melodia à pessoa amada, ela, por sua vez, não achou bonita, achou feia: é uma melodia feia, foi portanto o que ela disse. Desde então, não se sabe do paradeiro desse talentoso trompetista.

— P. R. Cunha

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P. R. Cunha

Mora em Brasília, Distrito Federal. Em 2009, estudou russo na cidade de São Petersburgo, cujas avenidas lhe serviram de cenários para os primeiros contos. Depois de terminar o curso de jornalismo, resolveu dedicar-se integralmente à fazenda literária. Além de romancista, é poeta, dramaturgo, fotógrafo e músico.

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