O homem embaixo da terra

Poucos lugares no mundo são mais desoladores e melancólicos do que a garagem do prédio onde moro às três horas da manhã depois de uma noite de bebedeiras voltadas ao esquecimento total. Quando a única companhia é um hidrante vermelho grudado na parede perto dos elevadores e a trilha sonora se faz do zumbido apático das lâmpadas fluorescentes que, pelos vistos, não são trocadas há anos. O que se passa na minha cabeça: que um homem pode levar a vida inteira obedecendo todas as regras, e aí de súbito já não importa mais nada.

— P. R. Cunha

Publicado por

P. R. Cunha

Mora em Brasília, Distrito Federal. Em 2009, estudou russo na cidade de São Petersburgo, cujas avenidas lhe serviram de cenários para os primeiros contos. Depois de terminar o curso de jornalismo, resolveu dedicar-se integralmente à fazenda literária. Além de romancista, é poeta, dramaturgo, fotógrafo e músico.

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